Crítica – Seven Snipers
O quanto um filme pode ser apenas entretenimento puro? Seven Snipers (2026) — dirigido por Sandra Sciberras e protagonizado por Tim Roth, que chega nesta semana ao streaming Adrenalina Pura+ — me fez pensar um pouco sobre isso.
O filme acompanha a nova vida de uma ex-atiradora de elite, interpretada por Radha Mitchell. Agora, ao lado de sua filha Anja, ela vive escondida em um rancho australiano bem afastado da cidade grande. No entanto, quando um senhor da guerra (Tim Roth), que a manteve em cativeiro no passado, a encontra e ameaça sua filha, tudo parece sair do controle. Ela precisará lutar com a própria vida para manter a menina segura e resolver o sentimento de vingança que existe dentro de si.

Seven Snipers não tem um super roteiro, mas consegue criar um vilão com potencial de ser assustador, ainda mais pela interpretação de Tim Roth. Chamado The Dragon, o senhor da guerra é retratado como um sanguinário extremamente técnico na caçada humana. Fica estabelecido que qualquer um da equipe dos “mocinhos” não pode nem ao menos expor uma parte mínima do corpo, porque, se o Dragon tiver a menor chance, ele irá matar seu inimigo. Isso quando convém, já que, quando a saída de qualquer membro da equipe da personagem de Radha Mitchell ajuda a dar andamento à história, isso acontece sem maiores problemas.
As conveniências não param por aí. Radha Mitchell monta uma equipe de fuzileiros altamente especializados para proteger ela e a filha. São os melhores, da elite do exército — a não ser quando o roteiro precisa se livrar de algum personagem. Nesse caso, o grande fuzileiro de elite fica com a cabeçona totalmente exposta na janela para Tim Roth poder dar o seu show. Tudo isso acaba diminuindo a urgência do filme e o nível de periculosidade do vilão, jogando o longa como um todo para baixo. Começamos a nos desconectar da história, que já não é lá muito complexa. Várias dessas cenas poderiam ser muito mais efetivas se fossem bem executadas, deixando os personagens menos “burros”, porque a violência nelas contida conseguem gerar algum impacto. As mortes são efetivas em gerar choque e surpresa, principalmente no início, mas, conforme nos desconectamos da história, vão perdendo o impacto gradativamente.

No entanto, apesar dessas questões, Seven Snipers consegue construir uma tensão minimamente interessante. As cenas de caçada de Tim Roth, principalmente quando ele está atrás de Radha Mitchell, proporcionam um bom entretenimento, ainda que rasos. Os dois são bons atores e entregam presença, o que, no final das contas, para esse tipo de filme, já é meio caminho andado para atingir o objetivo. Porém, todos os problemas citados acima — aliados a uma trama familiar de mãe e filha que pouco importa e a reviravoltas enfadonhas — acabam retirando o tempero dos bons momentos, tornando Seven Snipers um longa vazio e esquecível.
Seven Snipers é um entretenimento razoável, especialmente para quem se interessa pelo tema e pelo gênero. Ao fazer uma uma análise mais aprofundada, você encontrará problemas no roteiro e até em questões técnicas, mas o longa consegue cumprir o papel de distrair. Contudo, o filme corre o risco de gerar o pior sentimento que uma obra pode provocar no público: uma indiferença absoluta, fadada ao completo esquecimento.
