Crítica – One Piece: O Filme
One Piece é uma das maiores obras contemporâneas, tanto em termos de impacto cultural quanto em relação ao tamanho: 115 volumes lançados em mangá, e 1178 episodios do anime produzidos, desde 1997. O final da série ainda não viu a luz do dia, mas o primeiro filme da franquia, One Piece: O Filme (2000), estreará nos cinemas brasileiros.
Era uma vez um pirata de ouro chamado Woonam, que acumulou aproximadamente um terço do ouro do mundo. Contudo, em poucos anos, nada mais se ouviu falar dele, e cresceu a lenda de que ele desapareceu com toda a sua fortuna em uma ilha remota que piratas procuram até hoje. Buscando obter esse tesouro, Luffy e seus amigos tentarão impedir Eldrago, um pirata que possui o poder de uma Akuma no Mi, de colocar as mãos no ouro de Woonam.

One Piece – O Filme tem uma história simples e autocontida, mesmo fazendo parte de um universo muito mais amplo. É impressionante como a franquia tem um universo tão fascinante que consegue envolver mesmo quem não tem a referência dos animes e mangás. Isso porque o longa toca em temas universais, como amizade, amor, fraternidade e luta de classes. Esses temas são muito bem trabalhados através de personagens únicos e que entregam suas personalidades em uma linha de diálogo. Com um discurso muito claro, a obra consegue passar sua mensagem de maneira efetiva.
O grande problema é que One Piece – O Filme não parece propriamente um filme. Por parecer mais um episódio espandido do mangá, fica uma sensação muito forte de inconclusão ao final de seus 50 minutos de duração. Para quem já é fã da franquia, isso não é uma questão, porque já está imerso neste universo e nos personagens, possuindo uma conexão forte com a história. Se você não é fã, pode se sentir deslocado ao assistir, quase como se estivesse na festa de um grupo de pessoas que já se conhecem, mas com quem você não tem intimidade. A galera é legal, mas você não sabe muito bem como se portar. Agora, verdade seja dita: o filme foi feito para ser assistido por fãs do anime ou do mangá, e foi trazido para o Brasil com o mesmo público-alvo em mente, então essa questão pouco importa.
O que chama a atenção em One Piece – O Filme , mesmo para quem não tem tanta intimidade com a série, é o trabalho de design dos personagens, cenários e construções. É um universo fascinante de cara, que gera curiosidade apenas pelo visual. É um traço ousado, criativo e colorido que brilha os olhos de uma forma magnética. A simplicidade dos arcos narrativos somada à explosão visual faz com que esse universo seja extremamente marcante. Como eu disse anteriormente, o filme pode não ser uma boa porta de entrada por conta do deslocamento mencionado, mas, se essa barreira for vencida, é muito difícil não sentir pelo menos um pouco de curiosidade para saber mais, devido à beleza com que os desenhos (feitos à mão, neste caso) são impressos em tela.
Se você é fã de One Piece, certamente vale a pena ver o filme na telona do cinema, onde as cores estarão ainda mais vibrantes. Com uma história simples, porém muito universal, o longa consegue ser divertido, trazendo personagens carismáticos que constroem um universo fascinante. Certamente, eu pessoalmente irei procurar me aprofundar mais na obra de Eiichiro Oda.
