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Buscando a sua música – “Segredos de Família”

Uma família vivia feliz em uma casa flutuante no rio e, anos depois, outra família está passando por problemas de saúde e com seu maior tesouro, o poder político e status social.

É assim que se inicia “Segredos de Família”, beste seller de Lisa Wingate e distribuído pela Globo Livros, minando a confiança da poderosa família Stafford com uma possível ligação a segredos do passado da sua matriarca, Judy.

Primeiro conhecemos Avery, a caçula do senador Stafford e possível herdeira política dele, a preferida do pai e quem dá mais dores de cabeça a mãe. Avery saiu de sua cidade para viver seu sonho, ser defensora pública e não depender da fama e poder da sua família, só não conseguiu “fugir” do fato de noivar com alguém que a mãe aprovasse e conhecesse a vida inteira, Elliot.

Avery conseguiu trilhar o próprio caminho e obter sucesso antes dos 30 anos, mas agora precisa voltar para Aiken para cuidar o pai, que enfrenta um câncer. Ela vai por duas razões, o pai não pode fragilizar sua imagem (ele não abriu a questão do câncer para a imprensa) e poder criar a própria, caso o pai venha a falecer e ela tenha que concorrer ao senado imediatamente.

Depois conhecemos Rill Foss e seu reino da Arcádia, formada pelos seus pais, Quennie e Briny, e seus irmãos, Camélia, Fern, Lark e Gabion. Os pais fugiram dos pais ainda muito jovens e preferiram a vida no rio, livre de tudo e todos, e criavam as crianças daquele jeito. Eram felizes até que um dia, quando Quennie teve sérios problemas em um parte (de gêmeos), que tiveram que deixar os cinco filhos sozinhos em casa para irem ao hospital.

Quennie e Briny foram enganados por uma traficante de crianças, ela os disse que a divida no hospital estaria paga se eles assinassem um papel, mas na verdade ela os fez assinar um documento abrindo mão da guarda de todos os filhos (inclusive os bebês, que sobreviveram, mas que foi dito aos pais que haviam morrido).

De repente os cinco Foss foram retirados do reino da Arcádia (nome do barco em que viviam) e levados para a Sociedade de Orfanatos do Tennesse, coordenada por Gerogia Tann (quem enganou Quennie e Briny). Apesar de todo o esforço de Rill para manter os irmãos juntos, para voltarem para casa e encontrarem seus pais, a vida foi dura, eles sofreram o quanto puderam no orfanato até serem separados para destinos diferentes, restando apenas Rill e Fern juntas, que presenciaram o desaparecimento do pai.

Como parte do esquema de Georgia Tann, as crianças receberam nomes diferentes, Rill se tornou May e é May quem une passado e presente.

May vive em um asilo em Aiken, onde todos conhecem as denúncias a casas de apoio como aquela e acusam o pai de Avery por tudo isso. Para melhorar a imagem do senador e ele fazer uma visita a uma amigo antigo, Avery o acompanha em ume vento lá e usa uma joia que avó a deu há anos. May a vê e tem uma crise, pegando a joia para si. Na verdade ela reconhece como sendo sua, o que não era mentira.

Avery fica tocada pela história de May e tenta conversar com ela, aos poucos percebe que tem uma ligação entre ela e a avó, Judy, por isso começa a investigar, em parte por curiosidade e por outra para se prevenir caso a família estivesse envolvida em um caso ruim do passado. Ela tem pouco material para investigar, sua avó está com Alzheimer e não te deu respostas conclusivas sobre isso.

Entre as anotações de Judy ela encontra um nome, Trent Tuner, corretor. Ela liga e descobre que essa é a sua pista. Na verdade ela fala com Trente Tuner III, que ficou com alguns documentos do falecido avó para a avó de Avery, mas só entregaria a Judy. Avery vai até a cidade de Trent, insiste até conseguir ver os documentos e tirar o juízo de Trent, que aos poucos embarca na loucura da investigação.

Eles descobrem parte da história e vão visitar May, que conta a história de Rill e a ligação entre ela e o primeiro Trent Turner, ele havia a conhecido no orfanato, na época se chamava Steve, mas deixa Judy de fora, apenas como uma amiga que a ajudou a unir as irmãs. Depois Avery e Trent descobrem que Judy, na verdade, é um dos bebês que Queenie teve no hospital e foi dado como morto, logo, ela era sim a única irmã viva de May e ela lembrava disso nos bons dias.

May ainda conta que foi mantida junto com Fern, elas foram adotadas por um compositor de Hollywood, com quem aprendeu a arte da música e conseguiu conhecer a vida por outros olhos. Por isso mesmo ela diz que cada momento da vida tem a sua música, não devemos viver com a música de antes ou dos outros, senão nunca seremos felizes.

A história é contada alternadamente, um capítulo de Avery e o outro de Rill, mais para o final a história se mistura, assim como a vida uma da outra. Uma forma interessante de retratar a narração sem perder o foco de cada “pedaço” e atraindo o leitor para a próxima parte, por isso é muito envolvente.

A autora conta no final que Georgia Tann de fato existiu e operou a Sociedade de Orfanatos do Tennesse por algumas décadas, sendo vista pela sociedade como uma filantropa, “arranjando” filhos para políticos e famosos por debaixo dos tabloides. Ela foi denunciada e muitas das crianças (agora adultos) que maltratou encontrou a família, mas ela nunca foi punida porque faleceu antes de seu julgamento.

A narração de Rill sobre os dias no orfanato não devastadoras, é doloroso imaginar que crianças inocentes são colocadas naquela situação por pura ambição de uma mulher cruel dessas. Não consigo nem pensar quantas e quantas crianças nem sabem a sua história atualmente, quantos e quantos irmãos não se perderam um dos outros.

Lisa Wingate se aprofundou nessa tragédia e se inspirou nos depoimentos daqueles que acabaram por descobrir a verdade, assim criou a família Foss, por isso ela é fictícia, mas os horrores realmente ocorreram. Só desejo que o final de May e Judy tenha ocorrido com outros, eles merecem.

Admito Avery desde a primeira linha de descrição dela, ela pode até ter pensado em se levar pela tradição, pensando no melhor para a família, mas passou a ser como Rill, uma força da natureza, enfrenta os desafios e quebra paradigmas. Ela não quis mais ser a herdeira política do pai nem casar com alguém “apropriado”, no momento “apropriado”.

Posso parecer bem clichê ao dizer que ela é sim uma mulher empoderada… Aliás, a escritora a descreve dessa forma, então não estou tão errada.

A única crítica que faço é a escolha da profissão de Avery. Defensora é um nome bonito para um cargo público de advogado (no Brasil é assim, mas entendi que também é nos EUA, me corrijam se eu estiver errada). Não me entendam errado, amo a profissão, inclusive é a minha escolha de vida e histórias como a de Avery me inspiram, mas parece que somente as advogadas podem ser empoderadas.

Vamos democratizar esse pensamento?! Não é a profissão que empodera a mulher, é ela mesma. Ser advogada pode até facilitar as coisas, nosso posicionamento na sociedade é de fato diferente, mas qualquer profissão pode representar esse poder feminino, basta que acreditem.

Dito isso, Avery é muito inspiradora e encontrou a música dela!

Vamos buscar nossas músicas, sermos empoderadas(os) e felizes, tentando driblar a tristeza e tempos ruins?!

Beijinhos e até mais.

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