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CRÍTICAS

Crítica – Nouvelle Vague

Crítica – Nouvelle Vague
Créditos: Divulgação
  • Publisheddezembro 28, 2025

Toda a influência que a Nova Onda Francesa exerce sobre a filmografia de Richard Linklater chega ao seu pico com seu novo filme. Nouvelle Vague (2025) é uma grande homenagem aos diretores franceses do final dos 50 / começo dos anos 60 que revolucionaram o cinema mundial com rebeldia e disrupção. 

No começo dos anos 60, o jovem crítico de cinema Jean-Luc Godard vê todos os seus colegas jornalistas conseguirem dirigir e lançar os seus primeiros longas-metragens antes dele próprio. Quando finalmente Godard consegue financiamento para produzir seu filme, Acossado, ele se demonstra um diretor peculiar que coloca a sua visão artística acima de prazos, métodos pré-estabelecidos de filmagem, ordens do estúdio e convenções sociais. 

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O aspecto que chama a atenção logo de cara em Nouvelle Vague é a forma com que Linklater emula a linguagem estética e narrativa dos filmes do movimento. A fotografia preto e branca; a apresentação de cada personagem olhando para a câmera, enquanto seus nomes aparecem escritos na tela; as câmeras estáticas; e a caracterização das roupas e cabelos da época são efetivos para lhe transportar para uma sala de cinema daquela época, onde realizadores como François Truffaut, Agnès Varda, Claude Chabrol, e, claro, o próprio Godard mudavam, com as suas obras, a forma de o mundo enxergar o cinema.

Além da fotografia, o ritmo e o roteiro do filme, assinado por Holly Gent e Vincent Palmo, assemelha-se aos filmes da Nouvelle Vague. Uma dinâmica baseada no cotidiano, com diálogos levemente performáticos e filosóficos (em alguns momentos, pseudo-filosóficos). Aspectos que transformam uma história extraordinária em mais um dia comum, muito próximo de como Acossado conta a sua história policial. Desta forma, Nouvelle Vague se torna uma metalinguagem deliciosa. Espelhando a Nouvelle Vague da vida real, o longa de Linklater é um deleite para os cinéfilos fãs do movimento francês. Quando aparecem figuras carimbadas representadas em tela, o fã é colocado no mesmo lugar de um fã de quadrinhos, ao assistir Vingadores: Ultimato (2019): deleitando-se com cada fan service. 

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Entretanto, esses aspectos podem tornar o filme proibitivo para quem não se interessa tanto pelo cinema francês dos anos 60, já que, além de as referências serem perdidas, o estilo que Linklater escolhe utilizar no longa pode se tornar um pouco cansativo de tempos em tempos. Momentos em que há um corte abrupto de uma cena envolvente para uma imagem quase estática de uma nova personalidade encarando a câmera, por exemplo, quebra a imersão de uma história que seria interessante por si só. Ao mesmo tempo em que a forma como o filme emula os longas daquele contexto é um trunfo, Nouvelle Vague continua sendo um filme lançado em 2025, e, por óbvio, alguns aspectos da linguagem característica da Nouvelle Vague não funcionam tão bem em Nouvelle Vague de Linklater, por mais que haja um propósito dentro do uso da linguagem em caráter de homenagem. 

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De qualquer forma, Linklater explora muito bem a personalidade e o carisma dos personagens, principalmente de Godard, além de capturar muito bem a efervescência criativa daqueles realizadores. Eles estavam fazendo história e se divertindo no processo, e essa sensação está muito bem impressa na tela. Nouvelle Vague é claramente um filme dirigido por um fã para outros fãs, e no processo, consegue contar uma história muito interessante de uma maneira envolvente. Uma excelente homenagem em forma de um filme muito divertido.  

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Written By
Guilherme Pedroso