Altamente recomendado por Stephen King, Um Passado Sombrio é uma trama de horror psicológico, com uma narrativa existencialista e não linear. Lee Harwell, o protagonista dessa história, é um escritor bem-sucedido e está à procura de um tema para o seu novo livro. Aconselhado pelo seu editor a escrever um livro de não-ficção, ele decide investigar sobre um evento que deixou marcas profundas em seus amigos de secundário e na sua esposa, Eel Truax. Em 1966, um homem atraente e carismático, um ‘guru’, passa pelo campus universitário do Meio-Oeste norte-americano e arrebata alguns seguidores, que o veem como um mestre, para depois participar de um ritual que irá dilacerar suas vidas. Lee é o único entre seus amigos que não se deixa enganar pelo homem, que se chama Spencer Mallon, um típico oportunista e lunático(?). Spencer tinha uma visão de mundo totalmente atraente para jovens problemáticos, e a sua figura, que poderia ser a de um pai afetuoso (a maioria dos jovens discípulos de Mallon tinha algum problema com seus pais) permitia obediência absoluta daqueles jovens que seriam vítimas de um evento macabro e de outro mundo.
Tudo causa movimento. Mas naquela sala maravilhosa tantas coisas aconteciam, você realmente sentia como se uma presença invisível, não anunciada, sempre tivesse estado ali, esperando por você, esperando para te avaliar! Naturalmente, isso não funcionaria para pessoas que enxergam. Às vezes, parece que as pessoas que enxergam mal conseguem ver alguma coisa.
A narrativa demora a fluir, ou melhor, flui aos solavancos. Para mim, as primeiras páginas me arrebataram para dentro da história e me fez sentir e refletir os problemas e angústias do protagonista. Mais uma vez a trama é impregnada pelos temas morte, sentido da vida, passado, escolhas, e pelo sobrenatural. Na medida em que Lee vai desenterrando o passado, que é muitíssimo sombrio, o leitor entende o título do livro. Mas há algumas tramas paralelas que deixa a história um pouco confusa, como, por exemplo, a história do esquisito Hayward sobre o seu passado, que tudo indica que ele assassinava mulheres ou sabia algo sobre o assassino de mulheres, o que pode ser intencional — já que tudo pode se encaixar no final da história. E é exatamente isso o que acontece.
Peter Straub também surpreende ao costurar narrativas carregadas de surtos psicológicos, como alucinações ou transcendência da alma em um ritual que, se não era para ser, torna-se demoníaco. Afinal, o que de fato aconteceu no campo de agronomia que deixou Dill, Jason, Hootie, Eel, Meredight com marcas profundas? Quem e o quê mataram Hayward? Para onde Milstrab havia ido? Essas perguntas tentam ser — e são — respondidas ao longo da trama.
Um passado sombrio é desconcertante, mas fica faltando alguma coisa. Seu papel de causar horror no leitor é atingido — para aqueles que entendem horror como algo psicológico, com poucos elementos do sobrenatural — mas a trama flui aos solavancos e tem seu ápice nas últimas páginas. Por fim, não atendeu às minhas expectativas mas é um bom livro.
