Em tempos de eventos climáticos cada vez mais agressivos e principalmente, registrados em vídeos onde meteorologistas se transformam rapidamente de arautos da prevenção a terroristas do caos, um filme envolvendo meteorologia, estratégia, o destino de uma guerra e um dia histórico invade as telas do cinema nesta semana. Falo do filme Pressão (Pressure, 2026) de Anthony Maras.
Dias antes do Dia D, onde os aliados invadiram a Normandia e livraram o lado ocidental europeu dos do Nazismo, em junho de 1944. O General Dwight Eisenhower, reunido com sua cúpula militar, já prepara a invasão para o dia 5 de junho. Mas as condições climáticas são importantíssimas para o êxito da missão. Um meteorologista escoces James Stagg, prestes a ser pai é convocado, para analisar os mapas meteorológicos e acaba descobrindo que no dia 5 de junho, seria inviável uma invasão devido às tormentas do tempo. Mas cada minuto é importante para que a missão que envolveria centenas de milhares de soldados desse certo e esses impasses acaba gerando conflito com outro meteorologista Irving B Krick que acredita que a missão tem que ser no dia combinado, provocando uma verdadeira tormenta nos bastidores do Dia que mudou a história da Segunda Guerra Mundial.
Com todo o respeito aos fãs de filmes de guerra, principalmente da Segunda, praticamente tudo já foi dito sobre ela e o cinema soube absorver bem tudo isso com centenas de filmes, alguns melhores que outros, sobre esse assunto. Mas Pressão, com direção e roteiro de Anthony Maras (em conjunto com David Haig, autor da peça adaptada), consegue provocar tensão e suspense em uma história pouco conhecida sobre bastidores de um dos dias mais importantes da humanidade: O dia D.

Mas ao invés de nos encher a tela com herois, cenas de ação e violência vemos como alguns herois anônimos e longe dos livros de história, foram fundamentais com suas corajosas decisões e como o clima sempre foi algo de extrema importância. Sem profusão de corpos e balas e sim mapas climáticos, barômetros e uma extrema tensão entre dois meteorologistas com métodos diferentes de trabalho. Stagg é estudioso, analisa mapas e usa aparelhos modernos para suas previsões serem mais precisas. Krick é mais a moda antiga, usa padrões e repetições de clima, para provar que em tal dia a probabilidade tempo ruim é raríssima.
E o filme trabalha muito bem essa dicotomia dos dois profissionais, sempre vigiado por Eisenhower que apenas que o sucesso da missão ao menor custo de vidas. E como uma peça de teatro que foi a origem do filme, esse embate entre Stagg e Krick, acaba nos dando um frio na barriga mesmo sabendo que o Dia D foi um sucesso, mérito da condução do roteiro que soube explorar o trio de personagens da trama de modo exemplar. Stagg é interpretado por Andrew Scott, que com uma frieza e coragem impressionante consegue usando a ciência e racionalidade impedir com dados, uma catástrofe. Chris Messina, numa ótima atuação é Coronel Krick, que com sua leveza e bom humor, tenta com sua lábia e métodos empíricos acreditar na repetição, servindo como contraponto perfeito a Stagg . Brendan Fraser, cada vez melhor, faz um duração General Eisenhower que com todo o seu poder de comandar exércitos, fica a mercê de dois meteorologistas e o ‘’bom humor’’ dos céus para comandar o passo decisivo ao fim da tirania de Hitler.
Pressão é um caso perfeito de um filme que consegue unir fatos históricos, uma história quase desconhecida e como atores anônimos em uma guerra, sem apontar uma arma, comandar tropas ou criar estratégias militares podem ser tão importantes para uma vitória quanto generais de alto escalão!