Crítica – Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno – Terror Só no Título
Uma das coisas mais seletivas que vejo atualmente no cinema é aquele papo que uma obra adaptada do mundo dos quadrinhos, games ou até mesmo da literatura, tem que ser feita para os fãs de tal mídia. Ou seja, ao invés da adaptação cinematográfica servir para incluir o público num universo, se preocupam em fazer filmes para fãs. Mas o pior é quando não agrada nem fã, nem curioso, não servindo realmente para alguma coisa. Falo agora de uma das maiores bombas (terceira semana de janeiro e já temos candidato a pior filme de 2026) cinematográficas em muito tempo. Falo da adaptação para o cinema do jogo Silent Hill, o segundo, com o filme Terror em Silent Hill – Regresso para o Inferno (Return To Silent Hill, 2026), com direção de Christophe Gans, que ancora (e já deve sair de cena ligeirinho) nos cinemas desta semana.

James, devastado pela separação de sua amada, sempre controlado pela terapeuta e afogado no álcool, um dia recebe uma misteriosa carta de que na mente dele daria chance para encontrá-la onde tudo começou: na cidade de Silent Hill. Mas chegando lá, se depara com incontáveis perigos da sombria cidade, como ruelas escuras tomadas por seres esquisitos, monstros ameaçadores que se misturam com seus próprios medos e traumas, tendo encontros com pessoas que deixam sua perturbada mente mais confusa, transformando sua vida que já estava ruim num inferno sem saída.
Christophe Gans foi responsável, em 2006, por adaptar o famoso jogo da Konami, popular no Playstation, para as telonas. Mesmo tendo altos e baixos, Terror em Silent Hill consegue, além de fazer uma fiel adaptação ao jogo, ser um filme de terror dos bons, com uma condução precisa e um desfecho aterrorizante. A expectativa era grande então para ele 20 anos depois, agora pegando o segundo jogo da série, de fazer um bom filme. Mas o que vem em torturantes 105 minutos é um excesso de pretensão visual, num roteiro confuso e sem sentido, efeitos visuais fracos e zero atmosfera de horror. Um filme que não diz nada, com atuações medonhas e com certeza vai falhar nas duas principais razões de sua existência: vai deixar os fãs do jogo decepcionados e passa longe de dar medo.

Pode-se alegar que o filme é um mergulho ao labirinto de uma mente doente como a do personagem James (inclusive temos um labirinto no filme). Mas a maneira como tudo nos é apresentado, sua entrada para o inferno em busca da amada, onde precisa travar batalhas contra seus fantasmas interiores e defender mulheres que cruzam seu caminho nessa saga (mulheres que são sempre a mesma atriz da sua esposa, a Hannah Emily Anderson), é de uma superficialidade misturada a uma ambição visual que causa muito mais sono que profundidade e contemplação. Soma-se a isso a atuação de Jeremy Irvine, que não consegue transmitir nem empatia com seu drama pessoal em quem assiste a película ou perde seu tempo com essa bomba.
20 anos depois, nessa volta a Silent Hill, é só lamento e decepção. Nem a volta do diretor às rédeas da série (que teve um segundo filme no caminho) ajudou nessa confusão geral que tenta misturar terror psicológico com delírios visuais, tratando o trauma do luto como uma batalha pelas profundezas do terror. Só que o grande problema é que fracassa tanto na tentativa de dar à história uma profundidade que nunca se mostra, e pra piorar, o terror do filme só se encontra mesmo no título, o que vai decepcionar um monte de gente. Um fiapo de história filmado com soberba e muita confusão em forma de imagens que acabam se tornando um bom sonífero para noites insones.
