Crítica: As aventuras do pequeno Colombo. Animação, história e diversão! - NoSet
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Crítica: As aventuras do pequeno Colombo. Animação, história e diversão!

Podem acreditar em uma coisa: assistir uma animação com crianças é uma excelente ferramenta para saber o quanto ela pode ser boa ou ruim.
Fiz meu primeiro teste com O Poderoso Chefinho e gostei demais do resultado. Não há melhores críticos que nossos pequeninos, pois eles não têm o menor receio em dizer a verdade. Gostaram? Então eles irão falar isso na cara. Não gostaram? Pode acreditar que as reclamações começarão bem cedo. Assim agem as crianças.
Foi por isso que voltei ao cinema com meus filhos para assistir à produção nacional As aventuras dos pequeno Colombo. Minhas expectativas eram poucas, fruto ainda de um certo receio quanto à qualidade da animação nacional.
Admito, essa animação me surpreendeu de forma positiva em vários pontos.

Antes de iniciar a análise desse desenho que marca o último trabalho do ator José Wilker, vamos ao trailer.

Começa a aventura.

Cris (Cristóvão Colombo) é um menino com um espírito aventureiro de verdade. Ele é amigo de Léo (Leonardo da Vinci) e da bela Lisa (Mona Lisa). Léo tem uma criatividade incomum, enquanto Lisa consegue tudo com seu charme irresistível. O que eles não sabem é que estão predestinados a colocar definitivamente seus nomes na História.

Ainda que haja um encontro que não está registrado na História, Leonardo e Cristóvão eram conterrâneos, ambos italianos. Leonardo nasceu em Anchiano no ano de 1451, enquanto Cristóvão nasceu em 1451 na cidade de Gênova (cidade portuária). Suas vidas e interesses eram bem diferentes. Um era apreciador de arte, um prodígio na pintura e escultura. O outro seguiu aquilo que o ambiente em que cresceu pedia: virou um navegador capaz de unir os hemisférios norte e sul, responsável pela descoberta das Américas e um dos primeiros a comprovar que a Terra é redonda, algo desacreditado na época.

Após evidenciados os pontos históricos, vamos ao desenho animado.

Léo é um grande amigo de Cris e Lisa. Eles convivem com piratas, navegadores e negociantes de forma pacífica. São crianças que querem diversão e aventura. Mas o pai de Cris passa por uma grande crise financeira e perde boa parte de seus bens para um nobre. Falidos, Cris e seu pai ainda têm alguma esperança de que as coisas melhorem, mas são pilhados definitivamente pelo nobre que financiou o pai de Cris.

É aí que surge a esperança. Lendas falam de um continente escondido chamado Hi Brazil. Lá, riquezas sem fim aguardam os corajosos que pensam em achá-lo. Mas há muitos pontos negativos nesta busca. Entre eles, o total desconhecimento do lugar, mares bravios, lendas de monstros gigantes e a ausência de coragem em muitos navegadores. Afinal, quem se arriscaria por algo que existe apenas em lendas?

Só há um porém. Um velho pirata afirma ter visto essas terras lendárias. Ninguém acredita nele. Ninguém exceto o jovem e corajoso Cris. Após uma divertida canção e muita inteligência, Cris, Léo e Lisa conseguem criar um mapa até as terras inexploradas.

Ganância e poder.

Ser um navegador era uma carreira capaz de enriquecer um homem, assim como também poderia matá-lo. O nobre que financiou o pai de Cris é cruel e impiedoso. Essas características se aguçam quando ele ouve sobre o mapa para Hi Brazil. Após roubá-lo, parte em uma expedição para o continente escondido, tendo um clandestino a bordo: Cris.

É nesse ponto que descobrimos dois grupos bem interessantes: o primeiro é uma civilização aquática onde sereias e tritões são governados por um rei cujo passado o liga ao segundo grupo, o de cavaleiros templários fantasmas que estão aprisionados em uma caverna. Esse passado em comum é o responsável pelo rancor entre o rei e o líder dos templários. Será que eles conseguirão um dia superar essas diferenças?

Com seu amigo preso ao navio do malvado nobre, Léo e Cris apelam para a ajuda do pirata velhinho que conhece Hi Brazil, assim como também pedem auxílio para os templários.

O que se segue é uma verdadeira aventura, cheia de ação e com cenas extremamente bem feitas, algo que me surpreendeu pela qualidade não só das imagens, como também pela adequação perfeita das vozes dos dubladores (José Wilker se destacou como o líder templário, além de Guilherme Briggs e outros detalhados ao fim do post). O roteiro conseguiu unir diversão com o conteúdo histórico e também com ação e boas lições embutidas em um mesmo contexto (Stil, o roteirista, infelizmente faleceu recentemente).

Diante da ganância e a sede de poder, além da poderosa e mítica criatura chamada Nautilus, crianças e adultos poderão contemplar a união de pessoas com pensamentos diferentes e um objetivo comum: fazer o que é certo. As crianças são a fonte de inspiração para que velhos ranços sejam esquecidos e novas alianças feitas. Tudo para que uma verdadeira maldição seja quebrada e a esperança ressurja.

Mais do que uma simples animação, As aventuras do pequeno Colombo é uma fábula moderna que usa personagens históricos de forma interessante, capaz de cativar os pequeninos e agradar adultos. Mesmo que Colombo, Cristóvão e a Mona Lisa não tenham realmente convivido na infância, o que fica é o incentivo à busca do conteúdo histórico, a descoberta dos fatos por trás da ficção, algo que poucos filmes e animações têm feito ultimamente.

Um último detalhe…

Todo o sucesso de As aventuras de Colombo é devido ao ótimo roteiro de Pedro Ernesto Stilpen, o Stil, além da ótima equipe de animação. Mas, para dar vida verdadeiramente a tudo isso foi fundamental a participação de incríveis dubladores. Cada um deles teve competência para dar vida e veracidade às participações de cada um dos personagens, não importando o tempo em tela. São eles: José Wilker (Conde de Saint-Germain), Alice Lieban (Lisa), Dudu Drummond (Cris), Luis Carlos Persy (Barão Bonneville), Isabelle Drummond (Mab), Marcelo Garcia (Jovem Stilpen), Pietro Mario (Velho Stilpen), Hurakan (Isaac Bardavid), Mãe do Léo (Maíra Góes), Sérgio Stein (Scarry), Guilherme Briggs (Puck), Marisa Leal (Lola) e outros grandes dubladores.

PARTICIPAÇÃO EM FESTIVAIS NO BRASIL E NO EXTERIOR
20º CINEPE Festival Audiovisual – vencedor dos prêmios de melhor direção para Rodrigo Gava e melhor trilha sonora para Ary Sperling
23º Anima Mundi
14º Festival Internacional de Cinema Infantil – FICI
44º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
44º Festival de Cinema de Gramado
26º Cine Ceará
15ª Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis
18º Festival de Cinema Brasileiro de Paris
5º Seoul Guro International Kids Film Festival (Coreia Do Sul)

Ficha Técnica
Produção – Marco Altberg
Direção – Rodrigo Gava
Produção Executiva – Gil Josquin e Telmo Maia
Direção de Animação – Duda Campos
Roteiro – Stil
Artes Conceituais – Diogo Lins e André Leão
Ideia Original – Stil, Cleverson Saremba e Rodrigo Gava
Direção Musical – Ary Sperling
Participação Especial – Isabelle Drummond/ Voz
In Memorian de José Wilker/ Voz

Sobre o diretor
Formado em Desenho Industrial pela UFRJ, Rodrigo Gava entrou no mundo da animação ainda na faculdade quando foi um dos responsáveis pela criação das animações do programa Xuxa no Mundo da Imaginação.
Logo foi contratado pela Rede Globo onde animou para diversas produções como Domingão do Faustão, Caldeirão do Huck, Mais Você e muitos outros programas da emissora. Sua primeira estreia independente como criador, produtor e diretor foi com o curta “As Desventuras de Joca”, premiado no Animamundi 2004 como Melhor Primeira obra brasileira.
Rodrigo deixou a Rede Globo para montar um dos maiores estúdios do país: A Labo Cine Digital. Lá, dirigiu os dois longas-metragens de animação brasileira com a maior bilheteria do país: “Xuxinha e Guto” (Warner Bros), como diretor de animação, e “Turma da Mônica em Uma Aventura no Tempo” (Buena Vista International ), como codiretor geral. Dirigiu também a série animada de TV “Turma da Monica”, exibida pela Cartoon Network em toda America Latina e os Cine-Gibis 4 e 5 da mesma “Turma”.
Em 2007, criou a Gava Produções, atendendo exclusivamente a Labo Cine. Em 2010, para atender as crescentes demandas que a produtora obteve, a Gava passou a contar com dois importantes sócios: Gil Josquin e Duda Campos.
Como autor, também é um dos responsáveis pela criação do próprio As aventuras do pequeno Colombo, e diversos outros projetos de Séries de TV.

 

 

 

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