A turnê Live ’25 do Oasis foi um fenômeno cultural mundial. Para os fãs da banda, foi quase um milagre; afinal de contas, há 10 anos, a sensação geral era de que era mais fácil o Manchester City ganhar uma Champions League do que os irmãos Liam e Noel Gallagher voltarem a se falar após a briga que os separou em 2009. Em Oasis: Don’t Look Back in Anger (2026), os diretores Will Lovelace e Dylan Southern traduziram muito bem na tela o que a volta da banda significou no coração de pessoas de diferentes idades e nacionalidades.
O documentário segue a turnê de reunião do Oasis em 2025. Conduzido por filmagens de ensaios, bastidores e performances da banda, o filme apresenta a primeira entrevista de Liam e Noel Gallagher juntos após mais de 15 anos de animosidade.

Oasis: Don’t Look Back in Anger sabe muito bem o peso dos personagens analisados e da história que está sendo contada. A montagem inicial do longa, contando resumidamente a ascensão e queda da banda — que se intersecta com a destruição da relação dos Gallaghers —, é essencial para fundamentar os conflitos emocionais que foram resolvidos durante a turnê e discutidos ao longo do filme. Não é só a volta de uma das maiores bandas dos anos 90; é a reconstrução da relação de dois irmãos com personalidades incrivelmente fortes.
O carisma de Liam e Noel é uma coisa surreal. Eles preenchem a tela apenas com suas presenças, não só durante as performances musicais, mas também quando estão simplesmente esperando o momento para entrarem no palco. Eles têm absoluta certeza de que são os músicos mais incríveis da história e se portam dessa forma, fazendo com que nós nos simpatizemos com eles, mesmo quando estão sendo babacas (com o perdão da expressão). Mas é importante que se diga que eles também são humanos, e muito do ouro desse filme está no momento em que abrem o coração um para o outro, ao exporem como essa reunião foi importante emocionalmente para ambos. Aliás, até por isso a parceria dos dois irmãos é tão magnética no âmbito musical, pois suas personalidades, assim como suas músicas, misturam arrogância e sensibilidade.
Todos esses aspectos fazem com que Oasis: Don’t Look Back in Anger deixe de ser sobre a turnê de uma banda para se tornar uma história sobre emoções humanas. Nesse ponto, o documentário expande o olhar para os fãs. Com depoimentos de pessoas ao redor do mundo, inclusive de uma brasileira, o filme nos coloca na pele de quem esperou a vida toda por essa turnê. Para os fãs, a banda, mais do que algo supérfluo, é um aspecto fundamental de suas identidades e um alento em relação às dificuldades de suas vidas.
Mas nada disso se sustentaria com tanta força sem as performances do grupo durante a turnê. Oasis: Don’t Look Back in Anger traduz de maneira visceral o que é estar em um show da Live ‘25. A mistura de imagens da banda destruindo tudo musicalmente no palco com cenas de fãs de todas as idades emocionados com cada música — tudo isso embalado pela parede de som das canções —, nos coloca dentro daqueles estádios de maneira muito intensa. Eu, inclusive, tive a experiência de ir ao show do Oasis que ocorreu no Morumbis, e a sensação que tive ao assistir ao documentário é de que o filme ratifica o sentimento que o show me causou, em alguns momentos de maneira até mais intensa na sala de cinema do que no estádio. É como se o longa colocasse aquele momento que vivi em um contexto histórico-social e, dessa forma, me fizesse reviver aquela noite de maneira mais ampla.
Oasis: Don’t Look Back in Anger é uma experiência sensorial com uma carga emocional muito interessante. É uma tradução muito boa e emocionante de um evento cultural imensamente impactante: a Live ‘25. Assistindo ao filme, eu só conseguia pensar: “graças a Deus eu vivi na pele aquela noite de Oasis em novembro de 2025”.