Gloria Bell: remake cru e sincero sobre a vida de uma mulher divorciada. - NoSet
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Gloria Bell: remake cru e sincero sobre a vida de uma mulher divorciada.

Gloria Bell é um dos mais recentes trabalhos de Julianne Moore (Kingsman: O Círculo Dourado). A trama é baseada na produção chilena “Gloria” de 2013, e segue basicamente o roteiro do filme original, fato devido ao diretor Sebastián Lelio comandar e escrever as duas produções.

Quer conhecer um pouco mais desse divertido e inteligente filme? Fique comigo logo após o trailer.

O diretor e roteirista (ele escreve ao lado de Gonzalo Maza e Alice Johnson Boher) já é conhecido por ter recebido o Oscar de melhor filme estrangeiro por Uma Mulher Fantástica. Mas nem só de Oscar vive um diretor e é por isso que Sebastián Lelio decidiu fazer esse remake de um de seus sucessos, o filme Gloria (2013), cuja trama é praticamente a mesma.

Mas o que interessa é essa nova produção. Gloria Bell conta as aventuras e desventuras de uma mulher divorciada com o mesmo nome do título do filme. Gloria leva uma vida solitária em vários momentos e faz tudo que está ao seu alcance para se distanciar dessa sensação de vazio que às vezes atinge pessoas que moram sozinhas. Ela não é uma mulher triste, que isso fique bem claro, mas uma pessoa que sente a necessidade de buscar um distanciamento do vazio que estar só pode provocar. No mais, Gloria é uma mulher como qualquer outra.

Ter filhos é um problema quando nos apegamos a eles e, seguindo a lei natural, vemos sua gradual saída de nosso cotidiano. Muitos podem pensar que se trata de exagero. Para estes, deixo a sabedoria de meus pais: só quem tem filhos sabe o quanto é difícil tê-los por perto, mas é ainda mais doloroso não tê-los. Gloria passa por isso, uma vez que seus filhos cresceram e tomaram as rédeas do próprio destino. O filho dela, Peter (Michael Cera), tem um complexo relacionamento com a mulher, fato que incomoda sua mãe ao extremo. Peter deu a Gloria um neto. Já a bela e independente Veronica (Alanna Ubach) mora sozinha e descobre o amor do outro lado do mundo, na Suécia.

Preocupações à parte, Gloria convive com um vizinho perturbado, problemas de uma amiga, a insegurança que a idade aos poucos traz, um gosto levemente antiquado para a música e o velho desconforto de não ter uma pessoa para chamar de “amor”. Tudo isso, entretanto, jamais a impede de prosseguir na vida, de tentar ser feliz.

Gloria enfim encontra alguém decente. Ele é um homem de meia-idade, grisalho e gentil. Seu nome é Arnold (John Turturro) e há um passado que o incomoda e traz a eterna sensação de desconfiança diante de um novo relacionamento. Seja como for, só a tentativa pode determinar se o passo dado foi errado ou não.

Em um filme comum, provavelmente esse relacionamento terminaria em casamento e a chegada de um bebê (clichê e sentimentalismo baratos). Para os mais apressados, deixo claro que esse não é um filme comum. Gloria Bell é um longa-metragem que usa de situações comuns e interpretações excepcionais para mostrar ao espectador que a vida nem sempre é uma festa, para destacar que certas coisas enganam à primeira vista e que nem tudo na vida termina com festa e alegria.

O mais importante de Gloria Bell, contudo, é a coragem de mostrar que não determinamos as ações de outros. Aliás, movidos pelo temor, desespero ou afobação, chegamos ao patamar no qual sequer controlamos as próprias ações. Assim é a vida…

O desenrolar da trama  continua a surpreender o público com a verdade em várias cenas e, sobretudo, nas ações de Gloria e dos demais integrantes da história. Não há cenas feitas com desleixo e isso traz a sensação de estarmos ao lado dela para viver as mais inusitadas, comuns e estranhas situações que um ser humano pode passar.

Quero destacar a importância da trilha sonora para o filme. Cada ponto alto ou baixo da história recebe uma música para acompanhar, quase sempre antiga, o que destaca o gosto musical de Gloria. Várias cenas mostram a protagonista dirigindo e cantando, mas é com a ausência da música que o diretor destaca a fase mais sombria dela.

A presença de John Turturro como Arnold serve para evidenciar que um homem pode ter sua vida mudada positivamente ou até mesmo destruída quando ele se relaciona com uma mulher que possa incentivá-lo ou prendê-lo a uma convivência venenosa e desgastante.

Por fim, Gloria Bell é uma ode à sobrevivência. Divorciada, namorando, mãe, filha, solitária, completa… são muitas as fases e faces apresentadas no filme, mas certamente o que fica na mente dos espectadores é o esforço da personagem principal para se manter no rumo traçado, não importa quais obstáculos ou problemas surjam. Acima de tudo, descobrimos por meio de suas experiências o quanto é bom viver, mesmo que coisas ruins aconteçam. Viver não é garantia de alegrias. Viver é garantia de que altos e baixos fazem parte do milagre e da oportunidade de não saber o que o futuro reserva… e isso é algo que vale a pena apostar e lutar.

Seja como for, essa produção mostra que a competência de Sebastián Lelio merece maior reconhecimento. A condução de seus atores foi perfeita e ele conseguiu isso duas vezes seguidas.

Agora fiquem com o trailer do filme que serviu como base para Gloria Bell, “Gloria”. E não percam esse ótimo exercício de reflexão e auto-estima no cinema mais próximo de vocês.

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