O Doutrinador: Das HQs ao Cinema, O Justiceiro Tupiniquim. - NoSet
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O Doutrinador: Das HQs ao Cinema, O Justiceiro Tupiniquim.

Salve Nosetmaníacos, eu sou o Marcelo Moura e hoje vamos falar de uma boa produção nacional que não deixa a desejar aos heróis urbanos da Marvel e Dc Comics.

O Doutrinador (2018):

Direção Gustavo Bonafé, codireção Fabio Mendonça, produção Sandi Adamiu, Marcio Fraccaroli e Bruno Wainer, coprodução Universo Guará, Paris Entretenimento e Downtown Filmes, produção executiva Renata Rezende, roteiro Luciano Cunha, Gabriel Wainer, Rodrigo Lages, L.G. Bayão e Guilherme Siman, baseado em O Doutrinador de Luciano Cunha. Elenco Kiko Pissolato, Tainá Medina, Samuel de Assis, Nicolas Trevijano, Tuca Andrada, Marília Gabriela, Natallia Rodrigues, Natália Lage, Helena Ranaldi, Eucir de Souza, Lucy Ramos, Eduardo Moscovis e Helena Luz. Direção de arte Margherita Pennacchi, direção de fotografia Rodrigo Carvalho, distribuição Downtown Filmes e Paris Filmes.

O Doutrinador é um filme de ação, drama e suspense brasileiro dirigido por Gustavo Bonafé, baseado na série de HQs homônima criada por Luciano Cunha. A adaptação da história foi realizada por Gabriel Wainer, que também assina os roteiros ao lado de Luciano Cunha, L.G. Bayão, Rodrigo Lages e Guilherme Siman. O longa-metragem tem estreou em 1 de novembro de 2018 e foi gravado juntamente com a série de televisão que será exibido no segundo semestre de 2019 pelo canal Space.

Sinopse: Miguel (Kiko Pissolato) é um agente federal da “D.A.E.” (“Divisão Armada Especial”), altamente treinado e perito em armas. Após experimentar um trauma, ele parte para uma jornada pessoal de vingança, assume a identidade de um vigilante mascarado. O “Doutrinador” resolve fazer justiça com as próprias mãos exterminando políticos e donos de empreiteiras corruptos. Agora, seu maior objetivo é combater uma quadrilha de políticos e bandidos que tomaram a frente da política brasileira e passaram a governar o país pensando apenas em seus próprios interesses.

Crítica: É muito difícil fazer filme no Brasil que não siga padrões de sucesso como Zorra Total ou coisa pior, principalmente por causa da distribuição nas praças, que influencia diretamente nas bilheterias, ou o marketing, ficando somente no boca a boca ou na internet. Com um orçamento baixíssimo para um filme americano, cerca de R$ 14 Milhões, o bom filme de ação policial brasileiro atingiu apenas R$ 8 milhões nas bilheterias tupiniquins, com uma divulgação e distribuição vergonhosa da Paris Filmes. Para se ter uma referência que no Brasil dá para ter resultado, Tropa de Elite de 2007 do diretor Padilha teve um orçamento bem semelhante ao Doutrinador, com R$ 11 milhões, mas com uma distribuição da Universal Pictures, atingiu a casa dos R$ 25 milhões em todo o país. Outro filme da franquia de sucesso, Se Eu Fosse Você 2, do diretor Daniel Filho, teve orçamento de apenas R$ 5 milhões, uma distribuição forte da Fox e a Globo nos bastidores, tendo como resultado uma incrível bilheteria nacional de R$ 51 milhões.

Uma mistura de heróis urbanos no melhor estilo Demolidor e Justiceiro da Marvel e Netflix, o estilo da linha Knight misturada a realidade brasileira é uma pólvora muito bem bolada para desenvolver este novo herói nacional. O roteiro do Doutrinador tem até um conteúdo muito semelhante ao personagem Frank Castle, The Punisher, e seu maior vilão, Wilson Fisk, O Rei do Crime, da Marvel Comics, no contexto da história de herói que se ferra sempre contra o vilão intocável. Muitas semelhanças na trajetória que não diminui a história mas só acresce com cenas em que ele é muito humano e em outras que é um super herói que desce o prédio dando mortais de costas. É como se Luciano Cunha  se inspirasse em Gerry Conway, Ross Andru e John Romita, fazendo uma readaptação do Justiceiro para a realidade e ruas do Brasil.

O diretor Gustavo Bonafé (Legalize Já) cria um excelente clima entre o clima corrupção, política, polícia e o Justiceiro, tudo entrelaçado em um universo que já vimos no filme Tropa de Elite e aqui se repete. Francisco José Rodrigues de Moraes Pissolato, mais conhecido pelo nome artístico de Kiko Pissolato, é um ator, autor e empresário brasileiro e sócio-fundador da marca de moda masculina American Bison. Pissolato interpreta o personagem principal e tirando uma escorregada aqui ou lá na atuação, se sai bem já que o pseudo herói da trama não exige tanto assim. Faltou um pouco mais de apelo dramático, principalmente nas cenas familiares, mas ainda assim, a dureza de ser um policial de primeira linha explica bem a falta de talento para uma cena mais emocional.

Curiosidades: O desenhista Luciano Cunha iniciou a carreira nas HQs com 16 anos trabalhando para Ziraldo, fazendo a revista em quadrinhos Menino Maluquinho. A ideia do justiceiro surgiu em 2008, com um outro nome. O projeto ficou engavetado por cinco anos. Até que, em 2013, Cunha viajou para São Paulo, época em que começavam os Protestos pelo Brasil. Inspirado pelo momento, ele rapidamente retomou a ideia deixada de lado e reformulando-a. Lançando em Março do mesmo ano, uma página no Facebook por onde publicava os quadrinhos.  Coincidido com o momento pelo qual o país passava, a webcomic “O Doutrinador” logo se tornou um sucesso. A página alcançava mais de 20.000 Seguidores. Os quadrinhos eram protagonizados por um personagem que usava máscara de gás e capuz, que era a identidade secreta de um ex-soldado altamente treinado que atuou na época da Ditadura Militar. Esse justiceiro se dedicava a caçar e a matar políticos corruptos com requintes de crueldade, tendo como alvos políticos reais como a ex-presidente Dilma Rousseff e o senador Renan Calheiros. O sucesso da história levou à Redbox Editora lançar comercialmente o primeiro volume encadernado de “O Doutrinador” no mesmo ano. Em 2015, foi lançado o segundo volume. Intitulado “O Doutrinador: Dark Web”, com roteiro de Luciano Cunha em parceria com o músico Marcelo Yuka, o falecido ex-baterista da banda O Rappa. Essa nova história, ambientada em um futuro próximo foi publicada com 92 Páginas.

No mesmo ano da publicação do primeiro volume, foi confirmado uma parceria com a Paris Filmes e a Downtown Filmes para fazer uma versão cinematográfica do quadrinho. Em Agosto de 2013, o primeiro teaser oficial da adaptação foi postado no Youtube. Em setembro, foi lançado o clipe da música-tema do personagem: a canção “Forra” da banda de rock carioca Possessonica. A partir daí, Cunha e Gabriel Wainer começaram a trabalhar no roteiro do filme. A pré-produção do longa começou em meados de 2017. Em abril, a Downtown Filmes anunciou o lançamento do filme na CCXP Tour Nordeste que foi realizada em Olinda (PE). No segundo semestre deste ano, começaram a preparação do elenco, ensaios e gravações das primeiras cenas. O nome do ator que interpretaria o protagonista da história estava sendo mantido em sigilo até então. Em entrevista para o site AdoroCinema, Luciano Cunha afirmou que a história do filme segue um roteiro diferente dos quadrinhos, e que o lançamento seria em Setembro de 2018. Propositalmente no período das eleições presidenciais.

O Elenco do filme foi divulgado em 16 de Janeiro de 2018, quando começaram as gravações em pontos da cidade de São Paulo. Foi anunciado que o ator Kiko Pissolato viveria o justiceiro que dá nome ao longa. Além disso, também foi anunciado que o projeto “O Doutrinador” não era de apenas um filme, mas também de uma série que estava sendo gravada ao mesmo tempo para ser exibida no segundo semestre de 2019 pelo canal Space. Tendo Gustavo Bonafé na direção do filme, e Fábio Mendonça na direção da série. Com o passar dos dias, as páginas oficiais do filme no Instagram e Facebook começaram a postar as primeiras imagens oficiais da obra. Segundo as páginas oficiais, uma das gravações realizadas em frente ao Teatro Municipal de São Paulo, reuniu mais de 200 figurantes. Em uma entrevista, foi revelado que o filme se passará em um lugar fictício: a cidade de “Santa Cruz”. Em 19 de Fevereiro, foi revelado o primeiro teaser e a primeira imagem com Kiko Pissolato com o uniforme e a máscara do justiceiro. As gravações duraram mais de 16 semanas, somando filme e série. Tendo sido gravadas mais de sete horas de cenas. Em 1 de Março, foi realizada a primeira coletiva de imprensa que contou com a presença de Luciano Cunha, Gabriel Wainer, Gustavo Bonafé, Fábio Mendonça, Kiko Pissolato, e a produtora executiva Renata Rezende. As gravações foram finalizadas em 1 de abril.

Em 11 de Abril foi divulgado outro teaser, desta vez com cenas do filme. O primeiro trailer oficial foi lançado em 17 de Julho [18]. o segundo foi lançado em 19 de Outubro. O filme passou por diversos adiamentos na sua data de estreia até o dia oficial. Inicialmente anunciado para 6 de Setembro, foi adiado pela primeira vez para 20 de Setembro. A justificativa inicial foi que o longa passava por ajustes técnicos em sua edição. Em setembro, o filme foi adiado mais uma vez para Outubro devido a problemas com a Ancine por conta da classificação indicativa. Em seguida, o lançamento foi adiado pela última vez ganhando sua data oficial: 1 de Novembro. Em 26 de Outubro, foi lançado o clipe da música-tema oficial do longa. Uma regravação da música “Brasil com P” do rapper GOG, com participação de Karol Conká. O filme teve duas pré-estreias, uma em 22 de Outubro no Rio de Janeiro e outra dias depois em São Paulo.

Diferenças entre HQ e Filme: Para evitar problemas e processos, a equipe do filme optou por criar uma história totalmente fictícia. Com uma história diferente da vista nos quadrinhos, mas com elementos que remetam a obra anterior. Nas HQs, o Doutrinador persegue políticos reais. Já no filme, o herói caça políticos na fictícia Santa Cruz. Também houve mudanças no perfil do personagem. Nos quadrinhos, sua identidade não era conhecida, mas sabia-se que se tratava de um ex-soldado que trabalhou durante a ditadura militar. Enquanto que no filme e na série, o Doutrinador é Miguel Montessant, um agente federal mais novo. E a história do personagem passa a ser mais explorada que na HQ.

 

 

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