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CRÍTICAS

Crítica – O Som da Morte – Sinfonia de Clichês de Terror Desafina Feio

Crítica – O Som da Morte – Sinfonia de Clichês de Terror Desafina Feio
  • Publishedfevereiro 5, 2026

Confesso que fui com muita boa vontade assistir O Som da Morte. Um terror adolescente com cara dos anos 1980 e 1990, com jovens cheios de traumas e isolados pelos colegas de escola, um artefato maldito, os corredores de uma tipo High Scholl americana como cenário, e é claro, muitas mortes bem boladas. Tinha tudo para dar certo, e até começa bem, mas acaba fracassando impiedosamente. O Som da Morte (Whistle, 2025), com direção do mesmo realizador de A Freira, Owen Egerton, é a estreia de terror dessa semana.

Chrys é uma garota com passado de depressão e uso de drogas que se sente culpada pela acidental morte do pai. Ela vai morar com seu primo Sky e passa a frequentar uma nova escola onde, pouco tempo atrás, um jovem promissor no basquete morreu de forma trágica e estranha. Chrys acaba achando dentro de seu armário escolar um artefato asteca, uma espécie de apito. Junto com alguns colegas numa festa, alguém assopra a relíquia, que acaba liberando uma espécie de invocação da morte. Em suma, quem ouve o barulho acaba tendo a morte que um dia seria natural, sendo acelerada por um fantasma da morte futura. Quando alguns que ouviram o som morrem, Chrys, uma colega Ellie e seu primo entendem o perigo e tentam acabar com a maldição enfrentando um destino implacável e quase sem volta.

Como tinha falado no início do texto, o filme criou uma certa expectativa pois deu aqueles ares descompromissados de filmes de décadas passadas, onde adolescentes comem o pão que o diabo amassou em tramas criativas e principalmente divertidas. Mas O Som da Morte não demora meia hora para desafinar de vez, com uma história recheada de referências que mais parecem roubos descarados de outras produções do gênero, muitos sustos fáceis, leia-se, alguns  jumpscares e efeitos sonoros que ao invés de criar um clima de tensão, perturbam nossos ouvidos. Ou seja, uma ideia nostálgica e promissora que foi literalmente jogada para o ralo, num terror mais do mesmo que procura explicar tudo, com mortes óbvias e decisões de roteiros já usadas diversas vezes em produções semelhantes. Até porque fugir da morte não é nenhuma novidade, desde a franquia Premonição, com a diferença que nesse filme ao invés de enganá-la, não se pode ouvir o seu som, oriundo do tal apito que serve como um despertar antecipado. Pra não dizer que sou ranzinza e achei tudo ruim, gostei de algumas mortes do filme, com destaque para a que abre a trama, com um cara queimando debaixo de um chuveiro, e de Dean, que adora beber e dirigir e tem a vida ceifada por uma morte num futuro acidente, com direito ao corpo todo contorcido e quebrado.

Da turma de atores quem tem mais destaque é Sky Yang, o primo da protagonista Chrys, interpretada por Dafne Keen. O garoto é o que mais dá um tom convincente ao seu personagem, diferente da prima, que é uma mistura de montes de personagens de filme de terror, numa atuação que é uma pasmaceira e tanto. O resto da turma do filme preenche aqueles quesitos básicos, patricinha, atleta e gente considerada esquisita. Por mais que a sombria fotografia, os efeitos sonoros irritantes e a antecipação dos sustos tentem criar um clima de suspense, O Som da Morte não passa de mais um filme que tem tudo para ser esquecido. Uma mistura de Clube dos Cinco, com pitadas de Sorria, acrescidos de muita Premonição, com um ar fake de anos áureos do terror adolescente. Pena que essa salada não cai bem e o apito asteca soa como música ruim nos ouvidos, tanto dos personagens, que acabam se entregando pra ceifadora, quanto para quem assiste o filme, um desordenado festival de trivialidades que se ao menos divertisse, já valeria o ingresso.

Written By
Lauro Roth