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CRÍTICAS

Crítica – Mestres do Universo

Crítica – Mestres do Universo
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  • Publishedjunho 8, 2026

Cinema é arte, e na arte, não há problema em ser brega, colorido e infantil, desde que seja divertido ou emocionalmente impactante. Neste quesito, Mestres do Universo (Masters of the Universe, 2026), adaptação da franquia dos anos 80 conhecida como He-Man, dá aulas.

Em Mestres do Universo, o príncipe Adam deve salvar o reino de Eternia da ameaça de Esqueleto e seu exército malévolo. Para conseguir proteger todos aqueles que ama, o jovem herdeiro do trono deve recuperar a mítica Espada do Poder e se tornar finalmente o guerreiro conhecido como He-Man.

A grande qualidade de Mestres do Universo é saber o que quer ser, e não ter medo de ir fundo em sua estética exagerada e espalhafatosa. Visualmente o filme é incrível, por conta da equipe de design do longa ter conseguido transpor os elementos da linha de brinquedos da Mattel e do desenho dos anos 80 de maneira fiel. Não há uma tentativa de deixar as armaduras, as armas e os locais realistas. O filme abraça o exagero estético do mundo de Eternia, deixando tanto os personagens como o universo em que estão inseridos com um carisma impressionante. As únicas exceções são nos planos gerais de Eternos, que deixa a capital do reino muito genérica, se assemelhando muito com Asgard dos filmes do Thor, mas também não atrapalha na composição como um todo. O universo de Mestres do Universo, em termos visuais, é absolutamente fascinante e consegue sustentar boa parte do que o longa entrega de positivo. 

O elenco de Mestres do Universo também ajuda a carregar o entretenimento do filme. O protagonista Nicholas Galitzine não é ótimo, mas entrega um Príncipe Adam muito divertido e carismático. Ele não performa tão bem nas cenas mais emocionais, mas contribui muito bem para o tom de humor do longa. A filha de brasileiros Camila Mendes está muito bem, entregando uma Teela que acaba sendo o elo entre o protagonista e o mundo de Eternia, enquanto a hilária Alison Brie consegue dar um tom de humor muito sutil à Maligna, que transforma a personagem em um dos destaques do filme. No entanto, o maior destaque em termos de presença de personagem é Esqueleto, e aí, a gente precisa dar os louros primeiro para o trabalho vocal de Jared Leto e depois para o trabalho gráfico da equipe de efeitos visuais. Esses dois aspectos entregam um vilão com muita presença, Esqueleto preenche a tela como uma entidade maligna e praticamente invencível, isso, sem perder o tom de humor que permeia por todo o longa. É muito interessante como o vilão é construído como um ser extremamente poderoso, mas ao mesmo tempo, um pouco pateta. 

Inclusive a escolha da produção de fazer Mestres do Universo como um filme de comédia é muito acertada. No geral, o tom cômico do texto é bem encaixado, construindo um Mestres do Universo divertido, que é o que se espera de um filme, literalmente, de bonequinho. Em alguns momentos, as “piadinhas” são exageradas e ocorrem em momentos desnecessários, mas essa é a exceção. No geral, o texto do filme junto com a performance do elenco arrancam boas risadas.

Agora, tem um ponto sobre o roteiro que é importante, é necessário uma grande suspensão de descrença durante o longa para não se incomodar com alguns problemas estruturais do filme. As motivações e as prioridades dos personagens são inconstantes, várias atitudes e situações do filme ocorrem de maneira extremamente conveniente para o roteiro e a passagem de tempo do filme é totalmente “maluca”. Enquanto alguns personagens envelhecem 15 anos, outros, no mesmo período, não envelhecem um dia, por exemplo. Fora várias cenas em que a coreografia é meio apressada ou no fato do filme tentar vender a ideia de que o Príncipe Adam é fisicamente mirrado, sendo que claramente ele é um armário de músculos por debaixo da estilosa camisa rosa. 

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No entanto, apesar de inconsistências e problemas estruturais, Mestres do Universo consegue seu objetivo de ser um bom entretenimento, ao saber rir de si mesmo e não ter medo de assumir que é uma franquia brega. Um filme de bonequinho que cumpre o dever principal de filmes de bonequinhos: divertir o público com muito estilo.

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Written By
Guilherme Pedroso