Natal, ontem e hoje. Celebrando a festa em décadas diferentes.

1985. Semana do Natal. Centro comercial da cidade. Uma mãe e seus três filhos em busca dos presentes de Natal. A mãe e os filhos pegam o ônibus. As crianças super animadas por andar de ônibus. Riem, conversam, brincam. Olham tudo lá fora e acham muito interessante. O filho maior ajuda a mãe, com toda alegria a cuidar dos menores. Vão comprar presentes para os primos, avós, tios…e estão com uma cartinha na mão, cada um, para colocar nos correios para o Papai Noel.

Durante o passeio, observam tudo. Os carros, motos, casa, crianças, anúncios em outdoors, o cachorrinho andando na calçada. Tudo é motivo para brincadeira. “Vamos contar quantos carros azuis nós vemos até chegar à cidade?” “Vamos ver se aquele cachorrinho vai entrar naquela casa?” E em meio a brincadeiras, esperam ansiosamente para ver o Papai Noel e comer pipoca do pipoqueiro.

2016. Semana do Natal. Um dos Shoppings da Cidade. Uma mãe e seus dois filhos em busca dos presentes de Natal. A mãe e os filhos entram no carro. As crianças animadas por que vão ao Shopping. Cada uma com seu smartphone. Não tiram os olhos da tela. O filho maior briga com o menor e diz pra mãe que ele é muito chato e não fica quieto, não abaixa o volume do seu vídeo e atrapalha sua conversa com a galera do “Whats”. Vão comprar presentes para os parentes mais próximos como sua avó e seu priminho menor. Afinal, não dá pra gastar muito. O menor mandou uma mensagem para o Papai Noel no site. O maior nem está ligando pra isso. Sabe que a mãe ou pai que compram mesmo.

Durante o passeio, Riem dos vídeos assistidos, conversam com os amiguinhos no Whatsapp. E não conversam entre si. Aliás, nem sabem o caminho para ir ao Shopping. Esperam ansiosamente para comer um Combo completo numa lanchonete de “Fast Food”. Com direito a refrigerante grande, batata frita e sorvete.

1985. Noite de Natal. Que alegria a reunião em família! Vem primos, tios, vizinhos. Muita gente se reúne na casa da vovó. Cada um leva um prato diferente. Todos feitos em casa, assados, fritos cozidos pelas mães. Na TV os programas de Natal infantis especiais. Que só passam no Natal e elas esperaram dias pra ver. A aguardada espera para comer a ceia à meia noite. A oração e os abraços em todos quando chega a hora. Depois disso, todas as crianças correm pra perto da árvore da avó, que foi feita pelas próprias crianças com galhos que o avô apanhou no bosque, e são orientados a fechar os olhos. Se abrirem, o papai noel não vem. E elas fecham e não abrem nem sob ameaça de morte! Então tocam sininhos, e elas sabem que o papai noel está com seu trenó, na garagem da vovó. E quando são autorizados a abrir os olhos: lá está o presente que ele trouxe na casa da vovó!

Ao ir pra casa, vão ansiosos. E chegando lá, mais uma surpresa! Um outro presente deixado pelo papai noel debaixo da sua árvore! E elas ficam imaginando como será que ele fez para estar em dois lugares diferentes ao mesmo tempo? Mas logo deixam isso pra lá. Afinal, ele é mágico.  E vão dormir. No dia seguinte vão de novo pra vovó e cada um leva seu brinquedo. Bolas, bonecas, jogos de tabuleiro, carrinhos, bicicletas… E todos brincam juntos.

2016. Noite de Natal. As famílias se reúnem. Na casa dos avós, ou dos tios, ou numa chácara. Quem vier precisa rachar as despesas. Poucos preparam os alimentos em casa. Muitos compram semi-prontos ou já prontos sob encomenda. Encomendam bolo, tender, frango. Ou fazem um churrasquinho. Na TV o tradicional especial de Natal. Mas a TV está sozinha. A criançada está reunida no computador do avô vendo um vídeo legal de algum Youtuber famoso. Ou já brincando com os presentes de Natal antecipados que ganharam. O churrasquinho vai rolando. Nem sempre esperam meia noite para a ceia. Para que esperar? Quando chega a meia noite, todos se cumprimentam. E trocam presentes. As mães entregam seu presentes aos filhos. E os que ainda acreditam no papai noel, correm olhar na árvore se o presente já chegou. Abrem, se animam. Video games, celulares, boneca que fala, pista de carrinho automatizada…Não brincam. Porque a mãe não quer que o primo quebre o brinquedo do seu filho. Guardam tudo.

Chegando em casa, finalmente podem dar uma espiada nos presentes. Mas logo vão dormir pois já é muito tarde. No dia seguinte vão para o mesmo lugar onde passaram a véspera. Mas a maioria não leva seus brinquedos. Pra não quebrar, claro. Usam a piscina ou ficam no sofá. de olho no celular, um sentado do lado outro. Cada um com seu celular, de vez em quando falam pro primo olhar um vídeo ou imagem engraçada.

As diferenças são imensas. Os tempos mudam, as formas de brincar e festejar mudam. Mas o que não pode mudar é a alegria de se reunir para o Natal, de se reunir com a família. De ter um momento especial de amor, paz e perdão. FELIZ NATAL A TODOS!!!

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