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Crítica: Star Wars Os últimos Jedi – um novo caminho

E, depois de dois longos anos, finalmente chegou o Episódio VIII – Os últimos Jedi, segundo filme da terceira trilogia. Em geral, as continuações de Star Wars não ocorrem necessariamente logo após o término dos eventos de seus filmes predecessores (tanto a trilogia clássica quanto a trilogia prequel). Outra consideração importante é que – geralmente – os filmes do meio da trilogia são aqueles que servem para aprofundamento dos personagens, que já foram devidamente apresentados no primeiro longa, mas que terão seu futuro em aberto no terceiro filme, fechando suas histórias. Então o volume do meio é o famoso “miolo”, muito utilizado para que a gente tenha uma maior aproximação, empatia ou raiva dos heróis e vilões, e aguarde ansiosamente para saber o que vai acontecer com cada um deles. Traduzindo, muitas vezes o filme fica sem história, com aquela “encheção de linguiça” ou mesmo dá aquela cortada brusca no que está acontecendo (alô O Hobbit e Jogos Vorazes, é com vocês mesmo).

Último quesito a se comentar antes de começar a falar do filme (calma, sem spoilers) é que estamos falando do maior exemplar de cultura pop mundial de todas as galáxias. Star Wars não é só uma franquia de filmes. Para os fãs apaixonados isso transcende, podendo se tornar uma filosofia de vida ou até mesmo uma religião. Qualquer novo produto ou lançamento é uma fagulha que irá acender novas polêmicas, protestos de uns e euforia de outros. Cada um gostaria que a história fosse do seu jeito. E o seu jeito tem uma boa probabilidade de ser diferente do meu jeito. Portanto, não faço uma crítica do filme, mas compartilho a minha opinião e minhas percepções de fã.

Agora sob a direção de Rian Johnson, o que vemos na tela é um filme que se pode chamar certamente de original. É um Star Wars, com certeza, mas é diferente. Primeiro, porque vai de encontro a todas as considerações tradicionais que escrevi até agora.  O filme se inicia imediatamente após o término de “O Despertar da Força”, e vai direto ao ponto. Mas, para quem esperou anos e ficou horas debatendo e fazendo vários questionamentos sobre as questões existenciais, físicas e materiais do episódio VII, só adianto que “perguntas poderão ou não serem respondidas…”

É um filme de continuação, que se encaixa na trilogia, contém os elementos-chave da saga, mas tem a sua própria história, contada de uma maneira diferente. Foi uma aposta arriscada, que ao menos pra mim funcionou bem, sobretudo no terceiro ato. É claro que eu gostaria de tirar mais dúvidas que ficaram na minha cabeça no Ep. VII, talvez algumas nem sejam mais abordadas, outras não era bem o que eu imaginava ou queria, e também houveram as que me deixaram plenamente satisfeitos. O que eu vi não foi uma preocupação em fazer um novo “O império contra-ataca”, com revelações bombásticas e a continuação da jornada do herói, mas sim contar uma história linear.  É algo mais denso, mais conflituoso, mais humano. Por mais que a saga tenha estabelecido essa disparidade de lados da força da foma mais clássica herói x vilão, questões como o “equilíbrio” e o fato de todos termos um lado bom e um lado não tão bom assim foram pincelados em outros episódios, mas aqui ficaram mais explícitos. Alguns arcos se fecharam tão bem que eu fico até pensando como o episódio IX vai ser abordado (se eu pudesse colocar spoilers aqui eu ia externar minha preocupação. Depois conversamos mais em mensagens).

Outra percepção minha foi que este é o filme mais Disney da franquia. Não que os episódios anteriores não tivessem humor (não estou falando do Jar Jar Binks), mas este volume teve uma carga de piadas quase a nível de filmes da Marvel. Também vi muita influência Mickeyniana na inserção dos Porgs (aquela espécie de pássaro que vimos no trailer na Millenium Falcon). A existência desses seres provavelmente só deve ter tido como propósito vender bonecos, porque são até bonitinhos, mas insuportáveis e inúteis!!!!

O elenco apresentou uma evolução ao ponto certo. Luke (Mark Hamill) traz uma interpretação madura. A general Leia Organa (a saudosa Carrie Fischer) é outro ponto do máximo de evolução que uma personagem pode oferecer ao longo de sua jornada. Ela é sábia, correta, sensata, uma verdadeira líder. Não sei o que estaria reservado para ela no Ep. IX, mas conseguiram honrar a atriz, a princesa e a general (e, aparentemente, não forçaram nenhuma cena a mais criada para uma “despedida”). Da geração nova, Poe Dameron (Oscar Isaac) é a pessoa que vai gradativamente ocupando o papel de liderança deixado por Leia. Finn (John Boyega) continua sendo um alívio cômico, e é o que menos apresentou um arco complexo, embora seja fundamental na exploração de valores como amizade e altruísmo. Também não ajudou muito o seu arco no planeta Cassino – achei a parte mais fraca do longa.

 

 

Mas quem dá o tom do filme e atrai a atenção em todas as cenas são Rey (Daisy Ridley) e Ben/Kylo Ren (Adam Driver). Daisy está mais dramática e mais centrada, ao mesmo tempo em que sua personagem está perdida, em busca de um rumo e uma explicação de qual seu papel nesta história. Já Kylo deixa de ser um menino mimado que usa uma máscara para se parecer com o seu avô, e passa a tomar suas próprias decisões. A relação entre eles, e a ligação com a história de Luke foi muito bem construída. Os novos personagens Almirante Holdo (Laura Dern) e Rose (Kelly Marie) tem bons momentos. Ainda estou em dúvidas quanto ao que achar do papel do Benício Del Toro (embora sua atuação seja muito boa), até porque sua atuação ocorre no mesmo arco que o Finn, e parece que é a única parte que não serviu pra nada no filme. E se temos um verdadeiro herói no filme, este se chama BB-8!

Eu senti um pouquinho de falta de Sabres de Luz? Senti! Gostaria de mais algumas respostas ou que tivessem sido diferentes? Sim! Mas se até na vida as coisas nem sempre ocorrem do jeito que a gente quer, imagine um filme que não foi você quem escreveu. O que importa é que, após todas as reclamações de que “O Despertar da força” foi só uma forma de refazer o Ep. IV para a geração nova, ou que é tudo mais do mesmo, ou ainda que a franquia já deu o que tinha que dar, temos aqui uma mostra de que o universo de Star Wars tem uma infinidade de rumos e histórias boas a serem contadas e exploradas, respeitando seu legado e sua essência, mas sabendo inovar e arriscar.

1 Comentário

1 Comentário

  1. Nelson Agulha Configurações

    21 de dezembro de 2017 em 12:56

    Critica simplista e sem nenhuma profundidade a nãoo comentário do autor dizendo gostei. Encheu linguiça só para constar uma matéria. Deveria simplificar sua opinião com dados, parece que não viu o filme. O medo de colocar spoilers diminui sua qualidade. É uma critica construtiva, afinal, acho que fui o único que leu sua matéria ate o final e se importou em comentar. Boa sorte nas outras.

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