Marquesa de Rabicó – “Memórias de Emília” - NoSet
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Marquesa de Rabicó – “Memórias de Emília”

Feliz é aquele que aproveitou as histórias do “Sítio do Picapau Amarelo” na infância. Apesar de todos os problemas do nosso país, temos escritores incríveis, e Monteiro Lobato é um deles.

Sem dúvida que a personagem mais ilustre do Sítio é a boneca de pano sem papas na língua, Emília, a marquesa de Rabicó. Em muitas obras do Sítio ela diz que está escrevendo suas memórias, por isso mesmo que em 1936 seu pai, Monteiro Lobato, decidiu lançar um livro só para ela, e assim nasceu “Memórias da Emília”.

      Ilustração de Belmonte para a edição de 1936

Em um momento dos muitos insights de Emília ela decide que precisa escrever suas memórias, registrar suas grandes aventuras, porém não quer usar suas próprias mãos, logo chama o Visconde de Sabugosa. Era para ela ditar suas histórias para ele, mas na verdade ele escreve tudo para ela levar o crédito todo (como sempre acontece, graças à esperteza dela).

Eles decidiram que a melhor maneira de começar essa grande obra era falar sobre o anjinho que eles, Narizinho e Pedrinho resgataram quando viajaram na Via Láctea. A decisão foi excelente, uma vez que puderam reunir personagens de outras aventuras, como Peter Pan, Alice (a do Pais das Maravilhas e Através do Espelho), Popeye e Capitão Gancho.

Isso tudo porque a história do anjinho de verdade se espalhou por todo o mundo e todas as crianças queriam o conhecer. As crianças da Inglaterra foram as primeiras a ter essa oportunidade, elas foram até o sítio e passaram três dias conhecendo o famoso Sítio, com frutas docinhas, animais falantes e um visitante especial.

Não demorou muito para que Emília deixasse de “escrever” sobre o que tinha que acontecer, agora ela começa a inventar o que deveria ter acontecido, falando de sua ida a Hollywood.

Ter a oportunidade de ler essa obra foi muito especial, ler as memórias da marquesa de Rabicó me fez lembrar das minhas próprias memórias.

Alerta: momento emocional =D

Quando eu era pequena minha mãe colecionava os livros do Sítio do Picapau Amarelo, não era completa, mas dava para curtir aquelas histórias incríveis. Nas férias minha irmã mais velha vinha passar uns dias comigo. Nesses dias ela lia esses livros para mim. Hoje não tenho muito contato com ela, mas aqueles dias continuam na minha memória, foi talvez um dos motivos para eu ter gosto pela leitura.

Além do motivo pessoal, essa obra é especial por muitas outras coisas. Primeiro por lembrar da inocência infantil em um momento em que isso não é tão valorizado, esse poder de fazer com que a gente sonhe com coisas impossíveis na mente adulta.

Quem é que hoje sonha em conhecer um anjo de verdade ou uma boneca de pano que fala? Até mesmo as crianças de hoje diriam que isso é uma ideia improvável! Entretanto, Emília vai lá e mostra que é possível sim, sonhe e busque realizar (se tem alguém que pode realizar é ela).

Uma segunda coisa que notei foi o quão atuais são as críticas embutidas, em especial quando Emília argumenta com o Visconde de Sabugosa de que é certo receber crédito pelo trabalho dos outros, exaltando a esperteza. No trecho ela fala que isso é “saber fazer as coisas”, por isso mereceria os créditos.

Quantos e quantos artistas deixam de ser conhecidos porque alguém levou o crédito por seus trabalhos? Isso sem contar com as outras profissões que contam com o trabalho de terceiros!!!

Mas uma coisa muito interessante é ver a linguagem usada. Estamos falando de uma obra de 1932, com gírias e expressões completamente diferentes. É gostoso ver esse português antigo, dá até para imaginar os personagens falando cada palavra.

Aliás, falando sobre isso, é impossível ler as falas de Emília sem lembrar de Isabelle Drummond na série da Globo. Dá para quase ver as expressões que ela fazia!!!

O livro ainda traz uma linha do tempo das ilustrações, lembrando três principais ilustradores de Emília: Belmonte, André Le Blanc e Augustus.

Se eu ainda não consegui te convencer que esse livro é maravilhoso, posso terminar dizendo que é lindo também, com ilustrações, capa dura, folha grossa e marcador em fitinha… Essas frescurinhas que todo leitor frequente gosta de ver!!

Enfim, Emília é Emília, e suas memórias, mesmo as inventadas, são um lembrete para nossas crianças interiores.

Beijinhos e até mais.

Memórias da Emília – Edição especial

Monteiro Lobato

  • Páginas: 208
  • Formato: 16cm x 23cm
  • Data de lançamento: 21/08/2017
  • ISBN: 9788525064752
  • Capa Dura
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