Analise Vingadores: Ultimato (SEM SPOILERS) - NoSet
Cinema

Analise Vingadores: Ultimato (SEM SPOILERS)

Em Vingadores: Guerra Infinita, o protagonista Thanos (Josh Brolin) consegue realizar seu plano de dizimar metade dos seres vivos do universo com as jóias do infinito, e agora no Vingadores: Ultimato a ótica se inverte, os Vingadores reassumem o protagonismo e buscam reverter a tragédia causada por Thanos.

Os irmãos Russo não medem esforços ao fazer um primeiro ato longo e quase que parado para um filme de super-heróis, mas é neste primeiro ato em que eles trabalham cada personagem particularmente, e por mais redundante que isso possa parecer, já que conhecemos cada um deles ao longo desses 22 filmes.

Porém todos eles são de certa forma novas pessoas e acabam sendo bastante diferente do que já vimos anteriormente, vide o Thor (Chris Hemsworth) que carrega o peso da culpa por não ter ‘acertado a cabeça’ de Thanos, o Capitão América (Chris Evans) que busca recomeçar  e se reencontrar ajudando outras pessoas de forma simples em terapias em grupo, ou até mesmo a Viúva Negra (Scarlett Johansson) que agora considera os Vingadores como sua família e a única coisa que ela tem.

O roteiro se mostraria muito preguiçoso e covarde continuasse com os Vingadores em ação logo após o término do primeiro filme, e ter um respiro para desenvolver os personagens neste novo contexto e trabalhar as consequências de forma individual em cada personagem o roteiro acaba por mostrar seu valor extremamente positivo.

Outro destaque também é a fotografia de Trent Opaloch, que de início busca sempre mostrar os personagens em planos fechados, buscando aproximar o espectador da tristeza de cada personagem, além de ter uma paleta de cores quase que cinzenta, isso se altera conforme a situação vai mudando, os planos vão abrindo e o universo volta a ser colorido pouco a pouco. A trilha sonora do filme também é algo similar, pois nunca é tocada por completo no início do filme pouco a pouco vai ficando mais intensa e completa.

Neste filme pontas soltas também são amarradas, mas diferente de Capitã Marvel que resolve alguns pontos do universo em si, Ultimato busca resolver problemas entre os personagens, como a velha briga do Homem de Ferro (Robert Downey Jr.) e o Capitão América ou a amizade entre a Viúva Negra e o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), o filme não se preocupa em ter momentos para isso, até porque ele é o ‘final’ desse universo criado pela Marvel.

As atuações também são excelentes, cada ator soube aproveitar cada momento seu na tela, como por exemplo o Jeremy Renner que apresenta um personagem sombrio, mas que no fundo tem uma motivação e não exita em se arriscar em algumas missões por essa motivação; Paul Rudd que vive o Homem-Formiga consegue equilibrar seu humor com a tristeza da tragédia; Scarlett Johansson que mostra afeto a todos os seus amigos, mas sempre tenta manter a postura de durona, esperando todos saírem de perto para desabar em prantos;

Chris Hemsworth que faz com que seu personagem pareça o mesmo do início, irresponsável e beberrão, mas tudo isso para mascarar sua fúria e em certos momentos acaba tendo sua emotividade. Considere destaques também para Gwyneth Paltrow, Karen Gillan, Mark Ruffalo e outros personagens dos quais não entrarei em mais detalhes para não estragar sua experiência

Mas ainda falando de atuação os principais destaques ficam para Robert Downey Jr. e Chris Evans, que trazem uma nova roupagem para os seus personagens, eles sabem do peso que eles tem neste universo e não exitam em inovar  e trazer algo diferente, Downey Jr que repete uma frase de um dos filmes anteriores mas com outro peso dramático, mostrando o amadurecimento do personagem e que o seu ego já não existe mais e agora ele se importa com as outras pessoas ao seu redor.

Evans que já tenta não ser mais um Capitão otimista, mas lá no fundo isso ainda ecoa e aos poucos ele trás isso de volta mas com uma determinação muito maior, sendo mais otimista para si mesmo, e pode-se dizer que ele está muito mais casca grossa. Ambos trazem cenas do inicio ao fim do filme que nos fazem nos emocionar em vários aspectos.

Voltando a narrativa, a solução que o filme encontra para resolver o problema do estalar dos dedos de Thanos, é em minha visão muito simples, talvez alguns ‘cientistas de poltrona’ encontrem problemas e furos, mas não é assim que se analisa um filme, não é buscando este tipo de questão, o roteiro se permite ser algo bastante fantasioso e faz parte  da mise-en-scène, ele não se preocupa em explicar todas a nuances do plano, apenas o essencial para o progresso da narrativa que de fato é coesa e é claro o entendimento do espectador.

O filme também se permite ter um terceiro ato grandioso, fazendo jus ao que a Marvel sempre se propôs, que é trazer os quadrinhos para as telonas, com cenas que realmente parecem páginas e mais páginas de quadrinhos, e tudo isso é feito com destreza pelos irmãos Russo, que demostram ter total controle em cada detalhe do filme, aproveitam muito bem cada personagem e respeitam as características de cada um que foram construídas ao longos dos anos pela Marvel, além de relembrar e homenagear os filmes mais icônicos da Marvel, nem que seja com uma apenas frase.

Vingadores: Ultimato não só entra para um seleto grupo de blockbusters como Senhor do Anéis, Guerra nas Estrelas, Avatar e dentre outros, como também cria um marco importante na história do cinema, pois até então, nenhum outro estúdio pensou em algo similar, a construção de um universo completo e tão grandioso como a Marvel conseguiu fazer, e é claro, transformar algo tão singelo como ler quadrinhos em uma experiência tão emocionante.

Topo