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CRÍTICAS

Crítica – A Revolução dos Bichos

Crítica – A Revolução dos Bichos
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  • Publishedmaio 25, 2026

Em A Revolução dos Bichos (Animal Farm, 2025), o diretor Andy Serkis e o roteirista Nicholas Stoller adaptam para as telonas o clássico literário de mesmo nome escrito por George Orwell. É curioso como uma história tão bem estabelecida há 80 anos possui tão poucas adaptações ao cinema, a última tendo sido lançada em 1999. A animação A Revolução dos Bichos, de 2025 (que irá estrear dia 28 de maio nos cinemas brasileiros), causa curiosidade pela mística em volta da obra-base, mas peca em escolhas sobre o que quer ser e para quem quer comunicar. 

A Revolução dos Bichos é uma alegoria satírica sobre revolução e poder em forma de fábula, onde os animais são os protagonistas. O longa narra como um movimento pela igualdade é sistematicamente corrompido à medida que os porcos consolidam o controle da fazenda. A verdade passa então a ser apagada e a fazenda vai se transformando em uma ditadura implacável.

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A escolha de adaptar A Revolução dos Bichos para uma animação é um acerto, já que a obra original é uma fábula. Os animais que falam ou os porcos que usam roupas e andam em duas patas funcionam muito melhor nesse gênero do que poderiam funcionar em um live-action, em que a suspensão de descrença necessária para aceitar esse tipo de situação poderia ser proibitiva. No entanto, a escolha de produzir uma narrativa infantil gera os seus problemas, já que naturalmente, para uma obra infantil, é inevitável a moderação da satíra política que caracteriza a obra original. É possível notar essa suavização no tom, entre outras coisas, na criação do personagem Sortudo, um jovem porquinho que tenta se entender como indivíduo na nova realidade da fazenda Manor, pós revolução. Ao criar um protagonista mais identificável a crianças e pré-adolescentes, Andy Serkis e Nicholas Stoller transformam A Revolução dos Bichos em uma história de amadurecimento de um jovem, transformando uma satíra necessária e, em muitos aspectos, sombria, em um filme “engraçadinho” para toda a família sobre insegurança adolescente e primeiro amor. 

Essa necessidade de dar uma nota positiva para o tom de A Revolução dos Bichos faz com que a animação perca força. O clímax é onde o longa mais sofre com essa suavização de tom, já que é transformado em uma grande cena de ação de bem contra o mal, dando ao final pessimista e sinistro da história original, um epílogo esperançoso. Fosse a sequência de ação mais bem planejada e executada, talvez teria sido possível perdoar a infantilização da narrativa, mas além de tudo, é uma sequência genérica e entediante. 

Apesar disso, como a obra-base é muito boa, A Revolução dos Bichos também consegue ter muitos momentos que genuinamente funcionam, principalmente, quando seguem fielmente acontecimentos do livro de Orwell. De uma maneira geral, fora o arco de Sortudo, Andy Serkis e Nicholas Stoller conseguem seguir a espinha dorsal do livro de maneira relativamente fiel na condução da história, o que faz com que A Revolução dos Bichos seja uma animação que consegue gerar um interesse, esbarrando inclusive em discussões políticas propostas pelo livro clássico. E mais, consegue até adaptar bem essas reflexões para um público mais novo. Pena que elas ficam apenas como pano de fundo para o arco de amadurecimento de Sortudo.

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Em termos gráficos, A Revolução dos Bichos também funciona. Os personagens são visualmente bem resolvidos, e no geral, a animação é agradável, com exceção de algumas cenas que parecem ter sido finalizadas às pressas. A Revolução dos Bichos não chega a ser linda, mas também não ofende os olhos. Os animais também são muito carismáticos, não só pelo caráter visual, mas por suas dublagens. No original, um conhecido elenco os da vida: Seth Rogen, Gaten Matarazzo, Glenn Close, Iman Vellani, Laverne Cox, Kieran Culkin, Steve Buscemi, Woody Harrelson e Jim Parsons, todos estão muito bem e são engrenagens que ajudam a potencializar o que A Revolução dos Bichos tem de melhor. 

Adaptando uma obra base clássica espetacular e atemporal de George Orwell, A Revolução dos Bichos de Andy Serkis é no máximo uma animação legal, mas muito pouco memorável. Tem potencial para entreter, principalmente um público mais jovem, e funciona em vários aspectos, mas acaba não conseguindo utilizar o ótimo material base para construir um filme que marque a longo prazo.

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Written By
Guilherme Pedroso