Crítica: A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017) | Do mangá para às telas, 22 anos depois. - NoSet
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Crítica: A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell (2017) | Do mangá para às telas, 22 anos depois.

Todos nós sabemos o quão controversa é a transição de um mangá japonês para às telas de cinema. Se o cineasta responsável por tal produção não toma o maior cuidado possível, pode não somente fazer com que seu trabalho fracasse nas bilheterias, como também desagradar aos fãs do anime, que esperam por uma adaptação totalmente fiel. Infelizmente, A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell não obteve tanto êxito nesse quesito. Entretanto, merece ser conferido por meio de uma visão distinta deste aspecto. Dirigido por Rupert Sanders (Branca de Neve e o Caçador), o longa acabou de estrear no Brasil e já vem causando discussões. Afinal, será que realmente continua valendo a pena assistir? Descubra no link abaixo:

Na trama, estamos em um mundo pós-2029, onde o aperfeiçoamento do corpo humano a partir de inserções tecnológicas é bastante comum. O ápice desta evolução é a Major Mira Killian, que teve seu cérebro transplantado para um corpo inteiramente construído pela Hanka Corporation. Considerada o futuro da empresa, Major logo é inserida no Section 9, um departamento da polícia local. Lá, ela passa a combater o crime, sob o comando de Aramaki e tendo Batou como parceiro. Só que, em meio à investigação sobre o assassinato de executivos da Hanka, ela começa a perceber certas falhas em sua programação que a fazem ter vislumbres do passado, quando era inteiramente humana. Bom, pra começar, ressalto novamente que a obra não foi 100% igual à de 1995, o que é algo normal hoje em dia, visto que às vezes até adaptações de games chegam a ser melhores que as de desenhos.

Baseado nisto, se você espera o mesmo nível de semelhança (e até superioridade) que Oldboy teve, por exemplo, sinto informar que não sairá satisfeito. Todavia, é óbvio que a modificação não foi tão péssima a ponto de parecer com um Dragonball Evolution da vida. Houve sim algumas similaridades com o modelo de Mamoru Oshii, e não me refiro somente à trilha sonora – que por sinal ficou ótima, especialmente a música-tema –, mas também quando o processo de criação dela nos é mostrado em riquíssimos detalhes dentro da Corporação. Ou ainda na cena inicial, onde a Major tira o seu roupão e salta de costas de uma altura absurda. Detalhe este que ficou deveras atenuado, uma vez que na animação, os membros superiores e inferiores expõem a nudez da híbrida de humano e ciborgue. Aqui, ambos estão velados.

Dessa maneira, eis que surge o conceito de que máquinas projetadas são capazes de ter sentimentos humanos, sem contar o fato de descobrirem coisas do seu passado que nunca deveriam lembrar. Mas, tudo isso até que o jogo mude. Depois, quiçá surja uma reviravolta inesperada durante as quase 2 horas de projeção e o público se pergunte: “como não suspeitei disso desde o início?”. A despeito das atuações, todas estão na média, em particular as de Scarlett Johansson, atriz maravilhosa que deu um show de interpretação como a protagonista Mira e a da linda Juliette Binoche, cuja personagem (Dra. Ouelet) é criticamente importante na trama. Outros rostos que fazem parte do elenco, tais como Pilou Asbæk, Anamaria Marinca, Takeshi Kitano e Michael Pitt tiveram performances aceitáveis e não decepcionaram em seus respectivos papéis.

Por fim, é um filme que se visto por outra perspectiva – sem comparar tanto com a animação – pode sim ser muito bom, pois embora não tenha captado todos os elementos do mangá de 95, contém várias cenas de ação e diálogos que de certa forma oscilam entre a superficialidade e a naturalização. Outrossim, o cenário futurista está esbelto e ao invés de me preocupar muito com o enredo, a produção me impressionou tanto por tamanho perfeccionismo do CGI que Sanders entregou ao público quanto pelo rumo que o ritmo do roteiro tomou; não foi nada maçante. Portanto, por mais que não tenha sido o primeiro e nem será o último dos blockbusters hollywoodianos sem precedentes, recomendo A Vigilante do Amanhã: Ghost in the Shell para quem é fã do anime, bem como pra quem não for. Sobretudo, aos leitores que se encaixam na categoria dos que procuram por uma boa pedida de ficção/ação policial esse fim de semana!

(Obs.: a cena final deixa claro que a sequência certamente há de acontecer!)

Título Original: Ghost in the Shell
Direção: Rupert Sanders
Duração: 109 minutos
Nota:

Veja o trailer:

2 Avaliações

2 Comments

  1. Franz Lima Configurações

    1 de abril de 2017 em 23:28

    Realmente o filme impressiona visualmente. Alguns aspectos do mangá foram excluídos e, em minha opinião, não fizeram falta, tais como as cenas de sexo e o humor exagerado de algumas cenas. O tom desse longa-metragem está adequado àquilo que se propôs o diretor. Por diversas vezes o público é surpreendido por cenas belíssimas, coerência e, sobretudo, pela sensação de que esse filme é um complemento do mangá e do anime.
    Quanto às similaridades, certamente isso agradou muito aos fãs, além de prestar um serviço por encaminhar os novos admirados na busca pelos produtos relacionados à franquia.
    As atuações foram consistentes e definitivas para que acreditássemos naquilo que estava diante de nós. O impacto só foi menor por causa do excesso de trailers e da sensação de dejá vu protecionada por filmes como Matrix e Blade Runner, só para citar.
    Boa análise sua de uma obra muito boa. Sucesso!

    • Eduardo Ben

      Eduardo Ben Configurações

      5 de abril de 2017 em 11:17

      Muito obrigado! Faço das suas palavras as minhas, amigo…heheh 🙂
      Abraços e igualmente pra ti!

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