Crítica – Segredo Obscuro

Quando um filme estadunidense, em pleno ano de 2026, demorar tanto para estrear, é que há algo de podre no reino da Dinamarca. Segredo Obscuro (Shell, 2024) já tem dois anos do seu lançamento e só agora o Brasil recebe o filme de terror de Max Minghella.

Sam era uma atriz promissora, tinha feito séries de sucesso e era reconhecida, mas hoje, por causa da idade (que é uma barreira para uma mulher na profissão) e uma doença no corpo chamada psoríase, que a faz ter vergonha de si mesma, faz com que ela perca papeis e tenha sua autoestima jogada no chão. 

Uma empresa chamada Shell, que promete um rejuvenescimento e milagres na aparência de seus clientes através de alta tecnologia e procedimentos genéticos, parece ser a solução para os problemas de Sam. A atriz então se submete ao tratamento, mas algo começa a dar errado e algumas estranhas feridas surgem no seu corpo, e pra piorar, uma jovem atriz e amiga dela que se submeteu ao mesmo tratamento está sumida, gerando uma desconfiança incrível de que existe algo de estranho por trás daquela empresa milagrosa.

Segredo Obscuro começa com toda a cara daqueles filmes feitos para a televisão que passavam nas sessões de sábado à noite no Supercine. Desde as atuações, a fotografia e um clima de mistério que ia aumentando aos poucos. Só que essa tal tensão, quebrada por alguns momentos cômicos, acaba indo para as cucuias quando se descobre os tais segredos obscuros. Dali em diante, o filme de Max Minghella acaba virando um terror nonsense, com muito gore, piadas sem graça e um festival de absurdos. Um dos filmes de terror mais bestas do ano quer tentar fazer uma mistura de A Substância com A Mosca e acaba descambando para uma lagosta. Mesmo com a crítica nas entrelinhas de como a mulher sofre com a cobrança da idade e da busca eterna pela beleza fazendo qualquer coisa para ser valorizada (inclusive gastar uma grana num tratamento duvidoso), o filme acaba passando muito de raspão nesse problema. Sim, prefere usar o terror corporal e a autoironia como mote nas pouco mais de uma hora e meia de filme.

Elisabeth Moss, como Sam, parece que está apenas se divertindo com o filme, numa atuação que puxa mais para o humor do que o drama vivido pela artista renegada pela idade e aparência. Kate Hudson deve ter ganho uma bela bolada para fazer a CEO Zoe, que tem 68 anos e uma pele e corpo perfeitos, propaganda perfeita para a empresa que vende a beleza eterna. Além de oferecer vibradores às pacientes para se manterem relaxadas… Uma atuação caricata, mas que não provoca graça alguma. 

Segredo Obscuro, além de lembrar um telefilme clássico dos 1980 e 1990, com trilha sonora ruim, atuações fraquíssimas, tenta criar um clima de suspense no ar para desvendarmos o tal segredo do título, mas se perde num roteiro arrastado que deixaria com vergonha até os realizadores daquelas pérolas trash que ficavam perdidas nas locadoras do passado. E essas delícias de fitas ao menos nos divertiam e causavam asco pela tosquice, já o filme de Minghella causa é aborrecimento, deixando a dúvida de como um cara talentoso como esse pode ter criado tamanho abacaxi. Nem a Elisabeth Moss e a Kate Hudson ajudam a salvar o curioso  indeciso filme que não se decide que lado toma e tem tudo para cair no ostracismo e ser esquecido dentro da sua tal concha.

Sair da versão mobile