Crítica: Acrimônia | Longa-metragem sobre transtorno de personalidade - NoSet
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Crítica: Acrimônia | Longa-metragem sobre transtorno de personalidade

Acrimônia: substantivo feminino 1.estado ou qualidade do que é acre, azedo; acridão, acridez, acritude. 2.figurado (sentido) figuradamente comportamento indelicado; acridez, aspereza.

Contém Spoiler

Acrimônia é uma palavra de pouco uso, mas que desperta a curiosidade do publico (o que é bom para o filme) e define perfeitamente a personalidade ou transtorno de personalidade da protagonista Melinda (Taraji P. Henson) que diante de situações críticas e/ou delicadas age com imprudência e por impulso, cometendo alguns delitos por ser movida pela ira e sede de vingança.

Do diretor e roteirista Tyler Perry (Nobody’s Fool, 2018) que normalmente já trabalha com esses estilos de narrativas que envolvem conflitos conjugais, familiares e sociais e é o mesmo caso de Acrimônia. O Longa-metragem já começa com Melinda em sua fase madura contando a sua história a uma psicóloga, logo a psicóloga e o expectador ficam em posição de ouvintes todo o tempo. O filme todo é narrado na primeira pessoa (Melinda), isso explica a sequências de cenas com a voz em off de Taraji P. Henson e todo o roteiro a partir da perspectiva de Melinda.

Ao contar toda a sua trajetória Melinda volta desde o momento em que conheceu Robert (Lyriq Benet), na juventude o casal é interpretado por Ajiona Alexus e Antonio Madison, respectivamente. Eles se conheceram na universidade, ele cursava engenharia mecânica. Melinda perdeu sua mãe logo após ter conhecido Robert, ela tem mais duas irmãs June (Racquel Bianca John, jovem) e Brenda (Bresha Webb, jovem), que sempre a trataram como irmã caçula/filha, sempre super protegendo, se intrometendo nas escolhas e automaticamente na vida de Melinda. Isso em outra fase da vida de Melinda acaba se tornando um fator determinante.

Melinda herda da mãe a casa e mais 300 mil dólares, o que garantiria a ela uma vida confortável, mas não é exatamente o que acontece, ainda mais quando ela resolve bancar o namorado e apostar auto suas fichas nele. Mas, nesse meio tempo Robert trai Melinda com Diana (Shavon Kirksey, jovem), ao flagrar os dois juntos ela entra em colapso, destrói o trailler dele com o carro e acaba sofrendo um acidente com sequelas permanentes, mas de baixa gravidade.

Robert é perdoado por Melinda, os dois permanecem juntos e finalmente se casam. Melinda continua investindo em Robert e em seu grande empreendimento um bateria que gera energia em grande escala sendo relativamente pequena. Os dois acreditavam no potencial de Robert e de sua invenção, por muito tempo ele tenta uma oportunidade numa grande empresa, o problema é que eles não podiam imaginar que levaria mais de 18 anos para que isso acontecesse.

Diante de tantos problemas, principalmente, financeiros, pois até a casa Melinda hipoteca esperando o dia que a bateria de Robert vai trazer retorno. Mas, esse dia não chega e tanto ela quanto sua família resolvem tomar uma atitude e expulsar Robert da casa e da vida dela após a cobrança da hipoteca chegar e ela suspeitar de mais um traição dele.

O que deveria ser um plot-twist, já é algo bem previsível para quem assiste ao filme. Robert consegue vender a ideia da bateria, patentear e ganhar milhões por tudo que ela vier a faturar. Acontece que a essa altura ele e Melinda já estão divorciados, ele retorna e devolve a ela a casa da mãe e lhe entrega um cheque de 10 milhões de dólares. Melinda fica comovida e tenta reatar com Robert, o que ela não esperava é que ele teria conquistado tudo que havia lhe prometido, entretanto estava vivendo isso com outra mulher, nada mais, nada menos que Diana (Crystle Stewart).

O filme agora entra numa sequência de perseguição e loucura por parte da protagonista que simplesmente não consegue conviver com a ideia de Robert tê-la trocado pela amante de anos atrás. Ela que investiu seu tempo, seu dinheiro e sua vida por ele. Mas, que no momento crucial ela o deixou. Esse é o ponto chave do filme e sobre a loucura de Melinda, ela não enxerga que tudo aquilo passou, por mais que Robert tenha cometido muitos erros e tenha se encostado nela, ele reparou isso da forma mais honesta possível. Mas, nada adianta, pois Melinda fica simplesmente cega pela sua raiva e sede de vingança.

Tudo isso é o resumo do filme que é vendido como um “Revenge” conjugal, mas não passa de uma mistura de “Casos de Família” com uma das comédias dos irmãos Wayans estilo Vizinhança do Barulho. Portanto, não se deixe enganar pelo trailler ou o fato da atriz Taraji P. Henson ser ganhadora do Oscar, tudo isso é um ponto positivo para o longa-metragem, mas que serve apenas para dar status. Pois, Taraji tem apenas seu talento desperdiçado aqui e se você assistir, provavelmente estará desperdiçando o seu tempo. O que pode salvar o longa é a percepção do que é o transtorno de personalidade e também dos efeitos causados por reações impulsivas como as de Melinda e num contexto geral um destaque para a realidade do cenário econômico e a abordagem social em torno disso.

Nota: 

Trailler

Título Original: Acrimony

Direção: Tyler Perry

Elenco: Taraji P. Henson, Lyriq Bent, Crystle Bent, Jazmyn Simon, Ptosha Storey, Danielle Nicolet, Nelson Estevez, Kendrick Cross, Jay Hunter, Ajiona Alexus, Antonio Madison, Shavon Kirksey, Racquel Bianca John, Bresha Webb, Angelique Valentine

Sinopse: Após Melinda se separar do marido, ela descobre que ele ficou rico e está noivo de outra mulher. Sentindo que ele deve a ela todo o tempo e dinheiro que ela investiu quando estavam juntos, ela vai atrás de vingança.       

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