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CRÍTICAS

Crítica – Dolly: A Boneca Maldita

Crítica – Dolly: A Boneca Maldita
  • Publishedmaio 4, 2026

Fazer um filme deve ser algo divertido. Imagina só poder filmar as cenas mais legais que você sempre quis assistir e criar os monstros mais bizarros, frutos totais de sua imaginação. Deve ter sido um barato para o diretor Rod Blackhurst filmar Dolly – A Boneca Maldita (Dolly, 2025), só não é tão divertido assim para quem assiste o longa.

O encontro romântico entre Macy e Chase é interrompido por Dolly, uma figura monstruosa e perturbada, que ataca Chase de maneira brutal, deixando-o ferido e à beira da morte no meio da floresta. Quando Macy decide procurar pelo namorado, a jovem é sequestrada por Dolly. No cativeiro, Macy passa a ser forçadamente usada como a boneca de brinquedo da monstruosa vilã.

Em Dolly – A Boneca Maldita vemos uma tentativa de uma obra autêntica através de escolhas estéticas ousadas, seja por sua fotografia pixelada, como se fosse filmada em película, ou pela brutalidade com que Blackhurst retrata a violência infligida por Dolly às suas vítimas. No entanto, Dolly – A Boneca Maldita acaba esbarrando em uma falta de criatividade na execução dessas escolhas. A fotografia, ao invés de charmosa, é distrativa, já a violência acaba ficando em um meio do caminho entre a sugestão e a explicitude da brutalidade. Não me entenda mal, o filme é gore, sangrento e gráfico, mas em muitos momentos, essas imagens mais brutais acabam sendo escondidas (talvez para esconder limitações do baixo orçamento da produção). Para um filme slasher com uma história tão simplória, seria importante mostrar o maior nível de explicitude possível nas cenas violentas, já que, afinal de contas, é para isso que servem slashers.

Sobre o roteiro, não tem muito mais o que apontar além do fato de ser tão simplório quanto era de se esperar. No entanto, o filme perde a oportunidade de criar uma mitologia mais interessante em relação à personagem de Dolly. Visualmente, a vilã é muito impactante: uma mulher gigantesca e sanguinária, com uma máscara de boneca de porcelana, porém, conceitualmente rasa. Talvez fosse interessante aumentar a mística em volta de Dolly com um pano de fundo um pouco mais complexo. Outro ponto em relação ao roteiro é como os personagens são superficiais, inconstantes e burros. O senso de prioridades deles são completamente questionáveis quando por exemplo uma personagem se importa mais com um anel de casamento do que com a sua própria vida, ou outro que deixa a namorada sozinha no meio da floresta para procurar a fonte de um som aleatório de caixa de música. Essas inconsistências nas motivações e a forçação de barra no nível de desinteligência de adultos (nem tanto) funcionais dificultam qualquer tipo de empatia com eles. 

Falando em empatia, chama a atenção como Chase, nos poucos minutos em que aparece com mais relevância, é completamente insuportável. Na teoria, seria legal para nós como público nos importarmos com Chase, já que ele é a primeira vítima de Dolly, mas ele só faz reclamar por dez minutos. De alguma forma, isso até torna o ataque sofrido por ele mais divertido, de maneira involuntária. Já Macy é uma personagem bem mais interessante, não tanto pelo roteiro, mas pela atuação de Fabianne Therese, que constrói uma protagonista agarrada à vida de forma visceral, entregando uma performance intensa e carismática. 

Já as cenas de tensão de Dolly – A Boneca Maldita acabam não sendo muito interessantes por serem um tanto genéricas. As perseguições na floresta, os jumpscares e os assassinatos de Dolly acabam não impressionando por termos a sensação de já termos visto algo parecido tantas vezes antes de Dolly – A Boneca Maldita. Essa falta de impacto nas cenas de tensão acaba diminuindo muito o propósito de um filme de slahser tão simplório.

No final, Dolly – A Boneca Maldita é um longa que tem uma autenticidade superficial, mas que esbarra em execuções genéricas limitadas por um baixo orçamento e falta de criatividade de seus idealizadores. É um filme original o suficiente para agradar os fãs mais fervorosos do gênero, mas que no geral acaba sendo bem insatisfatório se analisado de maneira mais ampla, como uma obra fechada em si mesma.

Written By
Guilherme Pedroso