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CRÍTICAS

Crítica- O Fim da Rua

Crítica- O Fim da Rua
  • Publishedagosto 13, 2026

 Às vezes tudo que precisamos em uma sessão de cinema, são ares de uma boa matinê. Filmes despretensiosos que fazem nosso cérebro congelar e apenas nos encantarmos com a fantasia, o absurdo e as belas imagens que passam sobre nossas retinas. Hoje em dia em um mundo cada vez mais cínico e com ares de pretensiosa exigência, esse tipo de filme praticamente sumiu do radar. Quando um filme como O Fim da Rua (The End of The Oak Street, 2026) estreia nos cinemas, é sinal que o puro entretenimento ainda respira. A nova obra de David Robert Mitchell, não promete nada mais que isso, e não tem problema algum.

  No início dos anos 1980, em um subúrbio típico dos Estados Unidos, onde a vizinhança vive mais da aparência de se tolerar que realmente terem relações de boas convivências, a família Platt está em crise. Greg faz bicos como entregador de pizza mesmo tendo um emprego e Denise, cada vez mais saturada com o casamento, descarrega suas angústias num livro que está escrevendo. Seus filhos são típicos adolescentes suburbanos, Brian foge de valentões e Audrey ama ciência e é fã de Carl Sagan. Até que uma noite depois de um clarão e um estrondo o bairro onde os Platt moravam, acaba entrando num portal para a era dos dinossauros. Presos a uma dimensão pré-histórica eles tem que lutar pela vida enfrentando terríveis criaturas pouco dóceis e precisam manter a família unida contra as mais surreais adversidades.

  David Robert Mitchell, assina e dirige essa miscelânea de referências tendo a produção de J.J Abrams tutelando seu projeto. O Fim da Rua consegue misturar Parque dos Dinossauros, Jumanji, Os Goonies, E.T. Um Lugar Silencioso um pouco de Conta Comigo, Stranger Things,o seriado setentista O Elo Perdido entre suas inspirações em um filme com cara e sabor de Sessão da Tarde. Talvez devido a algumas cenas como dinos com dentes gigantes devorando os pacatos suburbanos ou arrancando as pernas deles, mesmo sem serem tão explícitos, muita coisa seria podada no tradicional momento cinematográfico da Rede Globo. Mas tirando alguns absurdos nonsense e violência sugerida, O Fim da Rua serve como um belo passatempo que não deve ser levado a sério. 

 Ewan Mcgregor é o pai de família Greg que entre a demissão do emprego decente tinha e que não informa pára a família, se vira entregando pizzas e acaba por vezes enchendo sutilmente a cara para desespero de Denise, Anne Hathaway. A atriz sempre esplêndida e a verdadeira chefe da família com pretensões de romancista que nos entrega a melhor atuação do filme. Mas quem merece os louros da película são os ótimos efeitos visuais dos dinos criados com um CGI de primeira e mostrando que independente do tamanho, todos eles gostavam de meter os dentes em carne fresca.

  Esqueçam o roteiro, o sentido desses tais portais do tempo ou até a citação de Carl Sagan que tenta dar um barato ar de ciência ao filme. O Fim da Rua é uma grande aventura de sobrevivência de uma família em crise, enfrentando terríveis perigos surgidos repentinamente. Não deve ser fácil você um adolescente trocar a MTV ou os flertes com os colegas de escola para da noite pro dia ter que enfrentar criaturas jurássicas devoradoras de tudo que se vê pela frente, mas essa é a ideia motriz do filme: a luta pela vida que de um habitat tranquilo, do nada vira hostil. Mesmo que tudo não tenha muito sentido e explicação. E convenhamos não mudaria em nada o prazer de assistir o filme.

  O Fim da Rua é aquele filme para deixar o cérebro desligado mesmo. Não perca tempo em  entender o absurdo.Relaxe como os dois dinos cruzando tendo o apoio de um telhado de uma casa suburbana em uma cena das mais nonsense do cinema recente. Se delicie com as imagens, com o drama de sobrevivência dos Platt e cruze os dedos para tudo der certo para eles, uma aventura para torcer para os mocinhos, no caso os humanos e desfrutar por pouco mais de 90 minutos de puro entretenimento com ares oitentista e padrão visual dos anos 2020 em um filme ousado que parecia não ter lugar mais hoje em dia no quadrado e óbvio cinema comercial dos dias atuais.

Written By
Lauro Roth