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Dark: Terceira Temporada.

Salve Nosetmaníacos, eu sou o Marcelo Moura e hoje vamos falar da polêmica e mais assistida série da Netflix, a terceira temporada de Dark.

Dark: Criadores Baran bo Odar e Jantje Friese, país de origem Alemanha, produtores executivos Baran bo Odar, Jantje Friese, Quirin Berg, Max Wiedemann e Justyna Müsch, distribuição Netflix. Elenco Louis Hofmann, Oliver Masucci, Jördis Triebel, Moritz Jahn, Maja Schöne, Sebastian Rudolph, Anatole Taubman, Mark Waschke, Karoline Eichhorn, Stephan Kampwirth, Anne Ratte-Polle, Andreas Pietschmann, Lisa Vicari, Angela Winkler e Michael Mendl. Empresa produtoras Wiedemann & Berg Television, emissora original Netflix.

Dark é uma websérie alemã de drama, suspense e ficção científica criada por Baran bo Odar e Jantje Friese e distribuída pela Netflix. A série se passa na cidade fictícia de Winden, na Alemanha, que sofre o impacto do desaparecimento de uma criança, que expõe os segredos e as conexões ocultas entre quatro famílias locais, enquanto elas lentamente desvendam uma sinistra conspiração de viagem no tempo que abrange várias gerações. Ao longo da série, Dark explora as implicações existenciais do tempo e seus efeitos sobre a natureza humana.

É a primeira série original alemã da Netflix, tendo estreado sua primeira temporada completa no dia 1º de dezembro de 2017. Após as críticas positivas, a série foi renovada para uma segunda temporada  que foi lançada no dia 21 de junho de 2019. No trailer de lançamento da segunda temporada, a série foi anunciada como “uma história contada em três ‘ciclos'” – cujo final ocorreu em sua terceira e última temporada, que foi lançada no dia 27 de junho de 2020.

Apesar de ser inicialmente comparada a Stranger Things – ambas partem do desaparecimento de uma criança – a série ganhou fama por sua trama complexa e temas envolvendo viagens no tempo e conceitos de física. Em uma votação realizada pelo site Rotten Tomatoes, Dark foi eleita como a melhor série da Netflix, vencendo a própria Stranger Things e enfrentando a também aclamada Black Mirror na final.

Sinopse: O desaparecimento recente de crianças na pequena cidade alemã de Winden remete a acontecimentos idênticos ocorridos há 33 anos e 66 anos e coloca quatro famílias no centro de uma teia de mistérios envolvendo uma misteriosa caverna, uma usina nuclear suspeita e um estranho homem recém-chegado na cidade.

Na primeira temporada, seguimos Jonas Kahnwald, um adolescente lutando para lidar com o suicídio de seu pai e descobrindo a cadeia de acontecimentos; o policial Ulrich Nielsen, cujo filho é um dos desaparecidos e cujo irmão desapareceu 33 anos antes; e a chefe de polícia Charlotte Doppler, que está investigando os desaparecimentos. Outros personagens guardam suas próprias tramas e mistérios, que acabam se entrelaçando a trama central.

A história começa em 2019, mas se espalha para incluir histórias em 1986 e 1953 através de viagens no tempo, à medida que certos personagens das principais famílias da cidade se conscientizam da existência de um buraco de minhoca que permite as viagens no sistema de cavernas abaixo da usina nuclear local, que é administrada pela influente família Tiedemann. Durante a temporada, segredos começam a ser revelados sobre as famílias Kahnwald, Nielsen, Doppler e Tiedemann, e suas vidas começam a desmoronar à medida que os laços se tornam evidentes entre as crianças desaparecidas e as histórias da cidade e de seus cidadãos.

A segunda temporada continua as tentativas das famílias entrelaçadas de se reunir com seus entes queridos desaparecido, vários meses após o final da primeira temporada, em 2020, 1987 e 1954, respectivamente. Seguimos Jonas através de novas viagens no tempo, chegando aos anos de 2053 e 1921, que acrescentam novos aspectos aos mistérios, assim como a existência da irmandade secreta Sic Mundus, uma organização secreta que aparentemente estuda e manipula as viagens no tempo, além dos outros personagens que estão se movendo na batalha pelo futuro de Winden, dos personagens, pelo destino próprio ou de seus familiares. Enquanto isso, um evento apocalíptico está prestes a acontecer na cidade em 2020.

Crítica: Após a minha crítica da segunda temporada, onde coloquei minha opinião não tão favorável a série, mesmo sendo um estrondoso sucesso da Netflix, conversei com duas fãs da série, @patyzinha77 e @lipascoal no instragram, que me pediram mais atenção a série e prometi tentar enxergar melhor a nova temporada sem me apegar tanto as facilidades que o roteiro usa para que a história se complete, e aqui está o prometido.

Eu sei que fãs de drama e syfy adoram uma história que fuja dos padrões racionais e sociais, que criem situações conflitantes, com espaços para debates onde a solução apresentada é dúbia e não óbvia, sou da geração Arquivo X, passei por Lost e Fringe, então também amo conspirações governamentais e entendo essa ânsia por algo novo e curioso. Sendo assim, o que mais gostei em Dark é seu trabalho criativo no roteiro das três temporadas. Dark se destaca não só por ser complexo, mas por inovar e explorar as viagens do tempo no mesmo bom estilo da série O Túnel do Tempo (1966 a 1967), onde seus viajantes são prisioneiros da história mundial já traçada e todos os seus atos, mesmo que parecessem mudar algo, sempre os levam para a sequencia já determinada na história como passado. A sequencia onde Jonas tenta se matar enforcado e com tiros, sendo frustrado, nos mostra exatamente isso, o que já está escrito não pode ser alterada, então como burlar o que já é fato. O que é passado, futuro e presente para quem pode viajar por todos eles.

O retrato de uma sociedade decadente,depressiva, muitas vezes suja e pessimista se arrasta por todas as temporadas, deixando tanto os personagens quanto o público cada vez mais boquiaberto com as reviravoltas da trama, que vai criando “respostas sem soluções” e novos sub tramas cada vez mais complexas para nos envolver em um emaranhado de situações temporais cada vez sem mais soluções, mas que nos levam a algo maior.

Dark foge inteligentemente de  foge dos arcos comuns a seriados americanizados e viagens no tempo, com começo, meio e fim, pois na verdade a cada passo que dá, a série abre um novo leque de possibilidades, usando de maneira complexa conceitos e explicações científicas para que quando encerra sua jornada a cada temporada, explore ainda mais um novo processo, como em causa e consequência, para começar a próxima temporada sem se repetir ou implodir em suas próprias regras, mas repetir um novo processo com novos olhos.

Agora, para deixar claro minha opinião sobre o que não gostei, Dark abusa de facilidades de roteiro,  que se repetem novamente nesta terceira temporada, para facilitar a passagens de personagens e atos na história, como quando o filho de Jonas e Marta “entram” facilmente na usina e desligam a pressão do reator, causando a explosão da mesma, no mesmo momento em que um barril está sendo aberto no subsolo . Não existe segurança no local, eles entram facilmente e a porta C é de livre acesso ao público. Se prestar um pouco mais de atenção, esse tipo de recurso se repete por toda a série tocando junto uma música dramática ao fundo para lhe tirar a atenção do óbvio e dar mais peso a cena, usando situações de fácil solução para a trama desenrolar.

Dark – 1ª e 2ª temporada na Netflix

O mesmo artifício vale para o andamento dos personagens na trama, coincidentemente se encontram demais por destino em locais de difícil acesso, ok, na terceira temporada a série trapaceia com portais manuais não explicáveis, mas antes não. Estão todos, sem exceção, sempre no local certo na hora certa e isso me incomodou bastante, por mais que para outras pessoas não, afinal, tempo e espaço é a chave da série. Não houve um erro qiue causasse algum estrago, O que parece dar errado é sempre conveniente para o roteiro mudar o arco e, apesar da surpresa, me passa um tom de artificialidade e não conseqüência, por mais que seja inteligente a mudança, a artimanha para acontecer é plástica.

Outro ponto da série que me incomodou foi o excesso de cenas dramáticas sem necessidade e tom obscuro, até mesmo no acordar, nas cenas de sexo ou em um simples café da manhã, isso é explorado ao extremo, cenas em que todos estão conversando algo fútil, mas ao fundo um música pesada e dramática continua a tocar, criando um ambiente desnecessário, que não acrescenta nada a não ser dizer a onde os personagens devem estar após, como no colégio ou mesmo na floresta. Há pouquíssimas cenas de escape ou de alivio para respiro.

Na terceira temporada, para chegarmos a conclusão da franquia, Dark tira o peso do ancora da serie do Jonas (Louis Hofmann) e seu alter ego vilanesco Adan, para transformar a donzela em perigo Martha (Lisa Vicari), na Eva a contraparte bíblica e nêmeses de Adan (Adão e Eva), algo talvez para reverter o protagonismo do elenco alemão em uma série que até o momento só, apresentava homens no poder e poucas mulheres como contra poder. Eva é a “dona” do universo alternativo onde não existe Adão, mas mesmo sem ele, o universo está fadado ao mesmo fracasso, pois só no equilíbrio de ambos está a solução do problema.

Difícil escrever esta crítica, sim é. Assim como a série Dark é complexa, agradando a muitos por sua jornada  de lógicas e ilógicas, com soluções mirabolantes, no bom, sentido, nos tirando da casinha da simplicidade.  Me  sinto aliviado por conseguir escrever e espero que entendam que minha crítica não desmerece o trabalho feito, mas apenas pontue o que mais e e menos me atraiu nela.

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