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CRÍTICAS

Crítica – Toy Story 5

Crítica – Toy Story 5
  • Publishedjunho 16, 2026

Em 1995, Toy Story, uma singela história lúdica que nos ensinava que com companheirismo, aceitação, conviver com as diferenças, todos podemos ter uma segunda chance, revolucionou o cinema. Não apenas por essas belas mensagens, mas sim por que a Pixar, o estúdio de animação por trás do filme, encantou uma geração com suas imagens pela primeira vez, todas feitas em CGI e com um realismo incrível. 

Além de nos apresentar um leque de personagens que entraram para a história, como o xerife Woody e o astronauta Buzz Lightyear. 31 anos depois, com mais três filmes da franquia lançados, bilhões em bilheteria, uma gama de produtos vendidos e com hoje a Pixar fazendo parte da Disney, um novo filme da série estreia nessa semana, Toy Story 5 (Idem, 2026), mostrando que criatividade para grandes estúdios não é o que interessa.

Em Toy Story 5 temos a menina Bonnie um tanto apreensiva. Sua dificuldade de fazer amizade é proporcional ao quanto cada vez mais as crianças de sua idade não brincam mais com brinquedos, mas vivem vidradas em telas de celulares e seus similares. Os seus pais sentem o drama e dão de presente à menina um tablet, chamado Lilypad, o que causa um encantamento em Bonnie e acaba deixando de lado seus amigos, a boneca vaqueira Jessie e Buzz Lightyear. Os brinquedos então resolvem recorrer a Woody, que vive por aí ajudando desprezados brinquedos. Essa sua imersão na tecnologia a faz ter novas amizades, mas isso acaba evitando que ela conheça Blaze, uma menina que ama animais e ainda vive uma infância lúdica. Jessie, Buzz, seu grupo de similares e Woody, então, além de enfrentar a concorrência do tablet, irão fazer de tudo para unir as duas meninas.

Andrew Stanton é o responsável pelo quinto filme da bilionária franquia, que conta a relação entre as crianças e seus brinquedos. Se no primeiro filme, no hoje distante 1995, o conflito era entre um simples boneco de pano contra um moderno brinquedo, o roteiro preguiçoso simplesmente recicla o tema, contando a revolta dos brinquedos contra a tecnologia na personificação  do tablet, o tal novo amigo de Bonnie. E o filme também expõe o problema de socialização das crianças, cada vez mais resumida a conversas de chat, telas luminosas e pouco tino para relações presenciais. O que afeta tanto a saúde mental da criança, gerando solidão e insegurança, quanto a própria indústria de brinquedos, porque cada vez mais cedo as novas gerações abandonam seus companheiros para se atirar nas telas de celular e similares. Mas mesmo com essa amostra da realidade da infância de hoje em dia, o roteiro do próprio diretor, que divide com McKenna Harris o texto, pouco ousa, apenas seguindo o velho script básico das histórias de Toy Story. E pra piorar, pouco diverte e mesmo com suas incríveis imagens (redundância ao falar a Pixar), a película provoca muito pouco encantamento. 

O filme serve mais para saciar os nostálgicos, hoje quase quarentões, que se emocionam com Buzz, Woody e ainda a presença feminina da personagem Jessie, que é praticamente quem manda no filme. Toy Story 5 talvez falhe até numa das suas principais funções, que é vender brinquedos e provar do próprio veneno realista que o filme nos apresenta, já que a molecada de hoje em dia consome menos produtos e não se deslumbra tanto quanto a geração que viu os primeiros filmes, trocando brinquedos por telas cada vez mais cedo. Mesmo com aparente curtas 1 hora e 40 minutos, o filme se arrasta e perde suas características principais, que eram fazer emocionar e nos inundar com mensagens edificantes. Tudo o que assistimos tem um clima de déjà vu sem sal e que pouco surpreende. E por mais que a série seja um marco na história do cinema e responsável por uma revolução na maneira de se fazer e assistir animações, acredito que se sustentar por mais de três filmes é um exagero. O quarto filme já padecia de criatividade, com roteiro ruim, esse quinto não tinha sentido de existir. Mas ao invés de criarem histórias originais, os grandes estúdios preferem não mexer com o que está ganhando, apostando em velhas novidades, reciclando o que já existia e jamais fugindo do óbvio. E diga-se de passagem, é um mal que padece em todos gêneros, onde reboots, continuações e refilmagens ainda pipocam aos borbotões nas telas, deixando novas histórias de lado.

Em suma, Toy Story 5 faz uma crítica leve aos novos tempos, em que a molecada deixa cada vez mais de lado a infância e o que a imaginação das brincadeiras manuais podem proporcionar, ao ser inundados por telas temos um precoce fim de infância. Mas mesmo com simpáticos personagens no universo Toy Story proporcionando imagens fantásticas, o filme é apenas mais uma encheção de linguiça e que pode decepcionar tanto os jovens senhores nostálgicos, quanto o público-alvo e consumidor, que são as crianças cada vez mais cedo dispensando Woody, Buzz e Jessie em prol de Minecraft, Roblox e YouTube das mágicas telas luminosas.

Written By
Lauro Roth