Elvis Experience com Dean Z – Araújo Vianna
Acho que não existe no planeta Terra artista mais imitado do que o cidadão que nasceu em Tupelo no Memphis, Elvis Aaron Presley. Na maioria das vezes são pavorosas imitações, entre outras, a atuação até que engana, mas tem algumas que são ótimas. E uma dessas ótimas, é do Dean Zelman, estadunidense de 43 anos, que com a alcunha de Dean Z, apresenta pelo mundo todo seu show Elvis Experience, com certeza, um dos melhores tributos ao rei do rock do planeta. E esse tributo, Elvis Experience com Dean Z, chegou mais uma vez em Porto Alegre, no Araújo Vianna, na sexta-feira passada, mostrando a falta que Elvis faz no mundo e a lástima de ter partido tão cedo.
Bom público, noite agradável, com direito a uns imitadores de gosto duvidoso na plateia, Dean Z subiu ao palco com um pequeno atraso, prometendo uma viagem no tempo na curta mas intensa carreira do cantor. Com telões com imagens do cantor e com uma banda afiada de músicos brasileiros, comandada pelo ótimo guitarrista Heitor Crespo, a jornada do artista começa pelos anos 1950, com uma carreira de sucessos como Shake Rattle and Roll, Teddy Bear e Don’t Be Cruel. Esbanjando simpatia, Dean Z manda as “gurias” irem pra frente do palco, se ajoelha na frente delas e canta Love Me e Kiss Me Quick, com direito a beijos recebidos e dados na mulherada. Em 15 minutos de show, ele falou mais Porto Alegre que o Caetano Veloso e a Maria Bethânia falaram em décadas de show por aqui, mostrando que simpatia, boa educação e respeito por quem está recebendo o show não é difícil de demonstrar. Fecha a fase dos anos 1950 com uma empolgante Jailhouse Rock.





A sua backing vocal, Ammora, puxa uma versão estilosa de Fever antes de Dean Z abrir a fase início dos anos 1960 com músicas como Bossa Nova, Devil Disguise, It’s Now Or Never, onde mostra toda sua malemolência e talento vocal e encerra essa fase com Viva Las Vegas.
Como vai mudando de figurino conforme as fases na carreira, Dean Z sai de cena e deixa o palco para duas backings brilharem. Lia e Erika fazem uma emocionante versão de Bridge Over Troubled Water e Érika faz um solo cantando I’ve Got A Feeling In My Body. Duas vozes gigantes e talentosas.
Passando aquela fase esquecível dos anos 1960, com seus filmes medonhos e músicas pavorosas, ele volta em grande estilo, todo de couro, com o lendário espetáculo de 1968, Comeback Special, que literalmente foi a ressurreição de Elvis para a música. Começando com um medley com Heartbreak Hotel, Hound Dog e All Shook Up, seguido por canções marcantes como A Little Less Conversation. Mas nesse meio tempo, Dean Z falou em português, “macetou”, sambou, falou de sua paixão pela guaraná Fruki e comeu uma bergamota no palco. Ele dividiu a fruta com seu guitarrista Heitor e ainda mandou gomos para a plateia. Mais uma prova da simpatia única do cantor. E não só simpatia ele tem. Além de uma semelhança incrível com o cantor (é só um pouco mais baixo, mas ninguém é perfeito), figurinos impecáveis, tem um vozeirão muito semelhante, além de fazer um show físico, onde dança, pula, senta no chão, literalmente não para, em sua atuação de palco visceral. As três canções em sequência são de arrepiar, Memories, Rubberneckin e a antológica If I Can Dream, em que divide os vocais com Elvis, que surge num telão ao fundo num momento arrepiante do show.



Mais uma pausa para troca de figurinos e o trio de backing vocals canta Philadelphia Freedom e Lady Marmalade. No telão, então, surge James Burton, guitarra do Elvis entre 1969 e 1977, na fase Las Vegas, falando sobre o artista e logo após o depoimento, Heitor toma as rédeas do palco e faz uma homenagem ao guitarrista, fazendo um medley recheado de solos, mostrando que é um exímio guitarrista e fiel escudeiro de Dean Z.

Com as músicas de 2001 – Uma Odisseia no Espaço no fundo, eis que surge com aquele macacão clássico branco e cheio de detalhes dourados, Dean Z, pronto pra incendiar o tímido Araújo Vianna. Infelizmente dessa vez o público estava mais comedido, sentado e menos animado, diferente do show dele que cobrimos em 2024. Mas o cantor não tem nada que ver com isso e segue com os petardos See See Rider, a maravilhosa Burning Love e Steamroller Blues. Dean Z então fica de costas, com luz baixa, e a banda começa a tocar a música mais linda da história (na opinião de quem escreve), You Lost That Loving Feeling, pena que na metade da música chamou um amigo gaúcho, Diogo, que parecia mais ter vindo de um rodeio com agroboys para cantar com ele, não fez feio, mas queria ter visto Dean Z ter cantado toda a música. Segue o baile com Polk Salad Annie e a lindíssima Always On My Mind, em que afirma que foi a segunda música de Elvis mais famosa em terras brasileiras. E a primeira que vem em seguida, Suspicious Mind, com uma interpretação incrível do cantor, consegue fazer o povo ficar de pé, em um dos momentos mais vibrantes do show .
Depois de apresentar a banda, segue com a lindíssima American Trilogy, com direito à bandeira dos Estados Unidos no telão, sei que faz parte do show, mas num momento desses que idiotas fazem guerra, ela não cai bem na nossa vista. Dean Z fecha o espetáculo com a plateia na frente com o clássico Can’t Help Falling In Love, em mais uma interpretação fantástica, fechando uma divertida e agradável noite.




Confesso que não curto muito shows de tributos e covers, mas Dean Z é diferente. Além de ter uma banda maravilhosa, ele é de uma simpatia e bom humor contagiante, é muito parecido com Elvis, desde os trejeitos e as danças, simplesmente nos faz acreditar por duas horas que estamos vendo o Elvis. É mais que um tributo, é uma experiência, como o próprio nome do show diz, e quem pode ter a chance de conhecer, vale muito a pena. Até por que quando iria imaginar o Elvis comendo uma bergamota no palco do Araújo e chamando as gurias para a frente do show, só Dean Z mesmo.
