Crítica: Tallulah (2016) e a ascensão de Ellen Page - NoSet
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Crítica: Tallulah (2016) e a ascensão de Ellen Page

Descobrir o corpo, a independência, o sexo e se ver com um bebê precocemente sem o albergue do mundo com o peso constante dos sonhos de uma adolescência que ainda não acabou é uma premissa que parece bem específica para um filme, mas que a história de muitas meninas pelo mundo inteiro.

No longa baseado num curta-metragem também dirigido pela americana Sian Heder e co-produzido e distribuído pela Netflix, Tallulah (Ellen Page) é essa menina com essa premissa desoladora. Ao tentar conseguir um dinheiro cuidando de um bebê, ela se vê apegada à criança e receosa de deixa-la com uma mãe irresponsável e à beira do pior. A partir da decisão de ficar com a criança, o filme se desenrola numa sequencia de tentativas de Tallulah de concertar o caos iminente ao seu redor. Sempre na defensiva, ela rouba de pessoas e desconfia de todos.

O drama funciona como uma jornada sem destino para Tallulah que nunca parece saber para onde está indo, nem como será o próximo dia e muito menos parece se importar com isso. Com a criança em mãos, a protagonista passa então a contradizer sua rejeição de constituição familiar, chegando a apelar para a mãe do seu ex-namorado que fugiu.

Descrição Acessível: Atrizes, da direita pra esquerda, Ellen Page e Allison Jenney em suas personagens sentadas no sofá dormindo. A iluminação é quente.

Descrição Acessível: Atriz e diretora, da direita pra esquerda, Ellen Page e Sian Heder no sofá dormindo. A iluminação é quente.

O filme tem um ótimo ritmo e se ramifica ao explorar os dramas vividos por personagens secundários, o que traz um tom mais sólido para a trama e abre a porta para um envolvimento maior com a história.

Nada em Tallulah é revolucionário. O filme é, sob a perspectiva de direção e roteiro, uma viagem pelas incertezas do amadurecimento e as feridas do abandono intermediadas por tomadas simples e cenas que não chegam a apelar para o melodrama. Esse filme, porém, é praticamente conduzido pelos atores que dão à extensão do longa um senso de evolução.

Ellen Page é, sem sombra de dúvidas, a mais talentosa do grupo. Segura a todo momento, sua personagem não chega vacilar em estereótipos de outras protagonistas parecidas que a atriz já interpretou (vide Hayley Stark – Hard Candy, 2005 – e Jodie Holmes – no game Beyond: Two Souls, 2013). Pelo contrário, agora pelo prisma de uma atriz assumidamente homossexual, Page surpreende a não trazer essa característica a tela, coisa que poderia ofuscar o a personagem.

É inevitável a comparação do filme com Juno, longa que parece agora servir como uma realidade alternativa de Tallulah num mundo onde apesar das coisas terem dado certo com a família, a maternidade ainda é um desafio. Juno conta, inclusive, com a atriz Allison Janney.

É interessante notar a evolução de Ellen Page desde seu papel em Juno. A faceta de inexpressiva que pairava sobre suas interpretações, parecida da que é por vezes atribuída a Kirsten Stewart, deu lugar à uma característica personalidade intrapessoal, reservada e contida.

Por fim, resultado de um ótimo elenco e um filme com uma boa produção e direção, Tallulah é mais um acerto da Netflix que merece ser assistido. Sem a pretensão de ser um drama forte como era de se esperar pelos últimos trabalhos de Page, o filme se assume da melhor forma, destacando bons personagens que fazem o suficiente para que nos identificamos como pessoas que podem se deixar levar facilmente pela força gravitacional da vida, universo à fora, mas que apesar de tudo, sempre encontram algo para agarra-las ao chão.

Tallulah-Postertulo: Tallulah
Ano Lançamento: 2016
Gênero: Drama
País de Origem: EUA
Tempo de Duração: 111 minutos
Direção: Sian Heder
Elenco: Ellen Page (X-Men: Dias de um Futuro Esquecido), Allison Janney (A Espiã que Sabia de Menos), Tammy Blanchard (Blue Jasmine), Evan Jonigkeit (The Gift)

Nota: 

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