Márquez vence Sprint em Goiânia e admite dificuldades: “Não me sinto 100%, ainda estou longe do meu melhor”
O retorno da MotoGP ao Brasil já entregou um dos momentos mais intensos da temporada 2026, e o protagonista do sábado foi Marc Márquez. Após vencer a Sprint em Autódromo Internacional Ayrton Senna, o piloto da Ducati abriu o jogo sobre sua condição atual, revelando que ainda está em processo de evolução e longe do nível ideal, mesmo com o resultado positivo.
Em sua análise, Márquez destacou que sente progresso recente, mas ainda busca recuperar plenamente sua confiança e estilo de pilotagem. “Sinto que dei um passo nessas últimas semanas. Isso me dá energia positiva para continuar, mas ainda estou longe da sensação que tinha no ano passado”, afirmou. Segundo ele, o trabalho com a equipe está focado em ajustar o equilíbrio da moto, especialmente diante das diferenças de estilo entre os pilotos do grid.

O espanhol também explicou que parte das dificuldades está diretamente ligada ao esforço físico exigido quando a moto não responde como esperado. “Quando você luta contra a moto, acaba gastando muito mais energia. Não me senti no meu nível na Tailândia, mas aqui já percebo uma evolução”, disse. Ele ainda destacou que as condições de pista no dia anterior, com chuva, ajudaram a preservar energia, permitindo um desempenho mais competitivo no sábado.
Sobre a corrida Sprint, Márquez admitiu que não esperava a vitória, principalmente pelo desempenho forte de Fabio Di Giannantonio ao longo do fim de semana. “Vi nos treinos que ele estava pilotando de forma muito fluida. Tentei entender o que ele fazia, não copiar, mas adaptar ao meu estilo. No início da corrida, ele estava muito rápido, mas no final comecei a me sentir melhor e consegui diminuir a diferença”, explicou.
O momento decisivo veio após um erro do rival, que abriu a oportunidade para o ataque. Ainda assim, Márquez revelou que já tinha estratégias preparadas para tentar a ultrapassagem. “Eu tinha dois pontos onde achava que poderia tentar. Mas fora da linha ideal estava muito sujo, então seria uma manobra mais arriscada. Depois do que aconteceu na Tailândia, eu pensaria duas vezes antes de assumir esse risco”, comentou.
Apesar da vitória, o espanhol foi direto ao falar sobre sua pilotagem atual. “Não estou 100%. Em cima da moto, sinto um estilo estranho. Não estou solto como no ano passado, estou mais rígido e tendo sustos que não entendo completamente. É nisso que estamos trabalhando”, revelou, indicando que ajustes feitos antes da Sprint ainda não surtiram o efeito esperado.
Outro ponto abordado foi a condição do circuito de Goiânia, que estreou no calendário moderno da MotoGP. Márquez elogiou o trabalho feito em pouco tempo, mas também levantou preocupações. “Para um circuito novo, já estão aparecendo ondulações e isso me preocupa. Se o solo continuar se movendo, no futuro pode piorar. Ainda assim, é uma pista divertida”, avaliou.
O piloto também comentou sobre o incidente envolvendo um buraco fora da trajetória ideal, que causou atrasos na programação. “A situação foi bem resolvida porque estava fora da linha. Mas não é fácil para nós pilotos lidar com tantas mudanças, parar, relaxar e voltar à concentração várias vezes. Temos nossos rituais e isso precisa melhorar”, afirmou.
Pensando na corrida principal, Márquez prevê um desafio ainda maior, principalmente pelo desgaste dos pneus. “Já achei 15 voltas longas, imagina 31. Vai ser uma corrida muito exigente. Os pneus, especialmente do lado direito, vão sofrer bastante por ser um circuito rápido e curto ao mesmo tempo”, explicou.
Mesmo sem estar em sua melhor forma, Márquez mostrou mais uma vez sua capacidade de adaptação e leitura de corrida. Em um cenário imprevisível como o de Goiânia, o espanhol largou na frente, mas deixou claro que ainda há muito trabalho pela frente na temporada 2026.