Exposição Cazuza – Exagerado chega à São Paulo em grande estilo
A exposição Cazuza – Exagerado, que estreou ontem (22/12) em São Paulo no Shopping Eldorado, é um espetáculo. Dizer o quanto essas grandes exposições audiovisuais, com um bom valor de produção e estrutura como definitivamente é o caso, são experiências únicas é chover um pouco no molhado. Todos os clichês associados a esse tipo de exposição se aplicam para Cazuza – Exagerado: o quanto cada ambiente é esteticamente impactante, o quão imersivo é a experiência, o quão empolgante é ter contato tão sensorial com a música de um artista tão icônico. Mas no caso desta exposição específica, o mais notável é o cuidado que os idealizadores tiveram com a figura de Cazuza.
Seria simples produzir uma exposição baseada apenas na música e na poesia de Cazuza. Por ser uma obra que fala por si só, possui potência suficiente para segurar uma exibição. No entanto, seria insuficiente para retratar o impacto que a figura de Cazuza causou na cultura brasileira. Ele era um aglutinador cultural e de pessoas talentosas e interessantes; ele era um agente da vida para além do “sobreviver”, um carioca que entendia que a vida é para ser aproveitada ao máximo. A curadoria assinada por Ramon Nunes Mello e a produção da Hit Makers coloca esse aspecto no centro ao trazer itens de acervo inéditos extremamente intimistas, como fotos pessoais, máquinas de escrever de onde nasceram boa parte dos poemas de Cazuza, registros escolares, peças de roupas, etc. Isso, junto com numerosos depoimentos das mais diversas figuras (Pedro Bial, Leoni, Leo Jaime, Caetano Veloso, Bebel Gilberto, Sandra de Sá, Ney Matogrosso, e claro, Lucinha Araujo, mãe do músico) consegue resumir bem o impacto que ele causava no mundo, colocando o público neste lugar de intimidade com Agenor de Miranda Araújo Neto.

A Exposição
Cazuza – Exagerado é dividida em 11 salas, que percorrem a linha do tempo da vida do artista. Na primeira (Sala Agenor Caju) nós temos contato com os primeiros anos de vida de Cazuza, desde a infância até os seus primeiros trabalhos no teatro. O ambiente montado com fotos penduradas em móbiles dá ao público a oportunidade de ter contato com Cazuza antes da fama.
Na sala 2 (Maior Abandonado) é representada a fase do artista em que foi vocalista do Barão Vermelho. Numa reprodução do Circo Voador, casa de shows lendária do Rio de Janeiro, vemos a apresentação do Barão de Pro Dia Nascer Feliz no Rock In Rio, seguida de uma entrevista em que o Cazuza dá as boas-vindas à democracia no Brasil.
Já sala 3 (Eu Sou Manchete Popular/Álbuns Solo) representa a carreira solo de Cazuza, onde o visitante pode ouvir qualquer música que desejar dos seus cinco álbuns solo, além de ter contato com uma cenografia incrível e criativa.
Na próxima sala (Viva o Chacrinha, Viva o Palhaço), o visitante é transportado para o palco do Chacrinha, onde é projetado uma participação divertidíssima de Cazuza no programa. E na sala 5 (Cazuza por Toda Parte) é quase uma ode à figura do artista, onde o público fica envolto de fotos do Cazuza, iluminadas de maneira sincronizada com os trechos mais “chicletes” de sua obra musical.

A partir desse ponto, Cazuza – Exagerado vai se tornando cada vez mais emocionante, enquanto a linha do tempo vai se aproximando dos últimos anos de sua vida. A sala Caravana do Delírio recria a Veraneio preto de Cazuza. Enquanto projeções no chão fazem a ilusão de que o carro está se movimentando pelas ruas do Rio de Janeiro, o visitante é impactado com fotos de encontros de Cazuza com amigos, além de um vídeo de um show da Legião Urbana, em que Renato Russo presta homenagem a Cazuza. Nessa sala, é possível manusear um álbum de fotos com registros intimistas dos últimos anos do artista.
As próximas duas salas (Camarim e O Canecão/O Tempo Não Para) são complementares. O visitante visita a recriação do camarim do último show de Cazuza no Canecão, fazendo o caminho do camarim até o palco, e então é impactado por uma projeção de Cazuza performando em seu famoso show, dirigido por Ney Matogrosso, O Tempo Não Para.
Na sala 9 (Poesia), o poema Cineac Trianon é declamado por artistas que já interpretaram Cazuza, enquanto em Na Mídia, na Novidade Média, o visitante tem contato com filmes em que Cazuza participou, todos eles passando em fachadas de lugares icônicos que fizeram parte da vida cultural do artista.
Uma das fachadas é da Pizzaria Guanabara e é também a entrada da última sala da exposição. Onde, na recriação da famosa pizzaria, o visitante pode se sentar em uma mesa e escolher depoimentos de pessoas próximas a Cazuza, para “trocar aquela ideia” sobre o artista.
Além disso, a exposição chega à São Paulo com uma novidade: o palco Cantos e Contos, onde amigos íntimos do Cazuza, como Pedro Bial, irá conversar sobre a memória de Cazuza.

Cazuza – Exagerado é um primor técnico executado por uma equipe de fãs, que entendeu tudo o que o músico e poeta representava. A sensação de sair da exposição é de que somos privilegiados de poder viver em um mundo que já foi frequentado fisicamente e impactado espiritual e filosoficamente por Agenor ou, para os mais íntimos, Cazuza.
Serviço
Ingressos podem ser adquiridos online.
Data: A partir de 22 de Dezembro de 2025
Horário de funcionamento: Segunda a Sábado 10h às 21h15 (última sessão), fechamento às 22h | Domingo e Feriado 14h às 19h15 (última sessão), fechamento às 20h
Duração: Aproximadamente 60 minutos
Localização: Shopping Eldorado – SP (Av. Rebouças, 3970 – Pinheiros, São Paulo – SP, 05402-600)
Idade: Para todas as idades!
Acessibilidade: O local é acessível para PCDs.