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CRÍTICAS

Crítica – Exit 8

Crítica – Exit 8
Divulgação
  • Publishedmaio 7, 2026

Imagine um puzzle-game simples, direto e praticamente sem história. Você poderia facilmente imaginar o game The Exit 8. Em sua gameplay o jogador caminha por um corredor que se repete em loop. O objetivo do jogador é sair pela saída 8, e para isso, ele precisa passar por 9 níveis neste mesmo corredor. A regra é clara: se não houver nenhuma anomalia, o jogador deve seguir até o final do corredor. Caso o jogador identifique alguma coisa diferente, como uma porta fora de lugar ou uma luz piscando de maneira estranha, por exemplo, ele deve retornar ao início do corredor. Caso o jogador perca alguma dessas anomalias e siga até o final, o jogo zera, e ele precisa refazer todos os níveis. Se tem um game que não faria sentido ser adaptado para um filme seria esse, com uma gameplay repetitiva e tão básica que é possível terminar todos os níveis em 6 minutos. No entanto, o roteirista Kentaro Hirase e o diretor Genki Kawamura decidiram adaptar 6 minutos de gameplay em um filme de uma hora e meia chamado Exit 8 (Hachiban Deguchi, 2025).

Um homem, enquanto está em uma estação de metrô, recebe um telefonema de sua ex-namorada informando-o que está grávida e exigindo que o protagonista à ajude a tomar uma decisão sobre o que fazer a partir daí. Em meio ao choque da descoberta de que será pai, o homem entra em uma espécie de universo paralelo, e fica preso em um único corredor da estação. Essa dimensão paralela possui regras claras (já citadas acima) que devem ser seguidas por quem deseja escapar dela. O homem tenta seguir essas regras para chegar à saída 8 e escapar dos perigos sobrenaturais dessa dimensão. 

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A chance de um filme adaptando The Exit 8 dar certo era bem remota. Talvez um curta fizesse mais sentido, mas um filme inteiro? É aí que Kentaro Hirase e Genki Kawamura possuem muito mérito em conseguir tirar um longa interessante do jogo. Exit 8, o filme no caso, consegue potencializar os aspectos mais instigantes do game: o visual opressor daquele corredor maligno, as bizarrices sobrenaturais que geram sustos e tensão, e toda a mística de mistério em volta daquela dimensão medonha. A gameplay do game é baseada na tensão de ter que recomeçar todos os níveis novamente e na exaustão gerada por esse ambiente repetitivo, essa tensão e exaustão são muito bem replicadas para criar um senso de urgência no espectador do filme, o que faz com que Exit 8 seja uma experiência única nas salas de cinema. 

No entanto, essa experiência, apesar de única, pode ser cansativa. No final das contas, Exit 8 se alonga um pouco demais, criando uma sensação de o roteiro estar, assim como o personagem principal, andando em círculos, tirando-nos um pouco da imersão daquele universo enquanto olhamos para o relógio com impaciência. Ao filmar uma história com um conceito tão ousado para um longa-metragem, precisa-se levar em consideração a boa vontade do público em assistir a um filme que se passa praticamente inteiro em um cenário só, num eterno loop. É como parafusar uma prateleira na parede: o parafuso precisa ser bem apertado, mas se houver um excesso de força, o parafuso pode espanar. Exit 8 abusa um pouco da boa-vontade de seu público.

Apesar disso, é importante notar como Hirase e Kawamura conseguem criar um bom plano de fundo para Exit 8, ao criar uma história e uma motivação para seu protagonista que não existem na obra-base. Nessa expansão de universo em relação ao game, o filme trata de uma maneira bem honesta temas como o adultismo (quando adultos não enxergam crianças como iguais e com vontades próprias), etarismo e inseguranças envolvendo a paternidade não planejada. E no final das contas, o roteiro consegue amarrar muito bem os temas com o arco do personagem principal, dando substância aos aspectos de horror e suspense do longa.  

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Exit 8 é um filme que pode ser muito cativante em sua inegável ousadia. No entanto, ele também pode ser intragável para alguns, principalmente para quem não conhece e não tem nenhum carinho pelo game. De qualquer forma, não há como negar um fato: para o bem ou para o mal, assistir Exit 8 nos cinemas é uma experiência memorável.

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Written By
Guilherme Pedroso