Chernobyl: Minissérie da HBO - NoSet
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Chernobyl: Minissérie da HBO

Salve Nosetmaníacos, eu sou o Marcelo Moura e hoje vamos falar de uma das melhores minisséries de 2019.

Chernobyl (2019): Criadores Craig Mazin, diretor Johan Renck, produtores executivos Craig Mazin, Carolyn Strauss e Jane Featherstone, elenco Jared Harris, Stellan Skarsgård e Emily Watson, empresas de produção Sister Pictures e The Mighty Mint, emissora de televisão original HBO (Estados Unidos) e Sky Atlantic (Ucrânia).

Chernobyl é uma minissérie de TV dramática que descreve os eventos em torno do acidente nuclear de 1986 na usina de Chernobil. Dividida em cinco episódios, a minissérie estreou em 6 de maio de 2019, nos Estados Unidos, sendo muito bem recebida pela crítica e pelo público. Na 71ª Cerimônia do Emmy Awards, Chernobyl recebeu dezenove indicações, vencendo nas categorias de “Melhor Minissérie”, “Melhor Direção” e “Melhor Roteiro”, com os atores, Harris, Skarsgård e Watson, recebendo nomeações por suas atuações.

Sinopse: Chernobyl dramatiza a “história de uma das piores catástrofes provocadas pelo homem na história” e fala dos bravos homens e mulheres que se sacrificaram para salvar a Europa de um desastre inimaginável. A minissérie foca no escândalo devastador do desastre da usina nuclear que ocorreu na Ucrânia em abril de 1986, revelando como e por que aconteceu e contando as histórias chocantes e notáveis daqueles que lutaram e caíram.

Crítica: Nenhuma série dramática tende a ser 100% ligada a realidade, com direito a uma boa licença poética, mas sim totalmente ligada com a verdade sobre o assunto, pois existe sempre uma história a se contar para entreter o público, que na maioria espera ser envolvido com o drama dos personagens ,o que difere de um documentário, que apenas nos passam fatos e é na história que conta para entreter o público. E foi assim que eu assisti Chernobyl, mais preocupado com o que Mazin e Renck se propuseram a contar, do que se os personagens ou a drama dos fatos são totalmente verdadeiros ou fictícios, e não me arrependi.

Chernobyl é uma obra de arte do começo ao fim, entretém começando de maneira singela, apresentando os personagens enquanto a trama do desastre vai se desenrolando, e salvo os possíveis exageros, conta a história comum a humanidade e não somente ao povo soviético sobre um acidente que poderia ser evitado, assim como “as barragens no Brasil da Vale do Rio Doce”, homens orgulhosos que  tomam decisões questionáveis, e que não são ficção, mas pura verdade, não importa como é contado, alguém decidiu de maneira a apostar contra e foi a humanidade que perdeu.

Com um ótimo elenco de nomes consagrados como Jared Harris (Sherlock Holmes e The Crown) como Valery Legasov, o vice-diretor do Instituto Kurchatov indicado para ajudar os esforços de limpeza, o conhecido ator sueco Stellan Skarsgård (Thor, Mamma Mia e Piratas do Caribe) como Boris Shcherbina, o vice-presidente do Conselho de Ministros e Emily Watson (A Teria de Tudo, Dragão Vermelho e A Menina que Roubava Livros) como Ulana Khomyuk, uma física nuclear de Minsk roubam a cena e dão o drama que  a série pede, enquanto tudo vai piorando, são suas atuações que prendem o público em uma história que todos sabem o final. A personagem de Watson é uma personagem fictícia que, segundo a própria  Watson, “representa os muitos cientistas que trabalharam destemidamente e se colocaram em grande perigo para ajudar a resolver a situação”.

Curiosidades: Chernobyl foi aclamado pela crítica especializada. No site Rotten Tomatoes, tem um índice de aprovação de 96% com uma nota média de 9 (de 10), baseado em 76 resenhas. O consenso do site é “Chernobyl rebita com um pavor rastejante que nunca se dissipa, dramatizando uma tragédia nacional com trabalho de qualidade e uma dissecação inteligente da podridão institucional”. No site Metacritic, recebeu uma nota de 83 (de 100), baseado em 26 críticas, indicando “aclamação universal”. Na Rússia, Vladimir Medinsky, ministro da cultura da Rússia, cujo pai foi um dos liquidadores de Chernobyl, afirmou que a série foi “feito com maestria” e “filmado com grande respeito pelas pessoas comuns”.

O acidente nuclear de Chernobil foi extensamente estudado para a realização da série, porém muitas liberdades foram tomadas com a história para fins dramáticos. Adam Higginbotham, estudioso especialista do incidente de Chernobil, apontou vários erros e exageros da minissérie, afirmando, por exemplo, que diferente do que foi mostrado, os cientistas nucleares soviéticos não estavam preocupados em “descobrir a verdade”, pois eles logo perceberam que havia problemas nos reatores e que foi isso que levou ao desastre. Higginbotham e outros também ressaltam o fato da série mostrar a chamada “Ponte da Morte” (onde várias pessoas teriam se reunido para assistir o incêndio na usina nuclear e mais tarde todas morreriam devido a radiação), que na verdade é uma lenda urbana. De acordo com o jornalista Fred Weir, “todo mundo [na Rússia e Ucrânia] concorda que a minissérie exagera na apresentação dos seus personagens, mostrando oficiais soviéticos e o pessoal da usina como maus e coniventes”. O documentarista russo Oleg Voinov, que havia feito um longa sobre Chernobil, disse que a série foi “filmada maravilhosamente, editada profissionalmente e com grandes efeitos especiais. Mas não reflete a realidade. Muito do que é apresentado não é verdade”. Mike Hale, do New York Times, criticou Chernobyl como “propensa aos exageros de Hollywood — para nos mostrar coisas que não aconteceram”.

Entre os vários problemas da historicidade da série, por exemplo, é a insinuação de que pessoas que foram expostas a grandes níveis de radiação são, elas mesmas, radioativas, no sentido de que poderiam transmitir essa radiação (ou o envenenamento radioativo que as acometem) para outras pessoas, via proximidade ou contato, porém isso não ocorre na realidade. Quando limpadas, pessoas infectadas com radiação não representam perigo para outras, porém precisam ser isoladas pois seu sistema imunológico é grandemente enfraquecido, sendo suscetíveis a doenças transmissíveis. Outra insinuação equivocada acontece quando a série mostra oficiais do governo soviético ameaçando pessoas de execução sumária. Após a Era Stalin (1927–1953), execuções extrajudiciais se tornaram raras na União Soviética.

SetCast – Chernobyl

A minissérie também implica que o total de mortos no desastre de Chernobil poderia chegar a 93 mil, mas tal número é altamente contestado. Uma pesquisa feita pela BBC reportou que o número de fatalidades causadas pelo acidente ainda é inconclusivo, com cerca de 5 000 casos de câncer de tireóide sendo oficialmente reportados — a maioria sendo tratados e curados —como causados pelos efeitos da radiação. Muitas outras pessoas podem ter tido doenças ou câncer como resultado da radiação, mas não existem evidências concretas a respeito. Em meio a relatórios a respeito dos incontáveis problemas de saúde causados pelo desastre — incluindo doenças congênitas — não se sabe o que exatamente foi ou não causado diretamente pela radiação.

Famílias de pessoas que viveram perto da área do desastre na época criticaram a série como sendo “politicamente motivada e provocativa”, afirmando que muitos eventos se desenrolaram de forma bem diferente. Por outro lado, o major-general Nikolai Tarakanov (interpretado na série pelo ator Ralph Ineson), que liderou os verdadeiros “liquidadores” em 1986, elogiou o trabalho da HBO em uma entrevista para a televisão estatal russa, mas afirmou que várias coisas foram modificadas. Por exemplo, embora o exército soviético tenha matado centenas de animais na área de Chernobil, eles o fizeram nas regiões mais afastadas da cidade e da usina e não nas áreas residenciais, como mostrado na minissérie; os níveis de radiação também não foram escondidos dos “liquidadores”; o caso dos mineiros ficando nus por causa do calor também foi inventado. O engenheiro Oleksiy Breus, que trabalhou na planta de Chernobil, disse a BBC que os mineiros de fato tiraram suas roupas, mas não ficaram completamente nus. O general Tarakanov também apontou que há incoerências com o personagem do Legasov, que não participou de grandes reuniões durante o controle do desastre como foi mostrado na série.

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