Close
MÚSICA

Show – Marina Lima 70 – Araújo Vianna

Show – Marina Lima 70 – Araújo Vianna
  • Publishedabril 2, 2026

Em meio a uma crítica polêmica de seu novo disco, o Ópera Grunkie, em que um crítico musical da Folha de São Paulo detonou esse álbum, Marina Lima anunciou sua nova tour: Marina Lima 70. E Porto Alegre foi palco do primeiro show dessa turnê, e ainda no calor da raiva que ficou contra o que considerou uma falta de respeito, a cantora carioca veio buscar acolhimento no colo dos gaúchos. Em julho do ano passado Marina já tinha feito um show inesquecível em um Bar Opinião lotado, dessa vez o palco foi no Araújo Vianna e o NoSet estava presente para conferir esse show de estreia logo após a treta entre a cantora e o jornalista.

Com um bom público, estimado em 2.500 pessoas, com direito a muitos telões e um palco pequeno à frente do principal, Marina abre o show com o sucesso que completa 40 anos esse ano, Pra Começar, do Todas ao Vivo. Com violão em punho e acompanhada por Carol Mathias, baixo e teclados, Gustavo Corsi nas guitarra, Giovanni Bizzotto no violão, Arthur Kunz na bateria e programação e um tecladista (que não encontrei o nome), fez a galera se agitar com o sucesso de 1986. Nota negativa é que o som estava com alguns problemas, sumindo às vezes, o que aliás persiste em alguns momentos do show, prejudicando a apresentação. Mas nada abala Marina, que segue com Partiu, de 2015, quando entra em cena a dançarina Carol Rangel, que chama a cantora para dançar e quase emendando, coloca o público pra dançar junto com o sucesso À Francesa.

O show segue com Vingativa e apresenta ao vivo duas novas do seu disco Ópera Grunkie, Grief Stricken e Perda. Como o novo álbum é uma espécie de expressão sentimental do luto pela perda do irmão Antonio Cícero, ela homenageia o mano com Meu Poeta, com direito a vídeos com imagens dele e muita emoção dela e da plateia. Marina então segue para o palquinho da frente e se abre de amor para os gaúchos, agradecendo o acolhimento e mais uma vez externando o quanto ama Porto Alegre. Segue com a lindíssima Pessoa, de Dalto, que particularmente é a minha preferida do cancioneiro dela. 

O próximo momento o show dá uma queda, com o público muito comportado e sentado, diferente da super festa que foi seu show no Araújo. Segue com Veneno, de 1984, Sign Your Name, seu cover de Terence Trent D’Arby, e com Algo Me Pegou, canção de 1998. Com a banda usando chapéus panamá e em ritmo de samba, com todos os músicos dançando, anuncia que vai cantar um samba de sua autoria, senta com o violão e anuncia Samba Pra Diversidade, que faz parte do seu último disco. Do mesmo álbum, segue com a fraca Olivia, mas se surpreende que os fãs a tem na ponta da língua e busca uma de 1991, a ótima Criança, para dar seguimento ao espetáculo.

Marina interage bem com a galera, conversa, troca de figurino e até brinca com isso, já que uma música ela mandou começar de novo por não ter se sentido bem com a nova vestimenta. Toma as rédeas do show com o sucesso Virgem e sua homenagem à rainha Rita com Nem Luxo Nem Lixo, com aquela interpretação estilosa que só a Marina sabe entregar. Em Collab Grunkie, a dançarina Carol Rangel rouba a cena numa plataforma, fazendo sua coreografia com vídeos de Laura Diniz nos telões. A cantora então retorna com mais uma troca de roupa para cantar a nova Que Não, do álbum que recém saiu, essa com recepção fraca da plateia, que realmente não colaborou muito com o show, muito comedida e insossa, sentada nas cadeiras do Araújo.

A outra sequência empolga a plateia com o cover de Legião, Ainda É Cedo, a sua interpretação magistral de Preciso Dizer Que Eu Te Amo e a empolgante Não Sei Dançar, o que faz com que a plateia venha junto. A banda toda é ótima, mas destaque para o grande guitarrista Gustavo Corsi, Carol Mathias, exímia baixista, tecladista e cantora que divide os vocais com a Marina em várias músicas. Uma breve passagem e homenagem ao Clube da Esquina com a lindíssima Quem Sabe Isso Quer Dizer Amor emociona a galera, até que Marina com seu violão no palco pequeno puxa Fulgás, o seu grande hit de 1984. Ela então  afirma que o show estava tão bom que teríamos mais músicas fora do set. Acontecimentos segue o baile, seguida pelo sucesso Nada Por Mim, onde sua voz rouca rouba a cena. Marina empolga a plateia com o cover do Tremendão, Mesmo Que Seja Eu e logicamente acaba o espetáculo que comemora os seus 70 anos de vida com Uma Noite e Meia, com direito a solo arrebatador do guitarrista Gustavo Corsi e um auditório de pé.

Diferente do seu show do ano passado, até pelo formato das casas, um o povo fica de pé e outro sentado, o show do Opinião teve mais calor humano e clima de festa. Nesse, como era o primeiro show da nova tour, estava com clima mais de espetáculo, se tornando às vezes mais frio, um público mais conservador. Alguns problemas técnicos e músicas novas que ainda não estão na cabeça do povo deixaram o show mais morno, mas mesmo assim é sempre um prazer assistir Marina Lima, esbanjando talento, carisma e a elegância cativante de sempre, mostrando que apenas quem produz coisas novas, tem fome de palco e luz própria sabe sair do lugar comum. Críticas são apenas críticas e parece que o aborrecimento dela só ficou nas redes porque no palco continua plena, exibindo talento e nos braços de quem ama seu trabalho.

Written By
Lauro Roth