Review de "Nasce uma estrela". A mais agradável e emocionante surpresa do ano! - NoSet
Cinema

Review de “Nasce uma estrela”. A mais agradável e emocionante surpresa do ano!

O cinema bem feito vai muito além do puro entretenimento, ainda que entreter seja uma de suas funções primordiais. Há algumas de suas obras que superam todas as expectativas e acabam por se tornar memoráveis e clássicas dentro da Sétima Arte. E o que definiria um filme como inesquecível, obra-prima ou outro adjetivo que evidencie sua qualidade? Certamente não é um único motivo, mas um conjunto deles. E é por contar com esse conjunto – que será devidamente analisado aqui – que o longa-metragem Nasce uma Estrela (A Star is Born) já é uma das obras mais pertinentes desse ano, um filme para assistir e rever, tal é sua qualidade.

Antes de prosseguirmos nessa crítica, fiquem com o trailer.

O roteiro e as histórias por trás de Nasce uma Estrela.

Certo, vocês que já viram o filme devem estar pensando: “Eu já vi algo parecido…”. Sim, vocês estão certos. Nasce uma Estrela não é um filme inédito em termos de roteiro. Na verdade essa é a quarta versão da mesma história. A primeira foi produzida em 1937 e contou com Janet Gaynor e Fredric March nos papéis principais, mas com o diferencial de que a protagonista era uma atriz, não uma cantora.

A segunda versão lançada em 1954 repete a fórmula da atriz que é descoberta por um astro do cinema, assim como também são utilizados os mesmos personagens do filme de 1937. Essa produção de 1954 teve como protagonistas a sempre encantadora Judy Garland e o ator James Mason.

Em 1976 temos uma mudança no contexto da trama. Ao invés de se tratar de uma atriz descoberta por um ator, a narrativa muda para uma cantora  (Barbra Streisand) descoberta por um cantor famoso (Kris Kristofferson). Essa mudança foi usada para buscar, provavelmente, um “gancho” no sucesso do segundo filme que se valeu mais da parte musical do que o primeiro, no qual o drama era o alicerce da história.

O que há de comum em todos os três filmes anteriores à obra de 2018 é a trajetória dramática dos personagens. E é sobre isso que falaremos no tópico seguinte.

Cinderela.

Nasce uma Estrela é uma história consagrada onde a mulher talentosa, porém sem reconhecimento, é descoberta por um homem de sucesso. Ele reconhece nessa mulher muito mais do que os outros enxergam, e isso faz com que ele a proteja e a projete, além do óbvio amor que surge entre eles. Tudo parece arranjado para um verdadeiro conto de fadas onde o final é feliz e o amor vence, mas é preciso lembrar que a vida nem sempre tem uma estrada fácil a seguir.

Tal como acontece com qualquer um de nós, a vida dos dois é cheia de pequenos detalhes que podem chocar. Ela tem uma família (e com ela, os defeitos que todo ser humano tem), tem sonhos e um amor incondicional, mas que às vezes tem o alicerce enfraquecido por atitudes e situações adversas a sua vontade. Ele, um homem de sucesso e amado por todos, é uma pessoa comum que viu não somente um talento na bela mulher, como também enxergou alguém para amar. Ele é um príncipe na vida dela e eles se completam, só que viver a dois pode reservar boas e más surpresas e é sobre isso que falarei agora.

Para prosseguir, deixo o alerta de que spoilers não podem ser evitados a partir desse ponto. São poucos, mas podem incomodar os que não os suportam. Logo, aviso dado…

Elenco principal.

Não posso negar que esse foi um presente para qualquer fã de cinema. O elenco parece que já se conhecia há anos, tal era o entrosamento entre eles. A química do casal Jackson Maine (Bradley Cooper) e Ally (Lady Gaga) é perfeita. Desde o primeiro segundo de projeção do filme é possível perceber o público torcendo pelo casal. Entretanto, nem só de rostos bonitos que essa química se sustenta. Bradley e Lady Gaga estão impecáveis em suas atuações, fato que dá maior credibilidade e empatia a cada cena. Resumidamente, é impossível não torcer, sofrer e se emocionar com essa dupla que marcou positivamente o longa-metragem.

Claro que a trama não se sustenta apenas com as emoções e dramas vividos pelos protagonistas. O elenco de apoio é outro show à parte.

Sam Elliott interpreta Bobby, irmão de Jackson. Ele é o ponto de equilíbrio e apoio para o cantor, mas também se mostra alguém muito mais importante. A interpretação de Sam é, como sempre, impecável.

O papel dado a Anthony Ramos (Ramon) foi outro ótimo destaque e uma surpresa marcante. Ele é um dos pontos de apoio de Ally durante todo o filme.

Os demais do elenco são de vital importância para a obra como um todo. Atuações sem as quais a narrativa principal perderia força. Parabéns a todo o elenco.

Alerta.

Nem só de flores a vida é composta. Para comprovar isso, Bradley Cooper manteve o destaque aos problemas pessoais de Jackson Maine, inclusive sua dependência química pelo álcool. Jackson é um cantor consagrado, famoso e rico que, infelizmente, cai gradualmente na carreira e na vida particular por causa do abuso do álcool. O que antes era apenas um passatempo foi se transformando em um alívio para as pressões da carreira e, por fim, torna-se um fardo mais pesado do que poderíamos esperar.

Apesar do esforço para fugir do vício, Jackson passa por maus bocados ao longo da trama, o que serve de alerta para os males das drogas (lícitas ou não).

Ascensão e Queda.

Quão dolorosa pode ser a realidade? Estamos acostumados a fazer fotos rindo, ver artistas sempre felizes e evitamos a todo custo algo que possa ser triste, porém a vida não é um conto de fadas. Viver implica em passar por momentos bons e outros ruins. A gangorra da vida não avisa quando descerá e, se não estivermos preparados, podemos nos assustar com a queda.

Na trama de Nasce uma Estrela podemos acompanhar o lado bom e o lado ruim da fama, da vida a dois, da amizade, do companheirismo de irmãos, da presença paterna e da vida em si. Na verdade, apesar de haver uma grande parte do filme dedicada ao relato da vida em comum de um casal incomum, a obra também mostra – com coragem – as cobranças e os problemas gerados pela fama e o sucesso. Nem tudo se resume a ser uma celebridade, já que há sempre algo a se pagar por isso.

Nessa trajetória entre o estrelato e a decadência, Jackson descobre que amigos e família são os pilares para um homem se manter são.

                                                                              A Star is Born – Bradley Cooper, Lady Gaga e Sam Elliott

Contudo, o que realmente marca é o realismo, o choque, ao ser mostrado o lado obscuro da vida pública, da fama. É sempre bom lembrar que uma queda pode ser tão dolorosa quanto a altura da qual se cai…

E como já disseram infinitas vezes, o Inferno está cheio de boas intenções, assim como o personagem de Rafi Gavron (Rez).

Trilha Sonora.

O filme não é um musical em si, ele tem músicas que fazem parte do todo da obra. Cada música é usada para dar corpo à história e, sobretudo, emoção. Seja em uma apresentação ou apenas no ato de compor, o roteiro e a direção conseguiram encaixar com perfeição as canções… uma mais linda que a outra, vale frisar.

 

Abaixo a íntegra de uma das mais belas do longa, Shallow, interpretada por Bradley Cooper e Lady Gaga.

Direção.

Claro que um bom diretor tem que contar com um bom elenco para dar vida a um filme. Bradley Cooper contou com um elenco fantástico, mas o peso de sua direção foi indispensável para o sucesso de Nasce uma Estrela. Ele soube conduzir com maestria a trama sem medo de embutir elementos dos antecessores e, mesmo assim, parecer inédito.

A melhor forma de comprovarem o que digo é assistindo ao longa. Entretanto, para ilustrar seu brilhantismo, basta citar que a cena onde Jackson e Ally se conhecem é maravilhosa; outra cena memorável é a despedida de Jackson, cujo lirismo e sensibilidade marcaram. Outro diretor poderia optar por algo mais chocante, mas Bradley teve o bom senso de ser discreto e direto.

Oscar.

Posso até parecer empolgado demais, mas é inevitável. Quando lembro de Bradley Cooper em Se Beber Não Case ou Lady Gaga em seu início de carreira, jamais pensaria que os dois pudessem protagonizar uma obra com tanta emoção e da forma brilhante com que o fizeram. Claro que os dois se destacaram em suas carreiras, mas os papéis principais nesse filme não são fáceis. Vê-los atuando com o máximo de competência e dedicação me convenceu que eles podem concorrer ao Oscar de melhor ator e melhor atriz.

Independentemente disso, fica minha humilde opinião sobre suas atuações e o filme: impecáveis! Eles conseguiram trazer verdade aos personagens e emoção em um nível que há muito não via em um longa-metragem. Que o digam os vários espectadores que choraram (muito) ao final do filme.

 

 

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