Grande preZença! Luciano Preza está de volta - NoSet
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Grande preZença! Luciano Preza está de volta

Foto: Reprodução/Facebook

Luciano Flores de Lima tem quase tantos anos de música quanto de vida (27 dos 42 anos de idade foram dedicados a ela). Popularmente conhecido como Luciano Preza (famoso por ser o vocalista dos quatro discos do Cartolas) , o artista canta desde que se lembra. “Minha brincadeira, quando criança, era pegar duas vassouras: uma era o microfone e a outra a guitarra”, recorda. Ele formou a primeira banda aos 15 anos (uma cover de Beatles). A partir dali, ele integrou outras 33 bandas, sendo 29 de covers e outras quatro de som autoral.

Luciano, que deixou os vocais do Cartolas no início de 2016, estreou  em março deste ano seu novo projeto: a banda Preza!. O grupo subiu aos palcos pela primeira vez no Holiday Rock Festival II – ocorrido no Holiday Estúdio Pub, em Sapucaia do Sul-RS. Também em março de 2017, a banda gravou o videoclipe de seu primeiro single “Pro Meu Bem” – tanto a música quanto o  clipe devem ser disponibilizados em breve. Além do Luciano nos vocais, a Preza! é formada Ricardo Farfisa nos teclados (conhecido por sua atuação nas bandas Laranja Freak e Back Doors), Ellias Pedra (ex-A Pedra e Cabala) e Juliano Ogalo (ex-Cabala e intérprete de Renato Russo na Legião Urbana Tributo) nas guitarras, RodriGhetti (ex-Cabala) no baixo e Geovanne Benedet (ex-Nômades) na bateria.

Em uma entrevista exclusiva e bem descontraída, Preza conversou a respeito de sua trajetória, as influências do novo trabalho, como tem sido a carreira musical após a saída do Cartolas e revelou detalhes como, por exemplo, a sua coleção com mais de 3 mil LPs, e o fato de ser um “eterno vendedor”, inclusive de cosméticos e card games.

A Banda Preza! tocou algumas de suas músicas no programa Rockarina (em 23 de março) da Rádio Putzgrila. Confira um trechinho no vídeo:

 

ENTREVISTA

Como a Banda Preza! se define? Qual o estilo de vocês?

Luciano Preza – Não temos um estilo pré-definido. É um consenso entre o grupo, desde que a banda foi formada. Como é uma galera, as influências são muito vastas. Tem as tradicionais, aquelas que o cara já carrega na bagagem desde sempre. Eu, por exemplo, escuto muito o rock dos anos 50, 60 e 70. Dá para notar nas canções e na minha forma de cantar – algo que já era perceptível na minha ex-banda (Cartolas) – muita influência da música negra americana: Soul e Blues, por exemplo. Eu tenho muito isso, meio sem querer. Tenho notado nas canções que estão saindo uma certa influência de Kings Of Leon, The Strokes e semelhantes, e é claro, muito de Beatles. Mas um grande consenso que existe na banda é “vamos fazer o que ficar bom”. Não vamos seguir algo linear, do tipo “ah, vamos ser um rock inglês meio modernoso”, não cara. Tu vai ver que, por exemplo, no meio tem um baladão setentão a la Joe Cocker. É uma misturança boa. Mas com identidade e uniformidade. Ouvindo as gravações que fizemos dá pra notar todas essas influências e ao mesmo tempo essa pegada que dá uma característica pra banda.

Quando a Preza! foi formada?

Luciano Preza – A Preza! foi formada uma semana após ter saído de minha ex-banda (Cartolas). Na verdade o grupo já existia, eles viajam o Brasil todo com shows de covers, seja apresentando-se como Legião Urbana Tributo ou como Back Doors (bandas de tributo à Legião Urbana e The Doors, respectivamente). Então o cara que fazia as vezes de vocalista, interpretando o Renato Russo, se tornou o guitarrista e, junto comigo, o principal compositor da Preza!

De que forma está sendo o processo de gravação das músicas? E a produção do videoclipe?

Luciano Preza – O disco está sendo gravado no Holiday Estúdio Pub e será masterizado na gringa. Já o clipe do primeiro single, gravado essa semana, está sendo produzido pela Balboa Filmes. Nós lançamos uma campanha no Kickante para ajudar no financiamento da produção, gravação e mídia deste videoclipe. Infelizmente o valor arrecadado foi muito aquém do esperado. No fim, acabou que o nosso clipe foi 100% patrocinado por empresas e amigos. Foram vários patrocinadores que estarão mencionados nos agradecimentos do vídeo. Quando comecei a montar este projeto tive uma ajuda gigantesca do público, de empresa e de amigos. É uma coisa que não tinha como dar errado, é muita gente unida pra fazer isso acontecer.

Sobre o primeiro single, “Pro Meu Bem”, qual a história dessa música?

Luciano Preza – Eu tomei conhecimento da letra dessa canção logo após minha saída da outra banda (Cartolas). Ao mesmo tempo essa música meio que deu origem a banda nova. A gurizada que formou a Preza! junto comigo estava tocando em Goiás, e ficaram sabendo do fato (a saída do Cartolas). Então o meu cunhado, que vem a ser o vocal da Legião Tributo, compôs a letra e me mandou uma mensagem pelo WhatsApp com esse som feito me dizendo “Aí cara se tu quiser esse som é teu”, então eu respondi “Eu quero, mas também quero entrar na tua banda” (risos). E foi bem assim do nada, saca? Ele fez uma música que me tocou muito, ela diz exatamente o que eu queria falar naquele momento.

Luciano Preza gravando os vocais do novo CD. Foto: Reprodução/Facebook

Clique aqui para conferir um trechinho do single – divulgado no vídeo da campanha lançada no Kickante

 

Quem é o principal compositor?

Luciano Preza – Todos são compositores. Tem sons meus que estavam há tempos guardados, outros compomos juntos. Tem músicas do tecladista, do guitarrista, também do batera, enfim, a galera está muito inspirada e em todo ensaio aparece uma música nova. Na real, já estamos com repertório pra dois discos.  Para as composições eu tenho parceiros até extra-banda, tem uma do meu irmão, outra que eu compus junto da minha esposa, uma coisa tipo Johnny e June sabe? (risos)

Como serão lançadas as canções da Preza! ? E quando sai o disco?

Luciano Preza – Temos um disco cheio sendo gravado mas estamos pensando seriamente em lançar no formato de singles, porque é a estratégia midiática que está funcionado hoje em dia: singles com videoclipes. Claro que vamos lançar o disco físico, que é mais pro cara que gosta de ter em casa, pro colecionador, mas ainda não temos uma data pra isso.

Vocês já tem uma turnê pré-agendada?

Luciano Preza – Bom, vamos tocar até em parada de ônibus (risos). Pretendemos rodar, inicialmente, o Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, estamos negociando, fechando algumas datas para nossa turnê. Iremos divulgar tudo certinho em breve, é certo que o público vai ter muitas oportunidades de acompanhar a banda Preza! nos próximos meses.

Porque a insistência no formato “banda”, em vez de seguir carreira solo?

Luciano Preza – Eu gosto dessa coisa de banda, sabe. Não curto muito tocar sozinho. Embora seja legal ter o comando da situação, é muito melhor ter outras cabeças pensantes junto, pessoas talentosas que também compõem, enfim, parceiros. Parceiros musicais e amigos, é uma coisa que, saca, eu preciso disso.

Até bem pouco tempo atrás tu quase não compunha letras, tua qualidade foi sempre criar as melodias. Esta característica se mantém no novo trabalho?

Luciano Preza – Eu sempre fui um cara com bastante facilidade pra compor melodias. Mas isso mudou pra este disco. Continuo mais nas melodias e harmonias: levo o som pronto pro cara que escreve com todos os acordes e a harmonia pronta. E tem outra, às vezes, os caras me dão a música de um jeito… quer dizer, às vezes, não, sempre (risos). Eles me dão a música de um jeito e eu boto nela o meu jeito de cantar, chegando até a mudar a melodia, a forma como algo está sendo dito, acrescento umas palavras, mudo a entonação, etc. De certa forma é uma exigência minha, já que sou eu quem vou cantar. Preciso imprimir o meu jeito de cantar, é uma coisa que quem faz a parceria comigo já sabe. Mas meu lado compositor de letras está sendo bem mais explorado na Preza!.

Foto: Reprodução/Facebook

Tens um timbre muito marcante. Como tu cuida da voz e de que modo se dá a preparação vocal pros shows?

Luciano Preza – Até pouquíssimo tempo nunca havia feito nenhum minuto de aula, de nada. Não tenho cuidado nenhum com a voz, nunca tive, pelo contrário, tomo cerveja gelada sempre (risos). Faz cerca de um mês que, pela primeira vez na vida, comecei a fazer aulas de técnica vocal. E logo começo um tratamento de fonoaudiologia.

Apesar de um cantor exímio, nunca fostes muito apegado a parte instrumental. Tens desenvolvido mais teu lado instrumentista ?

Luciano Preza – Faz uns dois anos que tenho me apresentado em barzinhos, com voz e violão. Mas não me considero um instrumentista. Até porque os caras que entendem de cordas dizem que eu criei um jeito próprio de tocar. Eu diria que pela minha falta de habilidade com o instrumento eu toco de um jeito meio percussivo – eu toco um violão Folk, com corda 0.11 ou 0.12 e tem horas que eu consigo arrebentar a  sexta (corda) [risos]. Cara, eu bato muito forte, mas fica legal. Eu toco meio groove, rola muita Black Music, Soul, Tim Maia, Blues e por aí vai.

Em 2016. tu iniciou o Programa do Preza, um semanário no formato de entrevistas, veiculado pela Folha do Povo (jornal, rádio e TV online), de Sapucaia do Sul-RS. Como foi essa experiência? Tu tens intenção de dar prosseguimento ao projeto em 2017?

Luciano Preza – Eu gostei muito da ideia. Até comecei a estudar para aprender sobre, para saber como fazer. Era uma coisa nova pra mim. Infelizmente não tive mais tempo de participar, não está sendo possível conciliar. A Preza! está tomando muito meu tempo: estamos compondo, ensaiando pros shows num ritmo muito alucinado, fazendo o videoclipe, bolando os próximos passos do grupo e realizando outra série de coisas como colocar a banda nas plataformas digitais, elaborando campanhas para investir na divulgação pela internet, etc. Então o programa ficou meio em off. Mas quem sabe eu volte, porque eu gostei da experiência. Mesmo tendo durado pouco eu curti.

Viver de música não é algo fácil, ainda mais no Brasil e em tempos de crise. Tu já teve (ou tem) outra profissão além da música?

Luciano Preza – Eu fui corretor de imóveis por 11 anos. E atualmente sou vendedor. Na real eu sou um eterno vendedor, se alguém quer comprar alguma coisa eu arrumo o que ele quer comprar. Vendo anúncios no próprio Folha do Povo, vendo anúncios publicitários em painéis de led, carros, seguros de automóveis, produtos de beleza feminina (Mary Kay), até card games de Magic e do Pokémon. Se tu souber de alguém que quer comprar alguma coisa fala pra mim que eu arrumo, não sendo ilegal, com certeza eu consigo o produto (risos).

Em algum momento da vida tu tira os óculos escuros?

Luciano Preza – Cara, só pra ir ao banheiro (risos). Faz parte do figurino do Preza, é a minha persona. Tu nunca vai tirar uma foto comigo sem os óculos, nem se for foto de família. No nível de, ah se eu estiver sem os óculos, desculpa, mas eu não vou bater a foto. Isso é verdade. Pode procurar na internet, é muito raro ter imagens minhas sem os óculos, as que existem foram de quando me pegaram desprevenido. Eu tenho vários modelos, até recentemente tive o patrocínio de uma marca. Quando eu comecei a fazer shows passei a usar os óculos, e resolvi que não iria mais apresentar-me sem eles. Então virou minha marca registrada. Já mudei o restante do figurino diversas vezes – teve épocas em que eu tocava de terno; em outras era mais hard rock com calça jeans desbotada, camiseta e tênis; depois comecei a usar gravata; hoje em dia, há alguns anos na verdade, o figurino é sempre o mesmo, sempre: roupa preta, gravata vermelha, um sapato colorido e claro, os óculos escuros.

Preza com seu figurino clássico. Foto: Reprodução/Facebook

Depois da música, qual é tua maior paixão? Tu tens algum hobby?

Luciano Preza – Sou apaixonado pelo vinil. Tenho uma coleção com 3 mil LPs. Inclusive tenho o sonho de gravar um álbum em vinil. Quem sabe até esse primeiro disco da Preza! possa sair em vinil, é uma das possibilidades cogitadas. Fora isso tenho uma coleção de consoles de videogame: tenho todos os consoles lançados desde 1977, desde Atari, Odyssey, Super Nintendo, Phantom System, Jaguar, Master System, Mega Drive, entre outros. Cheguei até o Play Station 2 que foi onde parei. Porque depois do Play 2 os consoles chegam ao mercado num valor que só vale a pena tu comprar se for um aficcionado por jogos. Além disso, eu me divirto muito mais jogando com alguém do meu lado do que online. Não curto jogar online, não que eu seja um saudosista, mas, nesse sentido prefiro muito mais jogar um Nintendo 64, acompanhado, do que um Play 2, sozinho. A graça é o cara poder ficar tirando sarro do outro (risos).

Saberia contabilizar quanto tu já investiu nessas coleções?

Luciano Preza – Bah, é impossível saber. Nunca pensei nisso. Até porque, por exemplo, eu tenho um disco dos Beatles, um Álbum Branco em que a primeira faixa está fora de rotação. Foi uma tiragem que saiu por engano, só foram feitos 1 mil LPs desse no mundo. Quando eu comprei o disco paguei 100 reais, mas atualmente um exemplar destes está avaliado em 18 mil dólares. Eu tenho várias raridades, disco dos Beatles com o baterista que teve antes do Ringo, um compacto dos Stones que saiu só pros contratantes e nunca esteve nas lojas… Enfim, realmente não saberia contabilizar, só digo que comprei discos a minha vida inteira.

Onde estão as tuas raízes?

Luciano Preza – Nasci em Farroupilha-RS e atualmente moro em Canoas-RS. Mas tenho uma ligação muito forte com Sapucaia: é a cidade onde cresci e onde tenho muitos amigos. Conheço tanta gente e todo mundo me conhece. Até os cachorros da rua, quando passam, abanam o rabo pra mim (risos). Inclusive casei com uma mulher de lá. É mais fácil me encontrar em Sapucaia do que em Canoas.

Você se sente confortável para falar sobre os Cartolas? Qual foi o real motivo da sua saída da banda? Você mantém algum tipo de relação com os integrantes?

Luciano Preza – Ah cara, na verdade prefiro não dizer. É algo que não gosto de falar. Também não tenho mais nenhuma relação com eles. Uma banda é que nem um casamento. Sabe que casamento quando termina a gente prefere não tocar na ferida,  tu não quer ver a mulher na rua, tu não quer ver a mulher com outro (risos). Prefiro falar e focar no meu projeto novo, a banda Preza!. A Preza! foi uma coisa muito legal que aconteceu comigo. E também eu já tinha novos projetos, às vezes, temos que mudar nossos rumos sabe? Eu estava a fim de fazer o meu próprio som também.

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