Homem-Aranha: De volta ao lar. Review comparativo com os quadrinhos e seus antecessores. - NoSet
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Homem-Aranha: De volta ao lar. Review comparativo com os quadrinhos e seus antecessores.

Homem-Aranha: De volta ao lar é um filme para ser visto e revisto. Fruto direto dos erros e acertos de seus antecessores (a trilogia de Tobey Miguire e os dois com Andrew Garfield), esse novo filme solo (ou não) do Amigão da Vizinhança bebe não só na fonte dos filmes anteriores como também nos quadrinhos. Referências não faltam e nós iremos apontá-las antes de analisar a trama em si.

Preparados? Por favor, cuidado com os SPOILERS!!! Are you ready? Please, be careful with the SPOILERS!!!

O que encontramos ou não dos cinco filmes anteriores?

Mais do que referências aos filmes anteriores, esse novo Homem-Aranha evitou de forma brilhante muitos dos erros dos seus antecessores. O primeiro ponto positivo está na escolha do elenco que ficou primorosa, ainda que com alguns atores relativamente desconhecidos. Os principais acertos estão nas escolhas de Tom Holland para ser o Aranha e em Michael Keaton como o Abutre. Ambos se encaixam de forma perfeita e dão credibilidade a seus personagens.

Outro fator primordial para dar mais dinâmica à narrativa foi a opção de não mostrar (pela milésima vez) a origem dos poderes de Peter Parker. A simples citação de como ocorreu – incluindo o destino da aranha radioativa – foi suficiente. Também acertaram ao não mostrar a morte do tio Ben. Óbvio que o personagem é imprescindível para a mitologia do herói, porém esse filme não pedia tal cena.

Uma opção corretíssima está no “rejuvenescimento” da tia May, interpretada pela linda Marisa Tomei. Hoje, a atriz conta com 52 anos, idade próxima à da personagem nos quadrinhos. Entretanto, por estarmos em pleno século XXI, as mulheres têm muito mais propensão a se cuidarem, manterem sua beleza o mais conservada possível, tal como a própria atriz faz. Logo, apesar de algumas queixas, Marisa é uma May bela e cheia de atitudes.  E não pensem que a versão original dos quadrinhos é absoluta, pois já houve versões onde a “velhinha” estava 100% em forma e muito mais bonita. A verdade por trás do visual original está no fato de que na sua época de criação, as mulheres tinham um desgaste muito maior, menos recursos cosméticos e não havia uma política voltada ao culto ao corpo. Em suma, a vaidade atual é a responsável pelo enriquecimento da indústria de cosméticos, das academias e dos cirurgiões plásticos. Marisa Tomei, pelo que eu sei, não é adepta das cirurgias, mas é notório que ela cuida do seu corpo, já que permanece extremamente linda.

As armas do vilão são outra atração à parte. O Abutre é um ladrão que possui uma inteligência bem acima da que tem o mesmo personagem nos quadrinhos. Astuto, ardiloso e conhecedor de suas limitações, ele e sua gangue fazem de tudo para não chamar a atenção dos maiorais (Os Vingadores). Outra prova de sua inteligência incomum está na readaptação de maquinário e armamentos alienígenas, oriundos da batalha dos Vingadores com o exército comandado por Loki, para criar não só seu uniforme como os armamentos que dão poderes a vilões como o Shocker. Diferente do que vimos no segundo filme com Andrew Garfield, a armadura não surge de um complô com o Duende Macabro ou algo assim. Há motivação por trás das ações do Abutre, seja na forma de vingança ou como um meio de proteger sua família.

Alguns fãs reclamaram da ausência de J. J. Jameson, mas não vejo coerência nisso. A trama se passa muito antes de Peter ser freelancer para o Clarim, isso sem citar que não fez falta até o momento. Em um futuro próximo, talvez, ele venha a aparecer.

Interligação do universo Marvel.

Mais uma vez a Marvel se destaca por seu apuro nas continuidades e interligações de filmes. Homem-Aranha mostra bem como essa receita de sucesso continua sendo aplicada de forma impecável.

O filme começa mostrando as sequelas do primeiro Os Vingadores, passa para cenas de Guerra Civil filmadas pelo próprio Peter e traz novamente a presença de Happy Hogan (Jon Favreau) que esteve nos três filmes do Homem de Ferro.

Só que não estamos falando apenas em citar filmes passados. A Marvel é primorosa em dar sequência a fatos de filmes anteriores nos atuais. Isso gerou até algumas expectativas quanto a um namoro entre a tia May e Stark, porém já antecipo que isso não irá acontecer.

Seja como for, o Universo Marvel é até o momento o mais correto “universo expandido” do cinema. Outras franquias terão que se esforçar muito para que a credibilidade chegue ao nível do Marvel Cinematic Universe (MCU) que não se restringe ao cinema ao incluir séries, animações e quadrinhos.

Um jovem Peter?

Sim. Peter Parker é bem novo. Um adolescente para ser mais específico. Ele vive sob a mesma pressão de um garoto que está no ensino médio, sofre bullying, é zoado, tem seus medos e inseguranças como qualquer adolescente comum. Claro que o fato de ser o Homem-Aranha lhe dá pontos adicionais de ‘skill’, mas seus atos ainda refletem muito a imaturidade comum à idade. É dessa imaturidade, inclusive, que ganhamos alguns dos mais divertidos momentos do filme.

Aos críticos e fãs ferrenhos dos filmes anteriores, principalmente aos de Tobey Maguire, lembro que esse remake é o fim de um impasse entre a Marvel e a Sony, indispensável para que possamos rever o Cabeça de Teia em aventuras de maior porte ao lado de outros heróis consagrados da Marvel. Não descartamos os filmes anteriores, mas é preciso compreender que essa é uma nova era para o MCU e é preciso ter um Aranha à altura dele.

Peter (Tom Holland) é, na minha opinião, a melhor caracterização do Aranha até hoje. Ele tem o ímpeto e o destemor característicos da pouca idade, isso sem contar que o humor usado pelo ator está ideal para o Aranha que marcou os quadrinhos. As versões atuais mais sérias são necessárias, mas mesmo assim ele ainda manda uma piada no meio de uma guerra ou combate cósmico. Esse é um traço característico da personalidade do personagem que foi mantido com maestria. Outro tipo de abordagem, principalmente quando levamos em conta um Peter com apenas 15 anos, seria macular o personagem, algo como fazer um Deadpool sério e soturno.

O diretor Jon Watts e os roteiristas souberam mostrar o cotidiano de um garoto e conciliá-lo à vida como herói que, aliás, aparece no filme de forma bem engraçada. Peter tem a ansiedade à flor da pele, é impulsivo e não consegue entender o porquê de não ser acionado por sue mentor, Tony Stark, para outras missões de grande porte. Essa ansiedade rende ótimo momentos em “Homecoming”, além de mostrar a preocupação em não fazer algo sombrio, pois isso ficará por conta de Guerra Infinita.

A presença dos amigos de Peter é algo que merece destaque. Ned Leeds (Jacob Batalon) é o parceiro de nerdices dele. Gordinho, gente boa e um profundo conhecedor do mundo da informática, Ned também faz parte do grupo de isolados da escola, apesar de não haver destaque para isso como vimos em Thirteen Reasons Why. Ele e Peter são os estranhos da escola, mas nunca os plenamente rejeitados, fato destacado pela proximidade entre Peter e a bela Liz Allen (Laura Harrier).

A narrativa e o roteiro estão coerentes?

Sim, não duvidem. A narrativa do filme é fluente e fácil de acompanhar. As cenas estão bem amarradas e mostram a competência do diretor Jon Watts que coordenou uma verdadeira operação de guerra para nos proporcionar esse ótimo longa-metragem. O roteiro é outro ponto fundamental para o sucesso de Homem-Aranha: De Volta ao Lar. A presença de cenas interligadas corretamente, a ausência de passagens vistas em outros filmes e o destaque para personagens que são importantíssimos para a trama mostram o apuro da equipe de roteiristas.

Quanto à escolha do elenco, isso deu força total á obra, principalmente por conta de Robert Downey Jr., Michael Keaton e o carismático Tom Holland.

Os coadjuvantes.

Personagens como Shocker, Cindy, o Consertador, Betty Brant, Karen e até o próprio Happy Hogan dão mais dinâmica a Homecoming. Eles garantem a amplitude com dramas pessoais, humor ou mesmo a simples complementação de uma cena. O que eles fazem, resumidamente, é garantir que as possibilidades para o próximo filme do Amigão da Vizinhança sejam as melhores.

O traje.

Polêmicas à parte, o traje do Aranha é um personagem à parte. Cheio de recursos tecnológicos, incluindo uma adequação automática a quem o usa, gadgets mil e uma Inteligência Artificial inacreditável, o traje é usado no filme também para destacar o conhecimento tecnológico de Ned, mas os resultados são algo que Peter jamais poderia pensar em passar, além de divertidíssimos.

Quanto à mente por trás de tantos recursos, só resta dizer que este uniforme é apenas um protótipo destinado a treinar Peter para um passo bem além, criado pelo próprio Tony Stark.

Comparativamente aos uniformes dos outros dois Aranhas do cinema, este é quase uma armadura do Homem de Ferro.

Sim, claro que vou falar sobre a polêmica declaração de que Peter já esteve em um filme do Homem de Ferro. Na minha opinião, uma teoria de fãs ganhou peso ao unirem Peter e Tony em um mesmo filme, mas dizer que ele realmente foi incluído como um ‘easter egg’ em Iron Man 2 é algo improvável. Valeu a inteligência de aproveitar isso para trazer mais divulgação ao longa-metragem.

O combate final.

Vi que há críticas ao embate final entre o Aranha e o Abutre. Elas são fruto de um certo radicalismo, talvez de conservadores que exigem a famosa “fidelidade” aos quadrinhos. Caso alguém queira realmente a fidelidade com a Nona Arte, preciso lembrá-los de que nem mesmo as próprias HQ são fiéis aos dogmas da mitologia de alguns personagens.

O combate entre o Abutre e o Cabeça de Teia não se restringe ao fim do fim. Na verdade, o diretor tece (perdoe o trocadilho) essa luta por todo o filme. Há o combate físico (simplesmente inacreditável) entre eles, porém o destaque fica para a luta psicológica travada no automóvel de Adrian Toomes, o Abutre. O diálogo dessa cena é tão intenso e nervoso que é impossível não ser afetado por ela. Brilhante!

Crítica social.

A principal crítica social está presente na alusão da parceria de Tony Stark com a Divisão que passa a comandar a remoção dos escombros do prédio Stark, destruído no primeiro Vingadores. Essa parceria selou o fim do trabalho de Adrian Toomes ao condenar seu investimento à derrota.

Muitos podem não ter enxergado isso, mas por trás dessa parceria há muito lucro para o já bilionário Stark. Tecnologia alienígena e metal de outro mundo são garantias de um retorno ao trabalho e investimento dispendidos para recolher as sucatas e escombros da guerra. Quando Toomes não tem mais como prosseguir honestamente em seu investimento, resta a ele poucas opções para manter sua família. É a partir daí que um um homem normal acaba se transformando em um vilão. Isso é muito comum em nossa realidade e serve de alerta para as sequelas do desemprego e do descaso dos ricos, o que não justifica a violência ou criminalidade, obviamente.

O treino até se tornar o Homem-Aranha.

Muitas cenas acrobáticas foram feitas pelo próprio Tom Holland. Ágil e muito dedicado, Tom conseguiu mostrar que tem qualidades suficientes para ser o melhor Homem-Aranha do cinema.

Uma pequena amostra de seus esforços está nesse vídeo:

Referências mil… ou quase.

Há muitas referências em Homecoming. Uma delas mostra o Homem-Aranha sustentando uma balsa partida ao meio com suas teias. Vimos uma cena quase idêntica em Homem-Aranha 2, com Tobey Maguire, só que com um trem lotado.

Após salvar Liz, Peter está de cabeça para baixo e recebe a sugestão de Karen (a Inteligência Artificial do uniforme) para que ele a beije, uma clara referência à marcante cena entre o Aranha (Tobey Maguire) e Mary Jane (Kirsten Dunst)  na chuva. A mesma cena, porém sem chuva, aconteceu com o Aranha de Andrew Garfield e a Gwen Stacy de Emma Stone. Apenas insinuar essa cena em De Volta ao Lar foi uma ideia muito bem concebida e aplicada.

Jennifer Connelly, a Betty Ross do filme do Hulk de 2003, é a voz de Karen, a I.A. que controla o traje de Peter.

Miles Morales tem sua presença insinuada nesse longa quando o Aranha interroga (com a voz igual à do Batman de Christian Bale) o Gatuno (Donald Glover). Essa cena serve também para destacar, de novo, o quanto ele é novato no combate ao crime.

Curtindo a Vida Adoidado é um dos filmes que trouxe inspiração a Jon Watts. Uma longa cena do Homem-Aranha é totalmente inspirada nessa comédia dos anos 80. Há outros filmes antigos que também foram usados como referência para o diretor.

Michelle, interpretada por Zendaya, diz que gosta de ser chamada de MJ, mas isso não é o mesmo que dizer que ela seja uma versão da Mary Jane. Isso já foi confirmado.

O Capitão América aparece várias vezes no longa através de filmes motivacionais aos alunos. Ele também faz parte de uma das cenas pós-crédito e, acreditem, vocês precisam vê-la.

Por duas vezes ouvimos a clássica versão da música tema do Homem-Aranha. Uma delas é orquestrada por Michael Giacchino, a outra tem os Ramones como intérpretes.

Outras curiosidades e referências estão no filme. Tente encontrar todas, mas sem usar a internet para pesquisar.

Por trás da máscara.

Tom Holland, assim como fizeram Chris Pratt, Johnny Depp, Chris Evans e outros astros, visitou um hospital para doentes em tratamento por câncer. As cenas são emocionantes e evidenciam o lado humano do ator que deu uma grande alegria aos pacientes do Hospital para Crianças de Los Angeles. Vejam o vídeo:


Todos os fatores acima citados me levam a afirmar que esse é o melhor filme do Homem-Aranha. That´s all folks!

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