Inédita em São Paulo, Eu Sou Minha Própria Mulher chega na cidade. O frescor da nova encenação poderá ser conferido na temporada do Teatro FAAP, de 11 de setembro a 29 de novembro, com sessões às sextas e sábados às 20h e aos domingos às 17h.
O monólogo preserva sua essência original e dialoga diretamente com o presente, em um convite à empatia, à reflexão sobre identidade e à celebração da coragem de existir.
“Antes de mais nada, é necessário dizer que essa é uma releitura, uma outra produção. Alguns profissionais mudaram, o texto foi atualizado. Inclusive, a forma como eu encaro o texto é diferente daquela época; passaram-se muitos anos. Nesse meio tempo, tivemos muitas mudanças no mundo, sobretudo uma pandemia, que marcou a todos nós. E vejo o texto hoje muito mais atual do que na época, porque fala de identidade, resistência, da liberdade de ser o que se é. Hoje tem muito mais campo para esse tipo de narrativa, é uma pauta importantíssima em qualquer lugar do mundo. Na época em que montei, essas coisas ainda estavam muito diluídas.”— Edwin Luisi
Sozinho em cena, Edwin Luisi dá vida a 20 personagens que atravessam a trajetória de Charlotte — entre eles, seu pai, seu amante, oficiais nazistas, o próprio dramaturgo Doug Wright e outras figuras que fizeram parte de sua história.
Baseado em uma série de entrevistas concedidas por Charlotte ao autor Doug Wright, o espetáculo acompanha uma trajetória individual para iluminar também os mecanismos de opressão e, sobretudo, a força da resistência. Charlotte não é apresentada como uma heroína clássica, mas como alguém que escolheu existir plenamente, mesmo quando o mundo insistia em negá-la.
“O espetáculo não segue uma cronologia, vai e volta no tempo. Esta é a mágica do teatro, porque ela [Charlotte] faz todos os personagens citados nas entrevistas. O ator que vive a Charlotte e que vive o Doug, os dois estão em cena, e ela vai vivenciando as histórias das pessoas que passaram por sua vida.”— Edwin Luisi.

Corpo e voz: observação e pesquisa
Para Edwin Luisi, a preparação de cada personagem começa pela observação e pela pesquisa. Cada figura exige um caminho diferente, a partir da compreensão de sua história, comportamento e maneira de pensar.
“Procuro entender profundamente quem é aquela pessoa, sua história, seu comportamento, sua maneira de pensar e, a partir daí, encontrar no meu corpo e na minha voz os elementos que possam revelar esse universo.”
“A voz, o corpo, o ritmo, o olhar e até a respiração são ferramentas fundamentais. Mas acredito que o mais importante é não ficar apenas na caracterização externa. É preciso encontrar a verdade daquele personagem, porque é ela que faz com que as diferenças sejam percebidas pelo público de uma maneira orgânica.”
O ator também destaca o momento de maturidade artística que vive após mais de cinco décadas de carreira.
“Tenho uma história de muitos anos na profissão, com personagens, experiências e aprendizados muito diferentes, e hoje sinto que consigo aproveitar tudo isso com uma maturidade artística maior. Estar novamente em cena, encarando um trabalho tão desafiador e tendo a oportunidade de dialogar com o público de maneira tão direta, é um privilégio. Então, mais do que dizer que estou vivendo um momento magnífico, eu diria que estou vivendo um momento de muita gratidão, realização e liberdade artística.”— Edwin Luisi.
A montagem
A encenação privilegia o trabalho do ator. Sozinho em cena e sem recorrer a grandes artifícios, Edwin constrói as diferentes figuras por meio da voz, do corpo, dos gestos, dos ritmos e dos detalhes de cada personagem.
“Tive de buscar vozes, tipos, tiques, características próprias de cada um.”— Edwin Luisi
Na montagem original, o trabalho de Edwin recebeu elogios da crítica. Barbara Heliodora destacou a precisão de tom e gesto nas diversas composições, enquanto Macksen Luiz ressaltou o detalhamento corporal e vocal da interpretação e a capacidade do ator de escapar das armadilhas caricaturais.
A direção de Herson Capri
Herson Capri dirige a nova montagem e privilegia, mais uma vez, o trabalho de ator. O diretor já havia trabalhado com Edwin em 1975, em São Paulo, em uma montagem de Ricardo 3º, dirigida por Antunes Filho. Os dois voltaram a se encontrar no Rio de Janeiro em outros quatro espetáculos, também como atores. Em 2007, Herson aceitou o convite de Edwin para dirigir a primeira montagem de Eu Sou Minha Própria Mulher.
“No monólogo, é o ator que comanda, e Edwin está brilhante. É de um talento imenso, tem recursos de interpretação fantásticos e, ao mesmo tempo, é empenhado, gosta do ofício e vai fundo no estudo. É um dos melhores trabalhos que já vi na vida.”— Herson Capri.
Na nova produção, Herson reencontra o espetáculo com uma equipe criativa formada por Marcelo Marques, no cenário e figurino; Aurélio de Simoni, na iluminação; Paulo Arruzzo, na trilha sonora; e Cláudio Andrade, na produção e assistência de direção.
Serviço
Espetáculo: Eu Sou Minha Própria Mulher
Com: Edwin Luisi
Gênero: monólogo teatral / drama biográfico
Temporada: 11 de setembro a 29 de novembro de 2026
Local: Teatro FAAP — São Paulo
Sessões: sextas e sábados, às 20h; domingos, às 17h
Duração: 80 minutos
Classificação: 14 anos
Ingressos: R$ 160 (inteira) e R$ 80 (meia)