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Toda história tem duas versões – “A Criada”

Sabe quando você olha para alguém e a julga a pessoa mais inocente do mundo?! Pois então, a inocência e a malícia andam juntas em “A Criada” (“The Handmaiden”/”Agassi” – 2016) e o espectador quebra a cada algumas muitas vezes ao longo das 2h24min de filme.

Para os tranquilizar, o longa é dividido em três partes, mostrando duas versões de uma mesma história e a finalização dela, todos com detalhes chocantes.

Tudo se resume em uma objetivo: enganar um velho excêntrico e pegar o dinheiro que ele administra. O que chama atenção são as formas de conseguir isso.

Nos anos de 1930 a Coreia (que ainda era uma só) sofreu um período de invasão japonesa. Sookee, a primeira “inocente” da trama, é contratada para ser a criada particular de uma nobre japonesa, Hideko, que está sob os cuidados de seu tio, que é coreano, mas sempre se esforçou a vida inteira para se enquadrar nos padrões japoneses.

Porém Sookee não é tão inocente, ela é filha de uma das maiores ladras da região, foi criada por sua tia, que não fica muito atrás nos esquemas exclusos. A vida inteira Sookee foi ensinada a ser tão boa quanto a mãe ou melhor, vivendo de golpes.

Ela e a tia tem um acordo com um pilantra, Fujiwara, é ele quem coloca Sookee na casa de Hideko. O plano dele era fazer com quem a inocente, nobre e rica patroa ganhasse confiança na parceira infiltrada, enquanto ele seduziria a primeira, casaria com ela e fugiria para a cidade, lá a colocaria em um hospício, dividindo o dinheiro com o Sookee.

O que ele não contava é que, apesar de toda a história da família, Sookee tinha coração. Ela acabou se afeiçoando a patroa e pensando melhor no plano.

A segunda parte do filme mostra a versão de Hideko e Fujiwara, que na verdade eram parceiro muito antes de Sookee entrar na história. A inocência de Hideko era só aparência para os visitantes desavisados, na verdade ela era a leitora de histórias eróticas de livros armazenados na excêntrica biblioteca do tio dela.

O velho era excêntrico, reunia uma coleção de clássico do Kama Sutra e romances inspirados. Antes usava a esposa, a tia de Hideko, para fazer as leituras, mas ela enlouqueceu e se enforcou quando a menina ainda era novinha. Ainda assim o velho pervertido a ensinou a ler como a tia.

A excentricidade ia além, ele reunia homens da alta sociedade para ouvir as tais leituras. Era como o tele-sexo (nem sei se isso existe na verdade), os caras só ouviam as histórias eróticas. Em algumas ocasiões especiais havia a representação das posições com um boneco.

Fujiwara não era nobre de fato, ele só se passava por um conde, por isso frequentava essas leituras. Ele se dizia irresistível para as mulheres e que conseguia conquistar quem quisesse, mas faria isso com Hideko porque a achava muito frígida.

Porém a moça era um lobo em pele de cordeiro, sempre foi complicada, mas se passava de meiga e inocente. Conseguiu firmar um plano com Fujiwara para sair daquela vida e ter uma vida própria. O plano era basicamente aquele que ele apresentou a Sookee, mas iria se livrar dela para aproveitar o dinheiro.

Mas aí vem a questão da afeição, já entrando para a terceira parte da história. Elas descobriram o amor entre elas, Sookee foi enganada a todo momento, mas Hideko abriu o jogo e elas decidiram dar um perdido em Fujiwara e no tia velho excêntrico.

Por um tempo fingiram manter o plano de Fujiwara, Hideko casou-se com ele e eles internaram Sookee no hospício. Porém a primeira acabou colocando o picareta numa armadilha e a segunda fugiu do hospício.

As duas conseguem sair da Coreia disfarçadas e viverem juntas.

Esse filmes tem de TUDO, no começo parece ser um filme de terror, uma mansão misteriosas nos confins da Coreia que só abrigavam dois nobres e um batalhão de empregados, com aquela fotografia escura e coreanos sabendo assustar.

Depois vemos momentos engraçados, especialmente protagonizados por Sookee, que beira a fofice se não fosse todos os golpes que empregava. A questão da biblioteca e do tio excêntrico fazem o mistério. Os plano e esquemas trazem um toque de romance policial, que prende a atenção e faz com que você tente entender toda uma linha de raciocínio.

E, lógico, o que chama mais atenção: todo o erotismo envolvido. No começo não aparece que é um filme com erotismo, mas em dado momento é impossível não o ver dessa forma. Não fica só na leitura dos filmes, mas nas cenas entre Sookee e Hideko.

Sim, meus amigos/leitores, há cenas de sexo entre duas mulheres e são mostrados quase todos os detalhes!!!!

Foi um choque assistir, mas foram cenas muito bem feitas, apesar de chegar a impactar demais em alguns momentos. O assunto não é tratado com rodeios, é direto e claro.

O legal é porque tem toda essa mescla de temas e estilos, o que te faz esquecer um pouco da longa duração do filme.

Beijinhos e até mais.

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