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CRÍTICAS

Crítica – Pressão

Crítica – Pressão
(L to R) Andrew Scott as "Captain James Stagg" and Kerry Condon as "Captain Kay Summersby" in director Anthony Maras' PRESSURE, a Focus Features release. Credit: Alex Bailey/Focus Features/STUDIOCANAL © 2026 All Rights Reserved.
  • Publishedsetembro 7, 2026

  Em tempos de eventos climáticos cada vez mais agressivos e principalmente, registrados em vídeos onde meteorologistas se transformam rapidamente de arautos da prevenção a terroristas do caos, um filme envolvendo meteorologia, estratégia, o destino de uma guerra e um dia histórico invade as telas do cinema nesta semana. Falo do filme Pressão (Pressure, 2026) de Anthony Maras.

  Dias antes do Dia D, onde os aliados invadiram a Normandia e livraram o lado ocidental europeu dos do Nazismo, em junho de 1944. O General Dwight Eisenhower, reunido com sua cúpula militar, já prepara a invasão para o dia 5 de junho. Mas as condições climáticas são importantíssimas para o êxito da missão. Um meteorologista escoces James Stagg, prestes a ser pai é convocado, para analisar os mapas meteorológicos e acaba descobrindo que no dia 5 de junho, seria inviável uma invasão devido às tormentas do tempo. Mas cada minuto é importante para que a missão que envolveria centenas de milhares de soldados desse certo e esses impasses acaba gerando conflito com outro meteorologista Irving B Krick que acredita que a missão tem que ser no dia combinado, provocando uma verdadeira tormenta nos bastidores do Dia que mudou a história da Segunda Guerra Mundial.

 Com todo o respeito aos fãs de filmes de guerra, principalmente da Segunda, praticamente tudo já foi dito sobre ela e o cinema soube absorver bem tudo isso com centenas de filmes, alguns melhores que outros, sobre esse assunto. Mas Pressão, com direção e roteiro de Anthony Maras (em conjunto com David Haig, autor da peça adaptada), consegue provocar tensão e suspense em uma história pouco conhecida sobre bastidores de um dos dias mais importantes da humanidade: O dia D.

   Mas ao invés de nos encher a tela com herois, cenas de ação e violência vemos como alguns herois anônimos e longe dos livros de história, foram fundamentais com suas corajosas decisões e como o clima sempre foi algo de extrema importância. Sem profusão de corpos e balas e sim mapas climáticos, barômetros e uma extrema tensão entre dois meteorologistas com métodos diferentes de trabalho. Stagg é estudioso, analisa mapas e usa aparelhos modernos para suas previsões serem mais precisas. Krick é mais a moda antiga, usa padrões e repetições de clima, para provar que em tal dia a probabilidade tempo ruim é raríssima.

  E o filme trabalha muito bem essa dicotomia dos dois profissionais, sempre vigiado por Eisenhower que apenas que o sucesso da missão ao menor custo de vidas. E como uma peça de teatro que foi a origem do filme, esse embate entre Stagg e Krick, acaba nos dando um frio na barriga mesmo sabendo que o Dia D foi um sucesso, mérito da condução do roteiro que soube explorar o trio de personagens da trama de modo exemplar. Stagg é interpretado por Andrew Scott, que com uma frieza e coragem impressionante consegue usando a ciência e racionalidade impedir com dados, uma catástrofe. Chris Messina, numa ótima atuação  é Coronel Krick, que com sua leveza e bom humor, tenta com sua lábia e métodos empíricos acreditar na repetição, servindo como contraponto perfeito a Stagg . Brendan Fraser, cada vez melhor, faz um duração General Eisenhower que com todo o seu poder de comandar exércitos, fica a mercê de dois meteorologistas e o ‘’bom humor’’ dos céus para comandar o passo decisivo ao fim da tirania de Hitler.

 Pressão é um caso perfeito de um filme que consegue unir fatos históricos, uma história quase desconhecida e como atores anônimos em uma guerra, sem apontar uma arma, comandar tropas ou criar estratégias militares podem ser tão importantes para uma vitória quanto generais de alto escalão!

Written By
Lauro Roth