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CRÍTICAS

Crítica – Destruição Final 2 – Dá Vontade de Torcer pelo Cometa

Crítica – Destruição Final 2 – Dá Vontade de Torcer pelo Cometa
Gerard Butler as John Garrity, Morena Baccarin as Allison Garrity, Amber Rose Revah as Dr. Casey Amina, and Roman Griffin Davis as Nathan Garrity in Greenland 2: Migration. Photo Credit: Courtesy of Lionsgate
  • Publishedfevereiro 2, 2026

Tem filmes que já começam mal no título. Qual a lógica de um filme que se chamava Destruição Final – O Último Refúgio ter uma continuação chamada Destruição Final 2? Ora, a destruição já não era a final no primeiro filme? E sendo que o filme, no título original de 2020, se chamava Greenland, ou Groenlândia, e sua continuação se chama Greenland – Migration, e aqui no Brasil confortavelmente só colocaram um 2. Em suma, se a tal destruição ainda fosse boa, tudo bem, mas a continuação do interessante filme de seis anos atrás, Destruição Final 2 (Greenland- Migration, 2026), com direção de Ric Roman Waugh, que também assinou o primeiro, apenas destroi a paciência do espectador em mais de uma hora e meia.

O filme se passa cinco anos após o impacto do cometa Clarke que devastou grande parte da vida da Terra. Os sortudos que se alojaram em bunkers, achavam que a espera seria mais curta para saírem e reconstruírem o mundo, mas devido à intensa radiação, tempestades eletromagnéticas e terremotos, a coisa está feia no lado de fora. A família Garrity continua unida, com John sofrendo sintomas da radiação, Alisson comandando decisões, com papel de liderança no bunker e o adolescetre Nathan começando a ter as rebeldias da idade e a impaciência dessa vida terrível que levam. Um terremoto acaba com o bunker na Groenlândia e eles são obrigados a sair e ir para a Europa de bote. Lógico que o continente está arrasado, mas alguns estudos indicam que o local que o cometa caiu abriu uma cratera que pode ser a salvação da humanidade, onde a vida seria possível sem os perigos do mundo, virado de cabeça para baixo. Mas para isso, os Garrity vão ter que enfrentar diversos perigos, algumas consequências da tragédia e principalmente uma civilização de sobreviventes que não tem mais um pingo de humanidade no meio do caos.

Se o primeiro filme tinha uma premissa um pouco diferente dos filmes de catástrofe, onde o que importava era o antes dela acontecer e como o ser humano faz qualquer coisa para preservar sua vida e, no caso, a família tinha que vencer obstáculos íntimos e exteriores para se manter e conseguir escapar, Destruição Final 2 pouco se importa, com causas mais mundanas mesmo. Até porque o mundo é um local terrível de se viver, os roteiristas Mitchell La Fortune e Chris Sparling, ao invés de explorarem a mínima esperança que o final do primeiro filme sugere, resolveram piorar a situação mesmo. A Terra se tornou um pesadelo, numa distopia de um mundo sem perspectivas de melhora. E para piorar, o filme é apenas um sequência de situações de perigos que a família vai enfrentando, desde cataclismas climáticos, pessoas de má índole e perturbados pelo apocalipse, penhascos que precisam ser atravessados, quase que um jogo de videogame com várias fases até chegar no objetivo final que é a tal cratera, última esperança da Terra.

Mas o filme esquece detalhes, como o tratamento do menino, hoje crescido, mas que precisa de insulina para sua diabetes. Se no primeiro filme, isso quase foi o fim da família, nessa fuga dos Garrity, milagrosamente, o menino parece estar curado. Os personagens que cruzam pelo caminho deles, que na maioria das vezes não servem para nada e quando vão ter um pouco de desenvolvimento, ou são mortos ou simplesmente somem do nada. E até os momentos mais introspectivos da família, quando tem alguma calmaria no meio daquele pesadelo, não passa de filosofia barata, frases prontas e zero conflito que se possa levar a sério. Até os efeitos especiais deixam a desejar, com as tempestades criadas de maneira preguiçosa, um tsunami que lembra produções dos anos 1970, sendo que na época elas impressionaram demais e até a cena de maior tensão, quando eles tem que passar por um desfiladeiros por uma ponte e escadas improvisadas, a construção visual da cena tem pouco capricho.

Gerard Butler fez o que pode, mantém sua aura de bom ator de filmes de ação, mas está mais preguiçoso que no primeiro filme e seu personagem John parece que está mais perdido do que nunca, sendo guiado mais pelas circunstâncias que pelo seu poder de liderança nas decisões. Morena Baccarin, como Alisson, tem mais protagonismo e toma a frente de certas decisões, até sabendo que John não está bem, mas também não passa de uma atuação discreta. Roman Griffin Davis é o ator que faz o menino Nathan, hoje um adolescente tentando entender a desgraça que é viver no planeta Terra pós Clarke. O título em inglês tenta até dar um ar poético para a trama, afinal com o mundo real em ritmo de destruição, com certeza as migrações climáticas vão ser uma tona nas próximas décadas, mas tudo é apenas tratado superficialmente, com zero emoção e pouca culpa no ser humano para tamanha bagunça na mãe natureza. 

Destruição Final 2 (espero que seja a final mesmo) é a prova que continuações não são sempre necessárias. Se no primeiro filme tínhamos uma conexão quase imediata ao drama da família Garrity na véspera do fim do mundo, nesse filme toda a empatia que tínhamos se perde num emaranhado de frenetismo de cenas de perigos constante, e uma mensagem quase infantil de que o homem do bem, a união e família em busca do oásis surgido no meio da tal destruição e anarquia vai ser a semente de uma nova esperança na Terra. Bonitinho, mas pouco crível, mais parecendo um mundo novo que até parece capa de revista de Testemunha de Jeová, mas acaba se perdendo num filme que só serve para forrar o poncho dos produtores.

Written By
Lauro Roth