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MÚSICA

Air Supply – 50 Anos de Carreira – Aráujo Vianna

Air Supply – 50 Anos de Carreira – Aráujo Vianna
  • Publishedmaio 11, 2026

O duo australiano Air Supply, que em 2025 completou 50 anos de carreira, foi considerado certa vez a banda mais romântica do mundo. Difícil afirmar, mas com certeza, se não é mais romântica, é uma das mais, sem sombra de dúvida. A banda que praticamente inventou as power ballads, que povoam até hoje as rádios que tocam músicas dos anos 1970 e 1980 e estações especializadas em flashbacks, continua firme esbanjando talento, carisma e músicas maravilhosas pelo mundo afora. Com mais de 5 mil shows na carreira, Porto Alegre teve o privilégio de receber Russel Hitchcock e Graham Russell, numa noite que entrou pra história do Araújo Vianna na terça passada, em mais uma apresentação do duo na tour Lost In Love Experience. E o NoSet estava lá para prestigiar essa noite repleta de sucessos eternizados nas nossas vidas.

Terça-feira, pós-feriado e muita gente que prefere o mais do mesmo podem justificar o pouco público nas dependências do Araújo naquela cálida noite. Preconceito? Talvez sim, muita gente não admite gostar de música romântica, mas uma coisa que senti naquela noite é que todo mundo ali presente era fã de verdade e estava disposto a se entregar à dupla que mais canta o amor no planeta Terra. Com uma pontualidade que deveria causar inveja em artista nacional, que às vezes atrasa quase uma hora, a banda antes das 21h já estava no palco. E pra já começar rasgando, volta a 1981 com o sucesso Sweet Dreams, impecavelmente executado. Digo isso porque Russel e Graham continuam cantando demais e mantendo o pique das gravações originais, para alegria da plateia. E com Even the Nights Are Better, de 1982, já fez o que muito artista não faz no Araújo: levantar a plateia na segunda canção. Graham Russell, intercalando suas guitarras semi acústicas e seu violão, e sua simpatia característica, conversava com a plateia e anunciava Just as I Am, mais um dos inúmeros sucessos da dupla. Um dos baratos do show era que no telão, a cada música se passava os clipes da banda da época. Every Woman in the World segue o baile, com mais um show à parte de Hitchcock, que continua cantando como se tivesse 25 anos e Here I Am, do início dos anos 1980, encanta a animada plateia. Chances, a seguinte do set, é mais um show do vocalista que brinca de cantar com sua voz lindíssima, emocionando a plateia. Com Goodbye, de 1993, que foi trilha da novela Mapa da Mina, os dois fazem um dos duetos mais lindos da noite. Sério, a voz do Hitchcock em mundo de trucagens, Vs e tecnologias que fazem qualquer um cantar é um bálsamo de talento, um elixir para os ouvidos e tem gente que se acha cantor…

Depois do show de Hitchcock, ele ainda chuta o balde com uma lindíssima I Can Wait Forever, arrancando aplausos e lágrimas do Araújo Vianna, em uma das apresentações vocais pop mais incríveis que presenciei. Graham começa a falar com o povo e avisa que Hitchcock vai tomar um chá para voltar logo depois (depois de tudo que apresentou no vocal é o mínimo). Ele então conversa com a plateia, declama um poema e segue com Me and the River e o parceiro Hitch volta ao palco para eles cantarem Two Less Lonely People in the World. Mas antes de seguir nas linhas aqui, tenho que falar da super banda que os acompanha: na bateria Pavel Valdman quebranto tudo nas incríveis baladas, acompanhado pelos baixos precisos de Doug Gild. O batera ainda tem um momento em que levanta um cartaz escrito em português com a frase: “Vocês são demais”, que causa um frisson no Araújo. Nos teclados e suas lindas harmonias Miko Tessandori e o que surpreende a gente é que as power ballads, que são território de guitarras melódicas e distorcidas, mas o Air Supply não tem guitarrista e sim uma dupla que arrebenta no violoncelo elétrico, Kat Findley e Jessika Soli. Elas além de preencherem com solos lindíssimos as características guitarras das músicas da banda, ainda tocam com arcos luminosos, lembrando espadas do Star Wars, com direto a um duelo musical e luminoso entre elas.

Mas o show segue com a belíssima The One That Love, mais uma interpretação de aplaudir de pé a dupla. Graham então posta seu violão e puxa os acordes característicos de Lost In Love e o Araújo levanta num enorme karaokê para cantar junto com a dupla esse clássico. O batera termina a música com um solo incrível que culmina com uma das intro de piano mais conhecidas da história. Notas que abrem o super sucesso Making Love Out of Nothing at All. Não tem como segurar a emoção naquela canção que definiu as características de uma super balada oitentista. Araújo de pé, arranjo arrepiante e Hitchcock mostrando porque é um dos maiores cantores do mundo. Uma chuva de celulares e cantorias desafinadas tentando acompanhar, mas tudo era válido naquele momento. A banda sai de cena por pouco tempo para voltar ao bis e tocar Without You, canção do Badfinger, que fez sucesso com Nilsson e pra novas gerações Mariah Carey também marcou com sua versão, mas a deles é quase uma fiel reprodução de Nilsson, com a vantagem de ser o Hitch cantando e tornando definitivamente um sucesso no Brasil. Mais um daqueles momentos que a gente fica feliz de presenciar e nossos ouvidos sorriem junto com a boca. O show encerra com mais um sucesso arrasa quarteirão, All Out of Love, uma prova de que sim, o Air Supply é a banda mais romântica do mundo, falando de amor em canções que não desgrudam da nossa mente (ainda bem) e que 50 anos depois ainda fazem a gente cantar junto.  

Air Supply, com cinco décadas de romantismo, talento e lindas canções, provam que o amor jamais sai de moda, ainda mais quando cantado com emoção, talento e profissionalismo, em uma noite que entrou pra história do Araújo e os poucos que tiveram lá saíram com a certeza que não basta cantar sobre amor e sim tem que saber cantar para cantar o amor e isso os australianos sempre souberam.

Créditos das fotos: Douglas Fischer

Written By
Lauro Roth