Crítica: Divertida Mente 2

Como diria o rei Roberto Carlos: são tantas emoções! Desde que nascemos vamos, através da vivência, descobrindo nossos sentimentos, desenvolvendo emoções distintas para evoluir como seres humanos. Essa premissa, da eterna briga de emoções em nossas mentes, foi brilhantemente explorada na animação produzida pela dobradinha Pixar e Disney, no ótimo filme Divertida Mente (Inside Out, 2015). Esse turbilhão de emoções está de volta, agora acrescidas por mais um bocado delas na continuação do filme que estreia nessa semana nos cinemas, Divertida Mente 2 (Inside Out 2), de Kelsey Mann.

Riley agora é uma adolescente de 13 anos. É uma aluna exemplar, tem grandes amigas, vive de bem com sua família e é craque em hockey. Mas com a adolescência, chegam novas sensações e mudanças com a puberdade, e as antigas emoções, Alegria, Tristeza, Raiva, Nojinho e Medo, não estão mais a sós no controle da mente de Riley. Elas tem a companhia da Ansiedade, o Tédio, a Inveja e a Vergonha, que juntos tem que coordenar a nova fase da vida da menina, que pretende entrar no time de hockey, fazer novas amizades, ser popular e viver essa fase de transição entre a pré-adolescência e o início da sua fase de adolescente.

Há nove anos essa parceria entre Disney e Pixar, Divertida Mente, nos proporcionou uma das grandes animações da década passada. A demora em termos uma continuação até pode ser justificada para  acompanhar em quase tempo real o crescimento da menina Riley. Espera essa que dá inclusive mais brilho para a sequência. Como sempre, a animação é de um capricho impecável, com suas cores vibrantes e personagens com expressões na medida, além de uma excelente sacada de misturar 3D com 2D (nas memórias mais antigas da menina). Sem exageros desnecessários, mas nunca abandonando detalhes que abrilhantam o visual.          

E o roteiro carrega muito bem o rito de passagem da infância para a adolescência. As rapidíssimas mudanças que surgem quase da noite para o dia na mente dos jovens. Riley, mesmo não deixando de lado as velhas emoções que definiram sua infância, é obrigada a conviver com novos sentimentos, como o característico tédio e sarcasmo da idade, sente inveja, sempre achando que os outros são mais, vergonha, o que faz um adoslecenete quase pisar em ovos para não acabar com sua reputação, e é claro, a descontrolada ansiedade que quase coloca tudo a perder. Mais uma vez temos uma aula de sentimentos e emoções e bom humor. Se da turma antiga já temos nossos conhecidos amigos, como a positivíssima Alegria, a descontrolada Raiva e a pessimista Tristeza, todos excelentes personagens, a continuação é quase um filme à parte da Ansiedade. Histriônica como deve ser esse sentimento, ela faz rir com seus exageros e afobamentos que deixam a menina em grandes enrascadas e acelerando a mudança na vida de Riley. Tudo funciona muito bem no filme, um retrato curto e grosso e muito divertido dessa fase da vida de uma adolescente que parece tão igual a todos os outros, mas com peculiaridades que a fazem lidar com suas emoções e sentimentos à sua maneira.

Divertida Mente 2 é  um dos raros filmes que a sequência pode até ser considerada melhor que o original, uma aula de como funciona o nosso cérebro e essa confusão de emoções que movem nossas vidas. Tudo isso mostrado de uma maneira criativa e com bom e leve humor, em um assunto tão complexo que são as emoções humanas, como funcionam e influenciam nosso psicológico. E sem falar na dublagem nacional, com nomes como Miá Mello, Leo Jaime, Dani Calabresa, Tatá Werneck, entre outros, que dão um ar brazuca para os personagens, o que poderia se perder assistindo só o original no idioma inglês. Uma aula de bom cinema que tem tudo para agradar, tanto as crianças que irão se divertir com os personagens, quanto os pais de adolescentes que irão se identificar, rir e se emocionar com esse complexo sistema chamado cérebro, que comanda nossas vidas.

 

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