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CRÍTICAS

Crítica – Minha Melhor Amiga

Crítica – Minha Melhor Amiga
  • Publishedagosto 26, 2026

Ingrid Guimarães é hilária. Mais do que isso, ela entende de comunicação de massa. Os seus filmes são sucessos absurdos e essenciais para a indústria cinematográfica brasileira. Nós podemos, e devemos, analisar tecnicamente esses filmes, mas é inegável como a Ingrid Guimarães possui um carisma surreal, muita química com suas parceiras de cena e um faro invejável para sucessos comerciais. Todos os ingredientes para repetir esse sucesso estão presentes em Minha Melhor Amiga (2026), dirigido por Susana Garcia e estrelado por Ingrid Guimarães e Mônica Martelli.

Julia e Clara, melhores amigas, veem suas rotinas mudarem quando as filhas adolescentes se mudam para Lisboa. Enfrentando o vazio da casa, desafios profissionais e crises pessoais, elas decidem viajar para Portugal em busca de novas experiências. O que começa como uma escapada leve se transforma em uma jornada de descobertas, encontros e revelações, em que as duas redescobrem a si mesmas e a força transformadora da amizade feminina.

Falando sobre questões técnicas, Minha Melhor Amiga tem problemas. Na montagem, por exemplo, temos uma edição muito apressada, em alguns momentos evidenciando erros de continuidade. A fotografia faz o básico, mas é muito chapada: apesar de ser ajudada por locações europeias belíssimas, ela acaba imprimindo pouco volume em tela. A blocagem das cenas também parece confusa muitas vezes, fazendo tudo parecer um pouco artificial demais. As cenas não saltam aos olhos, e isso pode tirar um pouco da nossa imersão como público.

O roteiro é curioso quando o analisamos. Ele tem a questão de que os diálogos são muito declaratórios: as personagens estão o tempo todo anunciando o que estão sentindo, de maneira excessiva e antinatural. Porém, apesar disso, estruturalmente ele consegue criar bons arcos para as personagens, especialmente para as protagonistas Julia e Clara, mas também para suas filhas. E, através desses arcos, consegue discutir temas importantíssimos relacionados ao que é ser mulher aos 50 anos: trata de divórcio, da pressão social exercida para que as mulheres permaneçam presas a um casamento mesmo que infelizes, sexualidade, maternidade, machismo e etarismo. O filme faz reflexões muito boas sobre todos esses temas, que muitas vezes são invisibilizados. Então, existe um mérito muito interessante em Minha Melhor Amiga para além da comédia: o de abrir conversas que irão ressoar com muitas mulheres. Acaba que o roteiro entrega uma história com alma, o que nos gera uma conexão bem interessante com todas as personagens.

O grande ouro do filme, no entanto, está em suas protagonistas. É surreal a química entre Ingrid Guimarães e Mônica Martelli. As cenas mais engraçadas são aquelas em que, claramente, as duas estão simplesmente sendo amigas, traduzindo para a tela o relacionamento que possuem na vida real. Minha Melhor Amiga é para elas, gira em torno delas, e elas seguram o longa com uma estrela invejável. O carisma das protagonistas toma conta do filme e arranca gargalhadas sinceras, com um humor muito pessoal. E isso, inclusive, serve para suavizar os temas mais sérios do longa. Ingrid e Mônica conseguem atingir o objetivo principal de uma boa comédia, que é divertir seu público, com o acréscimo de não serem ofensivas em momento algum, o que é muito louvável em um mundo em que muitos comediantes confundem crime de ódio com humor.

Minha Melhor Amiga diverte e dá luz a temas sociais muito importantes dentro do universo das mulheres. Mesmo não sendo um primor técnico, o filme atinge seus objetivos. Ele quer ser engraçado e consegue; quer tratar de temas caros às duas protagonistas, e os discute muito bem; quer divertir o máximo de pessoas possível, e há grandes chances de atingir esse grande sucesso já comum à carreira de Ingrid Guimarães. Levando tudo isso em conta, Minha Melhor Amiga serve muito bem ao seu propósito.

Written By
Guilherme Pedroso