MotoGP no Brasil: Luca Marini reconhece evolução de Goiânia após críticas e analisa desafios da pista
O retorno da MotoGP ao Brasil, com etapa no Autódromo Internacional Ayrton Senna, segue movimentando o paddock não apenas dentro da pista, mas também fora dela. Um dos nomes mais sinceros nas avaliações foi o italiano Luca Marini, que chegou a fazer duras críticas ao circuito em sua visita anterior, classificando a estrutura como abaixo do ideal. Agora, de volta ao traçado goiano para o GP de 2026, o piloto reconheceu avanços importantes, embora ainda aponte desafios significativos.
Em sua primeira impressão no fim de semana, Marini destacou a evolução visível da pista e da estrutura. “A situação parece bem melhor. Eles fizeram um trabalho fantástico comparado ao ano passado. Construíram várias partes novas e, no momento, a pista parece boa”, afirmou o italiano, indicando que as melhorias atenderam e até superaram parte das expectativas criadas após suas críticas iniciais.
Apesar do progresso, o piloto ressaltou que ainda há pontos de atenção, especialmente em relação às condições do asfalto. “O traçado parece bom, o asfalto está bem escuro e com aparência de boa aderência, mas ainda está muito sujo. Precisamos de algumas sessões para limpar melhor a pista”, explicou. Segundo ele, as categorias de base podem não ser suficientes para emborrachar rapidamente o circuito, o que torna os primeiros treinos cruciais para entender o comportamento real da pista.

Marini também analisou as características técnicas do traçado brasileiro, que promete ser um dos mais rápidos do calendário. “É uma pista curta, com tempos de volta muito baixos. Isso significa que as diferenças entre as motos serão menores e tudo ficará mais equilibrado”, avaliou. Nesse cenário, segundo ele, detalhes como eletrônica, controle de potência e freio-motor podem ser decisivos para o desempenho.
Outro ponto levantado pelo piloto foi a dificuldade de ultrapassagens. Mesmo com uma longa reta que favorece ataques, o restante do circuito pode limitar disputas roda a roda. “Acho que ultrapassar será complicado. Talvez na última freada ou na reta, mas no restante do circuito será mais difícil”, comentou, destacando que o fator novidade pode embaralhar o cenário, já que os pilotos ainda não têm referências consolidadas de corrida no local.
Sobre o trabalho das equipes, Marini elogiou o esforço conjunto entre organização e MotoGP para adaptar o circuito aos padrões da categoria. “Eles fizeram um trabalho melhor do que eu esperava. Dá para ver que estão se esforçando bastante, principalmente em termos de segurança, que é o mais importante para nós”, destacou.
Por fim, o italiano comentou sobre a evolução das motos no grid e a competitividade crescente. “Nossa moto está melhor, mas a dos outros também evoluíram muito. Precisamos dar mais um passo à frente”, afirmou. Ele ainda reforçou que o principal desafio técnico segue sendo o equilíbrio da moto, especialmente em fases de entrada e saída de curva, onde a falta de aderência traseira ainda limita o desempenho.
Com um circuito novo, ainda em fase de adaptação, e um grid cada vez mais equilibrado, o GP do Brasil promete um fim de semana imprevisível. E, como indicou Marini, as respostas só começarão a aparecer de verdade quando as motos forem para a pista.