Crítica da Broadway: The Height of the Storm - NoSet
Teatro

Crítica da Broadway: The Height of the Storm

Ir ao teatro é uma experiência única. O espectador precisa estar sempre atento ao que acontece no palco e ter grande suspensão de descrença, já que, na maioria das vezes, a imaginação deve nos ajudar a compreender o que acontece na história por haver limites no que se é possível fazer no teatro.

Uma peça como The Height of the Storm, portanto, leva a crer que será mais acessível e que exigirá menos adivinhações, pois se trata da história de um casal que reflete sobre seus 50 anos de casamento. Ou, pelo menos, era a impressão que a sinopse passava.

Na realidade, porém, a peça é muito mais misteriosa e deixa a plateia o tempo inteiro tentando adivinhar o que de fato está acontecendo. André (Jonathan Pryce) está olhando pela janela e lembrando da forte chuva do dia anterior. Uma de suas filhas chega e começa a conversar com ele sobre o que vão fazer com a casa agora. Dá a entender, portanto, que a esposa de André faleceu recentemente. No entanto, minutos depois ela aparece com uma sacola de compras e começa a preparar o almoço. A partir daí, Madeleine (Eileen Atkins) é quem conversa com a filha, dando a entender que foi André quem faleceu.

Os 80 minutos seguintes não esclarecem exatamente o que aconteceu, mas nos mostra um pouco da história daquela família, incluindo a dinâmica entre as duas filhas e um possível segredo na vida de André. Apenas ao final é que chega-se à alguma conclusão.

Se por um lado a história é densa e exige muita atenção, por outro lado não há necessidade de pensar muito para notar que a atuação do elenco é excelente. Jonathan Pryce está incrivelmente convincente como alguém sofrendo profundamente e com indícios de senilidade. Eileen Atkins, por sua vez,  brilha como a esposa devota ao marido e reflexiva sobre como ele sobreviveria sem ela.

É um privilégio poder ver ao vivo estes dois atores contracenando e, ainda por cima, sair do teatro pensando sobre vida, família, perda de entes queridos e a inevitabilidade de tudo isso.

Escrita por Florian Zeller, fica em cartaz em Nova York até 24 de novembro de 2019.

Site oficial: https://heightofthestorm.com/

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