Lady ou Selvagem?! – “O Beijo Traiçoeiro” - NoSet
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Lady ou Selvagem?! – “O Beijo Traiçoeiro”

Pode-se imaginar que histórias de mulheres fortes e que quebram barreiras está naquela lista do “muito do mesmo”, parece que estamos sempre às voltas da mesma fórmula. Mas saibam que essas histórias podem ser novas, mesmo usando a equação de sempre.

No livro “O Beijo Traiçoeiro”, do oficial de armas e instrutora de liderança estadunidense (girl power), Erin Beaty, traz uma versão diferente da rebeldia em tempos nos quais mulheres não podiam nem ler, unindo a obstinação dela e a necessidade de um soldado de mostrar que merece  a patente que tem.

No reino de Crescera era tradição que os casamentos fossem arranjados por uma casamenteira, sendo a mais famosa e antiga a senhora Darnessa Rodelle. A idade mínima para se casar era 16 anos, exceto para os soldados, estes só podiam depois dos 21 anos.

Na casa dos Broadmoor havia uma menina de 16 anos, era a sobrinha da Sra. Braelaura Broadmoor, trazida para eles cuidarem quando tinha 14 anos e acabara de perder o pai (a mãe já havia morrido anos antes).

Sage Fowler não era exatamente uma dama, mas era tutora, tinha educação suficiente para parecer como tal (quando queria). Os tios a mandaram para uma entrevista para a Sra. Rodelle, a casamenteira logo viu que não teria como a unir com nenhum nobre, aos seus olhos a menina era selvagem. Ela literalmente a chamava de “Sage Selvagem”.

Mas a Sra. Rodelle viu que Sage tinha um talento nato e que seria de grande ajuda para o serviço de casamenteira. Sage sabia ler uma pessoa, ou seja, só de observar ela conseguia saber de algumas características natas, podendo assim saber como combinar os casais.

Apesar de achar tudo aquilo fútil demais, afinal ela preferia ser tutora, ensinando e aprendendo o máximo de coisas possíveis, Sage aceitou ser auxiliar da Sra. Rodelle, porque aí ela conseguiria ser um pouco mais independente do que na casa dos tios.

A cada cinco acontecia o Concordium, lá as casamenteiras da região levavam suas noivas para conhecer pretendentes, podendo arranjar casamentos promissores. Sage se uniu a Darnessa poucos meses antes de um Concordium e saberia que iria trabalhar muito. Ela deveria se infiltrar entra as Damas, como se realmente fosse uma, e assim observaria quem combinaria com quem.

Simultaneamente a isso, o Capitão Alexander Quinn, filho do general Quinn, fazia uma escolha ruim, ciente que seria punido por isso, ou os demais oficiais acreditariam que só estava ali por causa do pai. Ele recebeu o que seria a pior e mais humilhante das ordens naquele dia: sua tropa iria guardar as noivas do Concordium, apresentando-se como Lady Sagerra Broadmoor.

Alexander Quinn questionou aquilo, afinal tinha coisas mais importantes a fazer, pairava sobre o exército uma ameaça de guerra e ele teria que aguentar jovens se gabando de seus casamentos e posses. Mas ele logo soube que tal ameaça iria interferir no Concordium, o caminho entre Crescera e Tennegol (local do Concordium) era uma rota perigosa e os invasores poderiam se aliar a alguns nobres no caminho.

A viagem começou e Sage também, ela anotava tudo que deveria saber, inclusive sobre os oficiais da tropa que as guardava. Seu comportamento intrigava os soldados e logo eles também a observavam, achando que poderia ser uma espiã. Ash Carter, filho bastardo do rei, foi designado para se aproximar de Sage e saber o que ela queria.

Ash e Sage se estranharam de primeiro, ambos tinham opiniões fortes e cada um com um objetivo certo, podendo um atrapalhar o plano do outro. A tropa passou a saber que Sage era Sage, não Sagerra, porque se aliaram a Darnessa, explicando à casamenteira que precisariam da perspicácia da moça para saber quem era espião ou quem poderia estar trabalhando para os invasores.

Sage passou a saber de alguns detalhes do plano de Quinn, mas não sabia de tudo porque queriam a proteger de retaliações. Assim a moça começou a conhecer o tal Ash e fazer os relatórios do que poderiam estar acontecendo. Descobriu que o Concordium era uma peça para os invasores, que se uniram a D’Amirian, um dos anfitriões das noivas, ele iria arranjar casamentos das moças de Darnessa, que tinha em suas posses terras e outros elementos que construiriam um exército para os invasores, com os filhos de seus aliados.

No meio disso tudo Sage se ver apaixonada por Ash Carter, pela primeira vez pensava em se casar, porém o oficial tinha mais segredos escondidos. Ele era na verdade Alexander Quinn disfarçado, assim ele poderia fazer o trabalho de campo, recolhendo dados importantes e deixando seus homens os mais seguros possíveis.

Existia de fato um Ash Carter, que era de fato filho bastardo do rei, que servia o exército, que não subia de patente porque o príncipe Robert, seu irmão (filho legítimo do rei) também servia e não era de bom tom ele o superar. Porém Ash ficara no floresta, fora da tropa, para avaliar as condições externas e avisar de qualquer perigo, além de ajudar Robert fugir para não ser sequestrado.

A história de Sage/Sagerra e Alexander/Ash poderia entrar nos clichês de sempre, mas toma uma versão diferente. Alexander, enquanto era Ash, acreditou que uma simples moça pudesse ajudar um exército inteiro, apesar de se preocupar com sua segurança. Sage conseguiu atrair olhares nobres, conseguiu saber como se portar e ser uma dama, mas mais ainda, conseguiu mostrar que uma mulher pode fazer o serviço de um homem se assim for treinada.

“O Beijo Traiçoeiro”, apesar do título lembrar os dramas das novelas mexicanas, faz o leitor entrar em um mundo aparentemente diferente do nosso, mas com regras e padrões parecidos, fortalecendo a ideia de que a aparência conta bem menos do que a realidade é.

Para os românticos incuráveis, como a colunista que vos fala, é mais uma obra que nos faz suspirar. Para aqueles não muito românticos, é uma obra de guerra e estratégia, vocês irão perder seus fôlegos (tem momentos que é preciso parar de ler e refletir todo processo de raciocínio, e é aí que podemos dizer: que genial!).

Seja para se surpreender com estratégias militares, para se emocionar ou para saber como casamentos são arranjados, essa é uma obra nada traiçoeira.

Beijinhos e até mais.

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