Crítica | X-Men: Fênix Negra... despedida em alto estilo da Fox Film. - NoSet
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Crítica | X-Men: Fênix Negra… despedida em alto estilo da Fox Film.

A saga da Fênix Negra é uma das mais aclamadas da Marvel. Escrita pelo genial Chris Claremont e desenhada por ninguém menos que John Byrne. Só para se ter uma ideia do que essa dupla já produziu, Byrne deu vida a “Gerações” (Superman e Batman), Tropa Alfa, Wolverine (muitas vezes com a colaboração de Archie Goodwin), Mulher-Maravilha (com George Pérez), Namor e muitos outros títulos e heróis da Marvel e DC. Por sua vez, Chris Claremont foi responsável por X-Men (alguns dos arcos mais importantes), Wolverine (ao lado de Frank Miller), Black Dragon (publicado recentemente pelo Pipoca & Nanquim), Novos Mutantes e outros dos mais importantes títulos e arcos dos mutantes da Marvel.

Longos anos de espera trouxeram angústia para os fãs dos X-Men, já que a passagem da Fênix nos filmes da Fox não foi exatamente aquilo que eles queriam, principalmente nos três primeiros filmes que mostraram uma Jean Grey mais madura e ainda não detentora dos poderes da Fênix. Isso foi interessante, mas o fato é que quando Jean se torna a Fênix Negra nós somos apresentados a uma trama muito diferente da vista nas HQ. Os filmes não foram ruins, porém deveriam ter se aproximado um pouco mais dos quadrinhos; ao não cumprir com esse requisito, a passagem da versão maligna de Jean Grey não foi recebida com tanto entusiamo pelos fãs mais antigos da personagem. Será que dessa vez teremos um longa condizente com a mitologia da Fênix?

Feitas as devidas apresentações aos antecedentes do novíssimo filme da Fox Film, vamos ao trailer e, na sequência, a análise completa da obra…

A sessão de Imprensa.

Já começamos bem ao termos palavras dirigidas à imprensa por parte do diretor da obra. Com muito bom humor, ele decretou o fim da saga mutante pela Fox e agradeceu as boas (e más) críticas feitas ao longo dos anos.

Legado.

Não há o que questionar, X-Men deu fôlego aos filmes de super-heróis (ao lado da trilogia do Batman de Nolan). Mesmo com falhas e distorções não muito apreciadas por fãs, certamente a saga dos mutantes da Marvel na Fox ditou regras que foram bem aproveitadas aproveitadas pela própria Marvel em seu MCU, além de evitar cometer os erros que a franquia apresentou.

Esse legado da Fox se encerra nesta produção que colocará os principais mutantes da franquia frente a frente com a maior força conhecida do universo: a Fênix Negra.

Proximidade com os quadrinhos.

X-Men: Fênix Negra é um filme com qualidade acima da maioria de seus antecedentes. Entretanto, as “reformulações” feitas a cada novo filme impediram uma real adaptação. Ao contrário do que era esperado pelos que leram a saga nos quadrinhos, muito ficou de fora, o que não quer dizer que esta nova versão da ascensão da Fênix seja ruim.

Ao optar por modificar a trama original, o diretor e roteirista Simon Kinberg conseguiu entregar uma narrativa bem similar à original (cuja base é a ascensão, apogeu e queda da Fênix, assim como sua luta interna para manter seu controle), mas com elementos diferentes que são fruto dos filmes anteriores. Claro que a ausência do Wolverine, de Emma Frost e do Clube do Inferno são lamentáveis e compreensíveis por se tratar de uma trama vinculada a outras que já haviam distorcido as histórias dos quadrinhos.

Ritmo.

A primeira meia-hora, talvez um pouco mais, tem um ritmo narrativo vagaroso. Não esperem por ação ininterrupta como em Deadpool ou Vingadores: Ultimato. Há uma dosagem compreensível de “calmaria” para preparar o espectador para a tempestade que se aproxima.

E que tempestade! O final de Fênix Negra mostra um dos melhores combates dos mutantes em todos os filmes da franquia.

Mutantes.

A Escola para Jovens Superdotados do Professor Xavier é um laboratório para mutantes. Compreendam, por favor, que a palavra “laboratório” não tem ligação com cobaias ou algo próximo. Na verdade, a Escola está realmente perto da versão dos quadrinhos, mas ainda foi pouco detalhada (exceção ao Cérebro).

Quanto aos X-Men, efetivamente os principais integrantes estão lá: Ciclope, Fênix, Tempestade, Noturno, Professor X, Mística, Cristal, Magneto e outros. Faltou, óbvio, a presença do Cajun, o Wolverine.

As caracterizações estão excelentes e há o uso do uniforme das histórias de Grant Morrison, ilustradas pelo grande Frank Quitely.

Força Fênix.

Uma das mais poderosas entidades de todo o universo, a Fênix tem seu poderio apresentado de forma gradual nesta nova produção. A escolha de Sophie Turner para o papel de Jean/Fênix foi muito bem feita, uma vez que a atriz possui talento e sabe como oscilar entre a menina boa e a assassina impiedosa.

A escalada de Jean Grey neste filme agradou por causa da forma como os momentos felizes e o desespero atingem a personagem. Não há como manter a sanidade integralmente quando se tem o poder de um deus, fato comprovado ao longo da trama. Também gostei da (curta) explicação de estragos anteriores feitos pela força cósmica, fato que explicou o surgimento de antagonistas sanguinários na narrativa, porém essa apresentação/interligação entre vilões e a Fênix deveria ter recebido mais atenção para facilitar a compreensão do espectador.

Seja como for, certamente a péssima impressão passada em X-Men 3 foi dissipada pela força dessa nova versão da mulher mais poderosa da Marvel.

Atuações.

É perceptível o esforço do elenco para entregar uma obra à altura das expectativas dos fãs. Os destaques foram Michael Fassbender que retomou seu papel como Magneto, Sophie Turner que dá vida à Fênix Negra, e o aclamado James McAvoy como o professor Charles Xavier. Em função do direcionamento para o último ato onde a totalidade dos poderes da Fênix seriam mostrados, houve pouco tempo de tela para personagens de destaque em outras produções como o Mercúrio de Evan Peters. Os demais integrantes do universo X, já apresentados em outros filmes, retomam suas participações e alguns chegam a ganhar um destaque especial como a Tempestade (Alexandra Shipp), Noturno (Kodi Smit-McPhee), o Fera (Nicholas Hoult) e a Mística (Jennifer Lawrence).

A vilã interpretada por Jessica Chastain se mostrou vaga em várias passagens, fato propiciado pela introdução rápida da mesma e cuja explicação ficou rasa. Apesar disso, Jessica tem grande participação no longa e continua com seu talento para a interpretação afiado.

Efeitos especiais e visuais.

Ao contrário do que alguns críticos disseram, principalmente em sites no exterior, X-Men: Fênix Negra teve muito apuro na elaboração de maquiagens, efeitos visuais e especiais, assim como nas locações. As caracterizações das personagens são muito boas e é fácil identificar a forte influência dos quadrinhos nos mutantes do cinema.

Roteiro. 

A adaptação (em termos) da saga da Fênix Negra ainda não é o filme definitivo dos X-Men. Há pontos fracos no roteiro que deixaram a obra lenta e o embate ideológico entre a Mística e o Professor Xavier pode parecer estranho para alguns, porém remete aos conflitos mostrados nas HQ entre Xavier e Scott Summers.

O confronto entre a Fênix e os X-Men não é tão apocalíptico quanto o visto no “O que aconteceria se a Fênix não tivesse morrido” dos quadrinhos, mas impacta ao mostrar a fragilidade dos mutantes diante de um poder ao qual sequer compreendem. Cabe destaque para a inclusão do problema gerado por Charles Xavier ao tentar conter os poderes de Jean, algo visto também nas HQ.

Mas é preciso destacar que a saga iniciada em 2000 pela Fox se encerra com grande estilo. O terceiro ato deste filme é primoroso, cita passagens de filmes anteriores e mostra o potencial da franquia que será administrada pela Disney. Eu surtei ao ver a demonstração de poderio de Magneto, Noturno e da própria Fênix, algo muito parecido com o visto nos quadrinhos. Também vi coerência na oscilação de “lados” das personagens, já que há pontos-chave que mudam as opiniões de heróis e vilões.

O final do filme é respeitoso e mostra uma ponta de esperança neste universo que durou 19 anos e trouxe alegrias e tristezas para os fãs dos mutantes. Seja como for, recebemos um final decente e que vale seu prestígio nos cinemas, mesmo não se tratando de uma obra definitiva sobre a equipe mutante mais amada da Marvel.

P.S.: a demonstração final do poder da Fênix, a inclusão de Genosha, novos mutantes e a esperança do crescimento da franquia através da Disney são elementos adicionais que irão incentivá-los a ver esse filme.

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