Review: Velozes e Furiosos: Encruzilhada - NoSet
Games

Review: Velozes e Furiosos: Encruzilhada

Velozes e Furiosos é uma franquia de sucesso produzida pela Universal Studios em 2001 e que desde então rendeu grandes produções de filmes que se superaram não apenas no plot da história – e cenas de ação no mínimo inusitadas que desafiam as leis da Física – como também em números de bilheteria.

Fica claro que para uma franquia que envelheceu tão bem e que vem fazendo grande sucesso o combustível em algum momento vai acabar e um ponto final terá de ser dado para concluir de vez a saga. mas enquanto isso não acontece, explorar seus personagens seja como spin off, que é o caso de “Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw” (2019) ou saindo das telas de cinema e criando animações, a exemplo da série animada Velozes e Furiosos: Espiões do Asfalto da Netflix também lançado no ano passado é um meio de atingir um público mais novo, mas se você acha que isso fosse parar por ai se prepara que vem bomba.

Durante o evento de gala The Games Awards 2019 foi revelado mundialmente o trailer de Velozes e Furiosos: Encruzilhada, com direito a participação da dupla de astros Michele Rodriguez e Vin Diesel que subiram no palco para falar a respeito do jogo e revelar o ganhador de Jogo do Ano.  Fato é, o trailer apresentado foi uma bomba por parecer um projeto medonho feito por fãs com gráficos de ps3, talvez o uso desse termo seja ofensivo demais para amantes de jogos que podem produzir algo melhor que muitas desenvolvedoras.

Mas enfim, no último dia 7 de agosto tivemos o lançamento de Velozes e Furiosos: Encruzilhada, publicado pela Bandai Namco Entertainment e desenvolvido por Slightly Mad Studios, conhecido por criar Need For Speed: Shift que é um jogo “ok”, Project Cars (2015) e a sequência Project Cars 2 (2017) considerados Bons jogos que merecem menção para não dizerem que estou sendo injusto na minha avaliação. E recentemente – após me relutar – pude jogar Velozes e Furiosos, e assim, não precisa ir tão longe para ter noção do que foi proposto para esse jogo que traz uma ideia consideravelmente boa e mal executada em todos os sentidos.

 

 

História

O jogo não tem um enredo preparado e logo de cara você está em uma perseguição controlando Dom e Letty trabalhando em conjunto com a Interpol e que obtiveram informações sigilosas através do “Senhor ninguém” a respeito de um criminoso que eles monitoram usando a rádio da polícia e entram em perseguição para evitar a fuga, o suspeito é membro da ‘Tadakhul” uma antiga organização criminosa internacional e ele pode ter informações relevantes sobre algo que Dom e Letty procuram a respeito de um futuro ataque aos Estados Unidos da América que devastaria o país pelos próximos 30 anos. Com as informações obtidas Dom resolve ficar e ver seu filho enquanto nossa protagonista Letty vai para Barcelona, onde seu caminho se cruza com Vienna Cole e Cam Stone, dupla de amigas que levam uma vida simples trabalhando com reboque de veículos e decidem levar o carro danificado que encontraram pelo caminho para ser concertado na oficina de Sebastian, interesse amoroso de Vienna e assim concluir o dia. A personagem nota o certo nível de inquietação e preocupação de Sebastian e o convida para um jantar caseiro e ambos decidem ir juntos para a casa dela, enquanto Cam fica na oficina trabalhando até mais tarde, é durante a ida para casa de carro que o casal é perseguido por membros da organização criminosa, após despistarem os perseguidores Sebastian revela ser um informante da organização Tadakhul, cada boa informação passada para a organização criminosa lhe rendia uma boa grana, mas informações erradas lhe custam caro e com uma dívida pendente de 100 mil seu prazo é de no máximo 3 dias para quitar o que deve caso queira continuar vivo. Na oficina Cam descobre através dos funcionários tudo a respeito da dívida de Sebastian com a organização criminosa e ela também tem a solução, no dia seguinte uma corrida de rua organizada por Mauricio, terá um carro modificado como prêmio e ganhando poderá quitar a dívida. Vienna que no começo parecia receosa acaba concordando e resolve ajudar Sebastian a tunar o carro dele para ter condições reais de disputa. Entretanto, na noite da corrida Mauricio oferece uma proposta irrecusável para Vienna, caso ela esteja na linha de largada ele aceita dobrar a aposta no tudo ou nada. Ela aceita e entra na corrida, mas o que parecia vitória certa para Sebastian quase se torna uma tragédia com a colisão de um carro que o acerta em cheio, eram mais homens da Tadakhul dizendo que, se ele pensa que vai quitar a dívida com coisas deles, ele está enganado. Pois, Mauricio e o carro do prêmio, são propriedades da organização criminosa e agora ele tem 48horas para arrumar o dinheiro, caso contrário Vienna também pagaria o preço. A personagem demonstra ter um passado ligado a rachas e diz saber de alguém que poderá ajuda-los, e essa pessoa é Letty que por coincidência tem o mesmo inimigo e todos se unem para acabar de vez com a organização liderada por Ormstrid, líder da Tadakhul.

 

 

A saga que no início trouxe corridas de rua ilegais, com uma pegada de investigação policial e organização criminosa, com o passar dos anos veio tomando proporções exageradas e inimagináveis com grandes eventos e sequencias explosivas que abandonaram as suas próprias raízes para que Dominic Toretto e sua família salve os Estados Unidos e o mundo no final do dia combatendo um vilão e sua organização criminosa. Em Velozes e Furiosos: encruzilhada isso não é diferente, temos uma história meia boca, com novos personagens mal desenvolvidos que terão uma baixa e um luto de alguns segundos e a missão de impedir os planos do super vilão. É importante salientar, que personagens recorrentes como Brian, Mia, Tej, Luke Hobbs não estão no jogo, então não esperem vê-los. E dos que ainda não foram citados, Roman Pearce está presente e faz sua aparição em uma das fases como agente infiltrado dentro da organização de Ormstrid.

 

 

Gráficos e visual

Se a História já é suficientemente ruim temos um segundo ponto a destacar que consegue superar o roteiro, com a pior construção gráfica e visual nunca antes visto, – se é que existe um jogo que consiga superar Velozes e Furiosos na geração atual – que mesmo não apresentando gráficos condizentes, tem algo que pode ser avaliado próximo aos gráficos de PS3, o que não o torna bom. Um dos maiores problemas visto durante a campanha são os próprios personagens mal animados feitos de cera e sem expressividade alguma, em nenhum momento demonstram reações faciais além de piscar os olhos e ter um olhar vazio e se isso já não é ruim, as transições de cenas para cinematics são ainda piores com problemas de travamento, falta efeitos de iluminação melhores, filtros horríveis e  problemas de delay e renderização, além é claro, a física do jogo que impressiona negativamente e a IA que só não supera a  física do jogo mas faz o máximo para se igualar na medida certa, e esses são dois últimos pontos a serem comentados no tópico a seguir.

 

 

Jogabilidade e mecânica

Velozes e Furiosos: encruzilhada é um jogo linear, seguindo fases e não conta com um mundo aberto. Além de ser muito repetitivo, você terá de seguir à risca o que for pedido e ir diretamente nos pontos específicos o mais rápido possível antes que o tempo acabe, os carros tem barra de HP e o foco do jogo são combates mortais em alta velocidade, tendo como artificio o uso de batidas laterais para tirar os perseguidores da rota e o uso de nitro, fase ou outra você enfrentara um Boss ou terá a missão de perseguir um caminhão. Além disso, o jogador poderá alternar entre os 4 personagens disponíveis e cada um deles tem um carro com especialidades únicas necessárias para a execução da missão. A Inteligência Artificial é um outro problema nesse jogo, os bots são terríveis e por diversas vezes eles batem uns nos outros e até mesmo no carro controlado pelo jogador e se isso ja nao fosse suficiente, outro problema do jogo é que so existe uma camera e isso pode ser um problema para quem não se sinta confortável durante a partida tendo um grande carro tomando conta da tela, e a legenda esta posicionada muito mal e acaba sendo impossivel prestar atenção nas falas, e além de tudo, por diversas vezes a um grande uso absurdo de slow motion sem proporcionar qualquer emoção e os npcs (carros vazios) se chocam entre si em acidentes e até mesmo sendo arremessados a distância e somado a isso, a física do jogo é um bônus que torna tudo mais bizarro, com boliche de pedregulhos e tubos de concreto voando após receberem pancadas em alta velocidade.

 

 

Conclusões finais

Velozes e Furiosos: encruzilhada é um show de horrores sem nenhum esforço para fazer dar certo, um jogo que pode ser considerado Comercial e ganha força com grande marketing e pouco investimento, trazendo uma história padrão da franquia e a introdução de novos personagens estereotipados que podem ser facilmente esquecidos (spoiler: Com ressalvas ao Dublê do Vin Diesel surfando no Foguete que merece ser lembrado), dublagem amadora e sem empenho nenhum dos profissionais que dão voz a seus próprios personagens, pouquíssimas corridas de rua, falta de um mini mapa na tela, objetivos repetitivos, gráficos horríveis e jogabilidade terrível, e alem de tudo, fazendo desse o pior jogo do ano e um dos piores, senão o pior da sua geração. Em minha avaliação os principais pontos foram apontados e discutidos, mas em especifico o modo online não foi possível analisa-lo, pois não encontrei um jogador online para realizar as partidas e ter uma experiência completa para ter opinião formada sobre o modo.

Assista o Trailer:

Velozes e Furiosos: Encruzilhada está disponível para as plataformas Playstation 4,  Xbox One e Microsoft Windows.

Topo