Crítica – Bob Esponja – Em Busca da Calça Quadrada
Quem nunca na vida queria ter alguns centímetros a mais, ou para impressionar os amigos, para ter mais facilidade em esportes como vôlei e basquete, ou até mesmo poder andar em um radical brinquedo de parque de diversões? O cinema inclusive nos presenteou com o filme Quero ser Grande (Big, 1988), em que um personagem pré-adolescente, cansado por demorar a ficar maior, pediu tanto para crescer que acabou tornando-se o Tom Hanks. E nossa esponja amarela mais famosa dos cartoons também queria crescer, falo do Bob Esponja e seu filme, Bob Esponja – Em Busca da Calça Quadrada (The Spongebob Movie – Search for The Squarepants), de direção de Derek Drymon, que tem estreia nessa última quinta-feira de 2025, no dia do Natal.
Bob Esponja, a cada dia que passa, tem um sonho peculiar: ganhar centímetros para poder ter o direito de andar na montanha-russa mais concorrida do parque de diversões. Mas na hora H, Bob recua e se sente um medroso. Seu chefe, Sirigueijo, conta histórias que na sua juventude era um grande capitão dos mares e espadachim de primeira, deixando Bob encantando e com vontade de seguir esse rumo, e bisbilhotando nas relíquias marítimas de seu chefe, acaba libertando o espírito do Holandês Voador. Esse fantasma promete que vai fazer Bob Esponja ter contagem e leva ele e a sua tripulação fantasma para realizar provas destemidas no oceano. Só que Sirigueijo e o amigo Patrick acabam descobrindo que o tal Holandês só quer roubar a alma de Bob, e para isso precisam se unir a Lula Molusco e Gary, trazer Bob de volta e sair dessa roubada.

Chega enfim mais uma aventura cinematográfica da esponja amarela que mora na Fenda do Biquíni. E mesmo com um título de cunho enganoso, afinal Bob Esponja não está atrás de calça nenhuma, o roteiro escrito por Pam Brady e Matt Lieberman nos apresenta, com seu bom humor nonsense de sempre, uma história que tem como mote busca por coragem e crescimento, não só físico, como espiritual. Bob Esponja quer alçar novos rumos, buscar novos sentidos a sua vida, em um filme em que ele quer deixar apenas de ser o pacato chapista da Siri Cascudo para finalmente ganhar respeito dos outros. E o filme funciona bem, como uma bela diversão familiar, ajudado pelo carisma do personagem e pelos coadjuvantes, além de ter o Holandês Voador, um vilão digno para a história, muito bem dividida em dois núcleos que pecam por ter pouca coesão. A história onde Bob Esponja se entrega às ordens do fantasma é intensa, divertida e cheia de aventuras. Já a do Sirigueijo e seus amigos tentando tirá-lo daquela roubada se perde bastante e tem muita ênfase também no filme, o que às vezes torna a história cansativa e perdendo o alento com facilidade.

Mas no frigir dos ovos, Bob Esponja – Em Busca da Calça Quadrada, se não tem tanto humor anárquico da criação original de Stephen Hillenburg, consegue de maneira competente, em uma história curta, cheia de aventuras no melhor estilo fase de games, motivações inspiradoras, um vilão dos bons, muito bom humor e uma animação em 3D de altíssima qualidade com direito a um live action em certo momento, um belo passatempo para levar as crianças no cinema nesse fim de ano e início de um que está a chegar e se divertir em família.
