Crítica – Uma Segunda Chance – Feijão com arroz emocional bem temperada que agrada
Quando tudo começa a dar errado em um dramalhão, a tendência é só continuar piorando. Não basta tu, num acidente, provocar a morte do amor de sua vida, ser presa pelo ato e ainda por cima estar grávida e perder a guarda de sua filha para cumprir pena de sete anos no xilindró. Essa vendaval de tragédias pessoais é a premissa da mais nova adaptação de um livro da aclamada Colleen Hoover, Uma Segunda Chance (Reminder of Him, 2026), que com direção de Vanessa Caswill, chega nas telonas dos cinemas como uma das estreias da semana.
Essa triste história é de Kenna Rowan. Há sete anos sua vida era um mar de rosas, numa pacata cidade do Wyoming. Era apaixonada por Scott Landry e vivia um romance ideal. Só que uma tragédia a faz perder o amor de sua vida, tem sua filha tomada pela justiça e ainda perde a liberdade acusada de ser culpada pela morte do namorado. Anos depois, volta à cidade após cumprir pena e quer se aproximar de sua filha, a menina Diem. Mas a família de Scott, que tem a guarda da menina e com o apoio do melhor amigo dele, Ledger, não estão dispostos a perdoar Kenna. Ela, além de ter que recomeçar do nada sua vida, tem que enfrentar seus traumas pessoais, a família do ex-namorado e acaba achando consolo improvável em Ledger, uma paixão proibida.

Colleen Hoover, juntamente com Lauren Levine, assinam o roteiro desta terceira adaptação de livros da escritora estadunidense. Uma Segunda Chance (não confundir com um filme de mesmo nome de Mike Nichols, de 1991) preenche todos os requisitos básicos de uma história atolada em dramas pessoais, culpa, recomeço, e é claro, uma paixão improvável. E o roteiro segue a cartilha básica, onde vamos conhecendo aos poucos Kenna, assistimos sentados seu drama para conseguir um emprego, sua dificuldade de inserção na sociedade, flashbacks de sua vida na cadeira, a aproximação com Ledger, ex-jogador de futebol americano e o romance escondido com o melhor amigo do ex. Tudo contando com uma fotografia bucólica de um interior dos Estados Unidos e aquele clima de cidade pequena onde todos se conhecem, o que prejudica ainda mais a tentativa da tal segunda chance de Kenna. Mas apesar do excesso de clichês, o filme funciona bem. A personagem de Kenna, interpretada por Maika Monroe, consegue nos transparecer toda sua angústia e sua calejada vida com muita sensibilidade e melancolia. Mas também, pudera, com tanto sofrimento não deve ser difícil criar um personagem assim tão forte e machucada. Os coadjuvantes da trama funcionam bem também, em especial Lauren Graham e Brad Whitford, que interpretam respectivamente Grace e Patrick, os pais do finado Scott. O mesmo não posso falar de Tyriq Withers, como Ledger. O ex-jogador da NFL não convence como par romântico, como amigo e nem como padrinho da pequena Diem. Uma atuação sem tempero destoando do resto do elenco.

Uma Segunda Chance não tem nada de novo, mas consegue tocar o espectador. Uma história simples, pontuada por uma fotografia que dá vida às paisagens do interior, uma música melancólica perfeita para a triste vida de Keena. Um filme sobre a necessidade de recomeçar, entender o porquê dos tropeços da vida e uma nova chance para amar. Tudo isso com aquele tom emocional que é a cara do texto de Colleen Hoover e por mais que repleta de lugares comuns na condução da trama, tem o dom de tocar o público de uma maneira direta e objetiva, cumprindo sua função água com açúcar de história de amor, tragédia, recomeço e redenção.
