Crítica- Da Magia a Sedução- Feitiço de Amor

     Qual a finalidade de fazer uma continuação de um filme que passou batido e foi um porque não dizer, fracasso na sua estreia. Quando Da Magia e Sedução, foi lançado, o grande atrativo eram duas promissoras atrizes Nicole Kidman e Sandra Bullock, numa fantasia com cara de sessão da tarde. Com o tempo o filme ganhou algum status cult em certos nichos e fez com que as duas atrizes trinta anos após, resolverem apostar numa sequência. E Da Magia à Sedução 2: Feitiço de Amor (Practical Magic 2) com direção de Susanne Bier traz novamente as manas Owens para as telonas.

  O filme se passa alguns anos após os acontecimento do primeiro filme, (não fica claro quanto tempo exatamente) e hoje Sally Owens tem suas duas filhas já adultas. Uma é Antônia, que está pra se formar em medicina e a outra é Kylie, uma intelectual acadêmica que engata um namoro com Gideon. Sally e Gillian, quando as duas meninas eram pequenas, fizeram questão de poupar as duas sobre o passado das Owens envolto em bruxarias e maldições. Mas Kylie está apaixonada por Gideon, e como de praxe as Owens não podem amar, já que seus pares acabam morrendo, e depois de um acidente, a menina parte para a Inglaterra, origem da família, para buscar respostas dessa maldita maldição e as irmãs Sally e Gillian tem que ajudar a menina a enfrentar a crise disso tudo no passado da família.

  28 anos depois, Da Magia à Sedução 2, agora com adapta a obra O Livro da Magia ( Magic Book) de Alice Hoffman.No primeiro filme, “Da Magia a Sedução. foi fonte de adaptação Seguindo por aquela ideia, de qual a necessidade de dar continuidade a um filme ruim, e que conseguiu com o tempo ganhar uma aura de respeito. E Da Magia à Sedução 2,segue os passos do original: um filme despretensioso,sem graça, com um roteiro fraco. E logicamente como no primeiro filme, a dupla, Sandra Bullock e Nicole Kidman, são os únicos atrativos para fazer um vivente sair de casa para assistir o filme. Carregado em nostalgia, e usando fórmulas repetidas do original certamente vai agradar a meia dúzia de fãs do filme, com temas como irmandade, laços de família e é claro feitiçaria.E como Hollywood não é boba e a criatividade e comercial não é mais o forte, o filme pega carona em continuações  recentes como Diabo Veste Prada 2, e Sexta Feira Muito louca para tentar com a sororidade feminina levar esse público alvo para o cinema. 

  Se o primeiro filme ainda tinha uma atmosfera mais marcada de suspense por vezes sombrio com o drama da impossibilidade de amar e a magia como um medo que apavorava a sociedade, o filme de Brier, aposta mais no drama familiar, das Owens, quase que uma lavação de roupa suja interna e inserindo homens envolto em magia como Lee Pace e Solly McLeod como contraponto exclusividade feiticeira das mulheres. Inclusive em um momento ,e dos poucos engraçados do filme, Ian Wright personagem de Lee Pace, faz uma magia para a surpresa das manas e ele fala: Não há nada que os homens não possam fazer como as mulheres! Tirando a exclusividade da bruxaria ao sexo feminino..

 Mas no geral o filme é uma enrolação geral com intermináveis 130 minutos, perdendo tempo em diálogos insossos e modorrentos.Não consegue ser uma comédia contando com  poucos alívios cômicos que funcionam  muito mais pelo mérito de Sandra Bullock. E também relega o sobrenatural e as mágicas quase a um segundo plano, com efeitos mequetrefes e tirando o ar feiticeiro do primeiro filme e resume a terrível maldição das Owens a um embate de mãe, filha e tia. Inclusive as meninas que fazem Antonia e Kylie, Maisie Williams e Joey King, tem zero carisma em comparação com a tia e a mãe.Talvez um dos poucos pontos  positivos do filme seja ter dado mais protagonismo as velhas tias interpretadas por Dianne Wiest e Stockard Channing, essas sim dando dignidade ao papel e da segurança com as velhas bruxas Owens.

 Da Magia à Sedução 2, Feitiço de Amor, tem pouco amor e quase nada de feitiço, um filme que sobrevive pelo carisma extraordinário das atrizes  é um drama familiar com uma profundidade de uma piscina infantil  e serve só para massagear o ego dos nostálgicos que usam filmes confortos para lembrar os velhos tempos ( nem tão velhos assim) e que só dão mais guarida a Hollywood repaginar o que já existe, enterrando novidades. Mas o que importa é ao menos levar as pessoas ao cinema.

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